Conheça-a.

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Saí do escritório bem mais cedo, uns amigos da época da faculdade mandaram um convite ontem pedindo meu comparecimento em um reencontro de turma, e, sinceramente, estou com medo de ir pelas piadinhas que vão fazer pelo tanto que eu mudei. Mas que bom né, era quase um pecado ser eu, felicidade a minha que minha genética não eixava eu me importar com a opinião alheia.
- Mas vocês vão como? -perguntei ao telefone.
- Espera, eu tô subindo aí. -respondeu minha amiga.
Eu joguei o telefone na cama e joguei- me no tapete da sala.
- Já está morta? Imagina quando dançar com aqueles idiotas do Colégio. -disse ao abrir a porta.

Eu me levantei rindo mas decidi ficar sentada enquanto ela suspirava trocando sms ao telefone.

- Eu odiava aquelas que sempre tinham par nas festas juninas, e nas festas da escola faziam questão de ostentar os milhares de caras que corriam atrás dela. -disse eu, aleatoriamente, com os pensamentos nas nuvens.
- Quem não odiava... -disse ela, jogando-se junto a mim. - E os garotos?
- Ah, estúpidos. Só vou porque... -pausei.
-Por quê?

A encarei por um tempo, sabia que ela não iria me deixar em paz até eu falar algo, então apenas disse a coisa mais estúpida possível.

-Porque preciso de homens.
-Ah pelo amor, né! Até parece.
-Ah!!! Não tenho um motivo pra ir. E nem roupa! Sua função é ajudar-me com o segundo problema.
-Ok! Não está mais aqui quem falou. -levantou-se indo em direção ao guarda-roupa.
-Não desarrum... -fui interrompida por uma bola de roupas que ela me jogou.

                        ×××

-Ah, desisto! Você não tem uma roupa para festas!
-Ótimo, não vou. -fiz bico e sentei na ponta da cama.
-Seu problema é que você foca demais no trabalho. Acaba só tenho roupa pro mesmo, e pra ficar em casa.
-Meu trabalho que paga as contas, não as farras, Alice!
-Ok! Vamos dar um jeito. -zapeou as mãos entre uma roupa e outra e achou um vestido.
-Pronto, está ótimo.
-Sim, é... dá pro gasto! -ela revirou os olhos.
-Amo sua boa vontade. Adoro sua sinceridade. -ri e a abracei.
-Lembro que você dizia isso pro nosso professor de história... -riu sozinha.
-Eu o amava. Tá!
- Não passou pela minha cabeça te julgar por nunca saber demonstrar amor...
-É, perdi o Nicollas por isso. -suspirei.
-O QUE? -Gritou.
-Nicollas? Ah... não, é... Eu quis dizer "ele", isso... ele.
-Não me engana. -revirou os olhos e arrumou as roupas dentro do guarda-roupa novamente.
-Hey, já passou muito tempo. Esquece ele. Ele foi e sempre será só meu amigo. Amigo aliás que nem olha mais para mim.
-Ele nem lembra de você. -riu.

Eu ri e depois teve um tempo em silêncio entre nós.

-É, com certeza não.
-Agora se anima. Teremos uma grande noite.
-E se ele estiver lá?
-Oque que tem?
-Você vai ficar com ele?
-Ficar? -riu da minha expressão.
-Alice!
-É... não sei. Oras. Eu o amava puramente -riu-, não como um ficante de uma noite qualquer.

Eu assenti e sorri fraco.

-Agora, você, secretaria super reconhecida, amada pelo chefe, apesar dos pesares, falando "ficar"? Eu esperava mais de você.

Eu ri e atirei-lhe um travesseiro.

-Vai ficar com ele, né? -ela indagou, sem surpresa e com um sorriso fraco no rosto.
-Claro que não. Você o amava puramente -ri a imitando- nunca faria isso com você.

Ela riu e me abraçou.

[Continua...]

Foi Apenas Uma Noite?Where stories live. Discover now