Prólogo

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A noite quente e escura não proporcionava nenhuma ajuda para o caçador dono de fazenda, Américo, e seus companheiros.
Desde a visita de um homem estranho com expressão cruel às suas terras ele jamais teve paz novamente. Suas cabeças de gado dizimadas, galinhas drenadas, porcos abertos e cavalos desmembrados.

Acreditava ser alguma maldição que forá rogada sobre sua fazenda.

Uma semana antes na cidade, Américo já com marcas de expressão no rosto queimado pelo sol, a barba castanha-clara por fazer e os cabelos desgrenhados, lançava a proposta para pessoas que nessecitavam de trabalho.
— Casa com aconchego e trabalho com remuneração apropriada, se me ajudarem a pegar a maldita praga que ronda minha fazenda.

E assim foi fundada a pequena aldeia de Abyssus Division no limite das terras de Américo.

Ele e sua família estavam correndo perigo de serem os próximos à virem ser abatidos. E falirem de um jeito drástico, ao qual a única maneira de sair da miséria era vender a fazenda.

A jovem Rosa, terceira e única filha mulher de Américo sempre foi uma garota corajosa e pronta para enfrentar o que era proibido. Curiosa e, à certo modo, rebelde.
Circundar os arredores de Abyssus Division era uma das coisas mais interessantes que Rosa fazia no auge do seu dia. Numa dessas andanças que fazia ao quase cair da tarde conheceu um rapaz misterioso. Esguio e charmoso.

O amor floresceu no nobre coração de Rosa.
Na noite de caça ela e o rapaz combinaram de se encontrar próximo à margem da divisa. Era perigoso, ela sabia, mas tudo dava um gosto prazeroso no fim.

Chegando lá, encontrou o rapaz encostado numa árvore esperando por ela.
Ele lhe recebeu com um beijo quente e um abraço aconchegante.
A lua brilhava no céu e logo depois de se reencontrarem ela ouviu assovios e latidos.

— Por aqui homens, ele foi nessa direção! -Era a voz dos caçadores e companheiros de seu pai.
Ela entrou em pânico e tentou puxar o rapaz para os dois fugirem, mas ele não se moveu. Ela não entendia o porque. As vozes se aproximavam cada vez mais, viu olhos amarelos cintilantes vindo em sua direção. A toda velocidade um tigre saiu do meio das árvores e pulou a grande fenda, ela gritou assustada ao se virar e ver um lobo raivoso encurralando-a contra a vozes.

— Rosa? -Era seu pai, com um tom confuso e alarmante.

Ela olhou para o pai com lágrimas escorrendo pelas bochechas rosadas. Se virou para o lobo grande e de pelagem cinzenta, o rapaz era o lobo. Ela foi enganada, era uma emboscada.

O lobo a jogou no chão com toda força, os cachorros dos caçadores latiam sem parar. Ela chorava, tudo iria acabar ali se um dos caras não tivesse disparado tiros contra o lobo. O animal desviou e atacou o garoto que era seu irmão mais velho -Felipe.

Ela travou e entrou em estado torpor no chão, só ouvia os cachorros latindo e muitos tiros.
Repentinamente tudo se silênciou. Um silêncio opressivo.

Seu pai veio ao seu encontro e a ajudou a se levantar. A cena à seguir fez seu coração ser espancado dentro do peito e suas pernas tremerem. No chão seu irmão estava sem um braço e ao seu lado, o que era antes um lobo, agora dava lugar ao corpo do rapaz despido com um furo na testa e um direto no coração.

O sangue escuro deles banhava toda a vegetação sob seus pés. Os dois estavam mortos. Lágrimas voltaram a molhar seu rosto já inchado.

O ódio daquela raça nefasta ao qual ela tinha se apaixonado cresceu em seu peito, do fundo de seu âmago. Foi traída e não aceitaria aquilo de bom grado. Jurou para si mesma que iria seguir os passos do pai e defenderia a honra e bens da família.

Deram um enterro digno ao irmão de Rosa, que perdeu muito sangue.
Enquanto ao corpo do rapaz, seu fim foi ser despachado dentro do abismo profundo e criptoso, junto aos outros de espécie indefinida que receberam o mesmo destino.

Nenhum deles tinha percebido, mas bem ali do outro lado do abismo em meio as árvores, o grandioso tigre observava tudo com atenção.
Ele correu o mais rápido que pôde de volta a seu povo. Cruzou a entrada, um arco de cipós com restos humanos e foi direto para a tenda do alfa.

— Tragam-lhe uma roupa! -Ordenou o alfa -para seu subordinado ao seu lado-, sentado numa cadeira alta de madeira escura entalhada, com estofado de cor marfim.
O tigre, agora uma mulher, alta e curvelínea respirava descompassada fazendo reverencia.
— O que houve Lídia? -Brandou o alfa irritado. Logo entrou um homem negro de vestes de couro marron, trazendo nas mãos um vestido branco grande e liso. Lídia o vestiu, agradeceu e ajeitou os cabelos castanhos-claros.
— Mestre, seu filho -A moça engoliu em seco. — Está morto.

— Quem foi o ordinário? -Perguntou com a ira chamuscando os olhos verdes.
— Os do outro lado. Humanos... -Lídia, mais que todos, sabia que isso foi a pior notícia que o alfa poderia receber. Com aquelas palavras a cólera atroz dele despertaria de modo irreversível. Nada, jamais o pararia.

Ele cerrou os punhos. Se levantou e foi para o centro da aldeia, chamou à todos.

— Escutem o que eu digo, guardem essas palavras e as executem meus caros amigos. -Inciou sabiamente o alfa. — Meu pobre filho está morto, venho à tempos tentando impedir que sejam os seus. Aquela raça do outro lado não tem coração, mas sim crueldade e uma ânsia voraz por sangue. -Sua voz pontente soava cada vez mais alto. — Cada primogênito daquela família e qualquer um vinculado à eles, deve morrer. Não descansaremos até que paguem pela morte dos nossos.

Todos ali aplaudiram e urraram na mais pura euforia, ansiando pelo momento mencionado pelo alfa. Os dias em que suas mãos se manchariam com rubro.

Com isso se iniciou o truculento mar de sangue.

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EM BREVE
Não percam essa aventura cercada de mistério, romance e mortes.

Até quanto você conhece sua família e as pessoas ao seu redor?

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