- Filha, pensa direitinho. Vai ser uma ótima oportunidade! Você ama fotografia e, além do mais, você conseguiu uma bolsa integral e já tem um apartamento lá perto, onde poderá morar! Tá certo que a Califórnia é meio longe do Arizona e você não poderá me visitar todos os fins de semanas, mas, ainda assim, poderemos nos ver frequentemente. E essa Instituição é uma das melhores da Califórnia, você sabe. Não pode deixar uma oportunidade dessas passar.
- Mãe, eu não sei...
- Vai ser uma forma de você se distrair, espairecer, esquecer um pouco do que aconteceu. Depois que a Florence faleceu, você só fica nessa casa... - Ela respirou fundo e olhou em meus olhos. - O que estou querendo dizer é que você precisa superar isso, já faz quase quatro meses e tudo o que você sabe fazer é ficar se lamentando e remoendo essa perda. Eu entendo que é doloroso, filha, mas você precisa tocar a sua vida. Naquele dia, naquele lugar, você não morreu com ela. Entenda isso.
- Quão difícil é pra você entender que eu não quero fugir disso? Não quero apagar minha melhor amiga da minha mente. Eu a amo e sinto saudades... - Senti meus olhos marejarem. - Eu só quero ficar aqui... Quieta, com minha vidinha. Okay?
- Está fora de cogitação você continuar nesse exílio domiciliar! Você precisa fazer algo novo, Grace. E isso não é um conselho, é uma ordem. - Mamãe falou, cruzando os braços e me olhando sério.
- Mãe, eu não quero ir, está bem? Pode respeitar isso?
- Tudo bem você não querer ir.
Suspirei, aliviada.
- Só que isso não muda o fato de que você já está matriculada e que vai daqui a duas semanas estudar lá. - Ela terminou.
- O QUÊ?! Você não pode fazer isso... Não é justo! Eu não quero ir. Eu não vou. Não vou.
- Eu não estou mais pedindo sua opinião ou te dando uma segunda opção. Você vai ou vai, entendeu? E trate de tirar fotos lindas naquele lugar, mocinha.
Engoli seco.
Seu rosto estava sério, como se ela estivesse prestes a brigar comigo caso eu discordasse, mas eu podia sentir a felicidade que emanava dela por conseguir me mandar para onde ela queria que eu fosse com essa autoridade materna que ela tinha. Ela sempre conseguia o que queria, no final das contas. Éramos muito parecidas nisso, mas entre eu e ela... Eu sempre perdia, claro.
- Espero que você morra de saudades nessa casa vazia enquanto eu estiver lá. - Foi a minha fala final.
Subi as escadas de madeira com passos pesados, fazendo ecoar pela casa o som do meu descontentamento.
Pelos próximos quatro dias, mal falei com ela, mas depois desse tempo em que ficamos desentendidas, nos acertamos e cinco segundos depois, já estávamos planejando tudo como se fôssemos duas adolescentes que iriam para uma viagem de verão. Ficamos empolgadíssimas durante aquela semana! Eu nem me reconheci...
Ela achava que, de certa forma, isso iria me ajudar a superar tudo, a superar aquela perda, toda saudade e toda dor que eu sentia. Mas eu sabia que era incapaz de esquecer a Florence, ainda mais diante de tantas dúvidas que eu tinha sobre aquele acidente e que nunca foram esclarecidas.
Tudo precisa ter um início, um meio e um fim. E eu simplesmente não aceitava que aquilo havia acabado daquela forma, como um filme ou um livro pela metade.
Eu sentia falta dela e um amor tão grande não pode ser esquecido assim.
"Guarda teu amigo sob a chave de tua própria vida." (William Shakespeare)
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Whisper
RomanceGrace Eisinger e Florence Vier eram vizinhas e melhores amigas desde muito novas. Passaram a vida inteira compartilhando tudo uma com a outra, e o laço que as ligavam era tão forte quanto o de irmãs. Mas em certo momento isso mudou. Florence sofre...
