Uma tarde fria de Londres, era pra ser só mais uma tarde fria de Londres, pelo menos era o que todos achavam, pelo menos era o que ela achava.
Eu ajeitei minha jaqueta para me aquecer melhor e senti a arma fria fazer contato com minha pele quente. Ela pagaria pelo que fez isso é uma promessa e eu irei cumpri-la de livre e espontânea vontade e desejo. Não acredito como foi tão idiota a ponto de acreditar nela, achar que ela fosse minha amiga. Ela me traiu sem nem pensar como eu ficaria, o que aconteceria comigo, sem pensar na nossa amizade, se é que um dia existiu uma amizade verdadeira. Mas, hoje é minha vez.
Entrei pelo meio da multidão, hoje era um dia perfeito, muitas pessoas, muitas testemunhas, muitos suspeitos. Quem desconfiaria de uma jovem moça estrangeira de 17 anos, que veio tentar ganhar a vida em Londres depois da morte de seus pais em um terrível acidente de carro? Isso mesmo, ninguém! Não quero me gabar, mas posso ser uma ótima atriz quando quero, melhor que ela até, que fingiu ser minha amiga todo esse tempo. Desviei de algumas pessoas, rostos tão diferentes, personalidades tão diversificadas. Vaguei meus olhos pela multidão a procura dela, não seria tão difícil encontra-la.
Depois de alguns minutos andando pela aquela montanha de gente a encontrei. Seus cabelos castanhos sempre amarrados num rabo de cavalo, sua velha calça jeans, seu all-star preto e um casaco qualquer maior que seu tamanho. Não sei como ela consegue se vestir assim, tão desleixada, suas roupas me dão ânsia de vomito. Eu ao contrário, me encontro com minha calça preta justa ao meu corpo, meu salto preto e minha blusa de seda azul-cobalto, que fica perfeita sobre minha pele bronzeada, e claro, minha linda jaqueta de couro. Não sei o que ele via naquela branquela. Reviro os olhos só de pensar.
Aproximo-me dela numa distância que ela não me veja, mas que eu consiga vê-la. Ela estava conversando com uma garota qualquer a qual não conheço e nem pretendo conhecer. Seu sorriso falso não duraria por muito tempo e ela morreria no seu lugar favorito, onde eu descobri tudo, London Eye.
Peguei a arma cuidadosamente da minha cintura e me aproximei mais dela. Avistei uma garota que seria perfeita para ser a suposta assassina, a arma não ficaria com minhas digitais já que eu usava uma luva e tomara todo o cuidado com a questão de compra-la e recarregá-la. Aproximei-me da garota escolhida e fui por trás dela pondo a arma em suas costas.
-É melhor você não grita ou fazer qualquer coisa para chamar a atenção dos outros, a menos que queira morre, estamos entendidas? – digo no seu ouvido mudando um pouco minha voz. Ela balançou a cabeça em forma de afirmação – Ótimo. Está vendo aquela garota de cabelos castanhos com o casaco grande e verde ali na frente? – Ela assentiu – Nós vamos andar calmamente para mais próximo dela, entendido? – Ela assentiu novamente e eu ri da situação – Boa garota.
Aproximamo-nos lentamente, mas, mesmo assim mantemos certa distância sobre ela.
-Agora a única coisa que você tem que fazer é ficar paradinha e quietinha enquanto eu mato aquela vagabunda, certo? – Ela assentiu e engoliu em seco tomando coragem para alguma coisa, eu esperei.
-Você não vai se safar tão fácil, um dia eles a encontraram. – ela disse tentando passar confiança, mas sua voz saiu tão tremula que até ela tinha duvida sobre o que dizia. Ri das suas palavras.
-Queridinha, eles nunca vão me encontrar, nem que para isso eu tenha que matar você e todos os envolvidos. – seu corpo se arrepiou e eu continuei – Agora cala a boca antes que eu estore seus miolos.
Olhei a procura dela e não a vi.
-Droga! – grunhi.
Peguei a garota pelo braço e passei pela multidão a procura novamente dela. Não demorou muito pra que eu a encontrasse novamente, só que agora ela não estava conversando com uma mulher e sim com um homem, mas especificamente meu ex-namorado. Os dois traidores juntos, era mais que minha felicidade podia aguentar, ele veria seu amor morrer na sua frente, eu não o mataria, queria deixar que ele sofresse enquanto sua vida de merda durasse se culpando e chorando pela sua amada.
Ficando atrás da que culparia por assassinato eu me posicionei e mirei a arma, puxei o gatilho lentamente e ouvi o estouro. Todas as pessoas se abaixaram e gritaram enquanto corria. Dei a arma à garota que me olhou assustada e fugiu deixando a arma cair. Virei-me para olhar ele segurando em seus braços, enquanto as lágrimas corriam, sua amada já morta com um tiro na testa. O sangue já tinha encharcado as roupas dos dois, o sofrimento dele é a minha felicidade. Ele olhou pra cima e me viu, fiz uma cara triste bem falsa e acenei, vi a raiva em seus olhos e sorriu. Minha vingança estava comprida, ela estava morta.
Encarei ele e ele de repente sorriu, estranhei mas, depois sorri. O coitado deve estar ficando louco, adoraria visita-lo no hospício. Ele continuava a sorri, mas, não olhava para mim e sim algo que se encontrava atrás de mim.
-Senhorita? – ouvi uma voz grossa falar atrás de mim e me virei lentamente com o sangue correndo mais rápido nas minhas veias, agora minhas mãos estavam suando. Deparei-me com dois homens vestindo fardamento de policial.
-Sim? – senti um nó se forma na minha garganta e tentei sorri.
-Nos acompanhe até a delegacia.
Engoli em seco. Merda!
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Anjo Psicopata
Science FictionRebecca, uma jovem normal, pelos menos é o que aparenta. Sua chegada a Londres vai trazer, muitos conflitos, intrigas, mistérios e muita morte. Mas o que ela nem imagina que seu passado bate à porta e com promessa de muitos pesadelos.
