Nasci em uma família cristã. Isso fez toda a diferença quando a conheci. Ela, a minha Ela! Eu a vi pela primeira vez no dia 03 de setembro de 2004. Ela estava chegando ao pólo universitário, onde eu já estudava desde a sua fundação em 2003. Cursava o segundo ano de teologia, e nesta data a fitei saindo pela secretaria com uma pasta amarela. Logo de cara fiquei apaixonado, "tipo" aqueles filmes clichês, que tanto critiquei, de comédia romântica que quando a sua amada aparecer você vai apaixonar se, independente do que aconteça, o destino vai lhe aproximar. Ilógico, mas parecia uma dessas cenas. Mas "Ela" nem me viu, e então fui para casa antes do que de costume, pensando Nela.
Cabo Frio não é, e nem era uma cidade tão grande quanto Niterói ou Rio de Janeiro a capital do Estado, mas, mesmo assim, é a maior e mais importante cidade da região dos lagos. Com isso em uma época em que a internet era coisa de rico, eu me virava para ter de pagar uma mensalidade cara e limitada de uma conexão discada.
Estar conectado valia muito a pena, pois além dos contatos e toda a facilidade que a internet me permitia eu escrevia um blog. Não era rentabilizado, nem havia domínio próprio. Tinha uma média de 100 leitores fiéis e era regularmente atualizado 3 vezes por semana. O Blog e a minha vida como internauta era nova, havia apenas 9 meses que interagia com os colegas e leitores.
No dia 7 de setembro vários alunos se reuniram para fazer uma grande festa, pois o feriado havia caído em uma terça-feira e, não deu para curtir um feriadão. Na comunidade dos alunos do ORKUT mais de 100 "cabeças" (pessoas) já haviam confirmado sua presença. Ao ver todo aquele número de pessoas comentando sobre a festa do feriado, pensei Nela, a garota nova a quem nem o nome sabia. O pólo universitário onde eu estudava situa-se no centrinho, quase no fim da estrada de Búzios, não era ainda uma grande estrutura, mas ao ver todos aqueles alunos imaginei que pelo menos 80% dos estudantes estavam ali, e logo, a chance de vê-la seria grande.
Depois de quase duas horas esperando encontrá-la, desisti. Fiquei irritado. Fui emborra sozinho e de ônibus. Era tarde, o ponto no meio do nada, o ônibus caro, lento, reduzido devido ao feriado e cheio, demorava enquanto minha paciência acabava. De minha casa até o pólo universitário de carro leva menos de 10 minutos. A viagem de ônibus e mais a espera levou 40. Desci na famosa Padaria Avenida. Esta padaria é a referência de localização do bairro e sua fama de não vender pão se espalhava, por todas as ruas. Minha pequena e humilde casa era em frente única igreja Batista da comunidade, em vez de tomar um banho e relaxar fui escrever em meu blog.
O lance de ter um blog é um pouco diferente de postar em redes sociais. Quando você está lendo uma dessas páginas independentes do autor o internauta tem uma noção básica de que este cara no mínimo é um grande fã do assunto. Então a sua opinião tem um peso a mais nas redes sociais. Geralmente você é bem-visto, até meio famoso em alguns grupos. Entretanto, fama de internet não é algo assim tão valorizado quanto na TV. Até quando você se torna a próxima sensação de um vídeo idiota ou cria um viral. No começo da década 2000, isso não era tão comum nem tão simples, a internet ainda não tinha esta "moral" como hoje em dia. Mas eu consegui meus 15 minutos de fama de maneira negativa com meu post de raiva.
Logo de cara o título era "Nação Brasileira comemora tudo menos o feriado". Não queria ofender a ninguém, só imaginei a seguinte coisa: Esperamos, marcamos os minutos para chegar o feriado, mas o que comemoramos neste dia? Infelizmente dei o exemplo triste da festa mais balada do ano no pólo. No fundo, no fundo eu sou nacionalista, mas isso está tão no fundo que me esqueço de amar a minha pátria, e exagero em alguns comentários. Neste dia fui cínico e mentiroso comigo mesmo. Só porque não consegui me divertir "meti bala" em quem estava alegre. E disse: Em vez de lembrarmos de que somos nacionalistas e comemorarmos a vitória de nossa nação, cada feriado é comemorado como um dia extra de folga. Infelizmente, isso é a mais pura verdade. Feriados são motivos de festa, mas e daí? Dizer que isso é uma vergonha. É!? Com certeza meu texto foi exagerado, como o Jô Soares disse: "No Brasil quando o feriado é religioso até o ateu comemora" e como o velho Nelson Rodrigues definiu: "O Brasileiro é um feriado". No fundo eu sei que minha visão poderia ser certa, mas não no ponto de vista popular e principalmente na região onde vivo, onde os feriados são de grande importância para a maior parte dos trabalhadores. O texto serviu de afronta e um dos organizadores da festa fez isso se espalhar rapidamente.
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O cara que quis ser o AntiCristo
RomanceCresci em uma família pobre, porém, religiosa. Fui Criado por minha avô católica após a morte de meus pais. Depois do ensino médio, resolvi cursar teologia, mesmo não sendo apegado aos conceitos bíblicos. Na faculdade conheci o amor de minha vida. N...
