Capítulo I

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Ela sempre foi apaixonada por ele. Desde que o conheceu à exatamente nove anos. Sempre foi louca por ele e agora ele estava ali, casando-se com outra. Emily estava de pé no altar, observando-o. Ele estava claramente ansioso. Quando recebeu o convite do casamento dele, ela se deu conta de que ele jamais desconfiou do que se passava dentro dela, caso contrário, não teria tido a insensibilidade de convida-la. Era para Emily ter sido apenas uma convidada qualquer, mas uma reviravolta muito grande fez com que ela se tornasse a madrinha do noivo. Passou os primeiros seis anos esperando despertar nele algum interesse por ela. Nunca foram exatamente amigos, mas sempre se deram muito bem. Ele era diferente dos outros garotos. E sim, ele era apenas um garoto quando ela o conheceu e mesmo sendo muito nova, se apaixonou perdidamente por ele. Ela tinha apenas 12 anos. E agora, aos 21, estava sendo obrigada a vê-lo se casar com outra. Enquanto a noiva não chegava, Emily ficou presa em seus devaneios. Varias lembranças se passando pela sua cabeça. Ele nunca reparou nela, a não ser uma única vez, quando ele... Sua cabeça a transportou exatamente para aquele dia.

* * *

Emily saiu do trabalho mais cedo naquele dia. Ás 17:00 já havia colocado seu casaco e deixado a recepção do SPA. O tempo em BH aquele dia havia mudado de ensolarado para perigo de tempestade num piscar de olhos. Ela fechou seu casaco e apressou o passo. Por mais que ela não o visse, adorava passar na rua da casa de Willian toda vez que saia ou ia para o trabalho. Ela poderia simplesmente pegar um taxi, mas preferia se torturar com a expectativa de acabar encontrando-o "acidentalmente". Faltavam apenas meio quarteirão para entrar na rua dele quando uma chuva forte despencou sobre ela.

_Droga! _resmunguou. _É isso que dá sua idiota! Á essa hora já poderia estar em casa debaixo das cobertas, mas prefere se humilhar e passar na rua dele!

Entrou na rua e de longe avistou a casa dele. Sorte! Não tinha ninguém na rua. Só alguns carros parados próximos á calçada. Pelo menos ele não a veria parecendo um filhote de passarinho recém-nascido. Ela já havia passado um pouco da casa dele quando um carro veio em sua direção e em segundos, parou ao seu lado. Ela parou e observou o vidro descer e foi presenteada com aquele sorriso lindo.

_Tá o maior temporal, hein Emily? _brincou Willian.

Ela sorriu.

_Oi Will. Como vai?

_Eu vou bem. Já você... _ele sorriu divertindo-se com a situação dela. _olha só, minha casa está mais perto do que a sua. Vem comigo. Eu te dou umas roupas secas da minha mãe e depois eu te levo em casa. Que tal?

Ela pensou um pouco. Seus dentes batiam um no outro.

_Tudo bem. Já que sua casa está logo atrás de mim, eu vou andando e evito molhar seu carro.

Ele concordou. Enquanto ela caminhava, tinha a sensação de que seu coração iria saltar pela boca. Quando chegou ao portão, ele já havia posto o carro na garagem coberta. Ela entrou e ele fechou o portão logo em seguida. Abriu a casa e a deixou entrar primeiro e assim que entrou também, trancou a porta.

_Eu vou pegar umas roupas de minha mãe pra você. Já volto.

_Acha que vai dar? Sua mãe é tão baixinha. Já eu, sou quase do seu tamanho.

E era verdade. Emily tinha 1,72 e Will devia ter seus 1,75 ou 1,80.

_A gente dá um jeito.

Ele sumiu no quarto da mãe e cerca de cinco minutos depois, voltou com roupas e duas toalhas.

_Se quiser, pode tomar um banho. _ele disse apontando o banheiro.

Ela concordou. Entrou no banheiro e trancou a porta atrás de si. Retirou as roupas molhadas e se colocou rapidamente sob a água quente. Ficou pensando nele sozinho do outro lado da porta. Ele poderia estar ali com ela. Ah! Sua mente traquina de menina de 18 anos! Sorriu consigo mesma. Desligou o chuveiro e se enrolou em uma das toalhas. Com a outra, envolveu seus cabelos alaranjados. Verificou a roupa que ele havia escolhido. Um vestido estilo indiano. Menino inteligente. O vestido já era solto por natureza o que fez com que coubesse nela, mas no cumprimento, mal tapava suas coxas. Estava meio curto e ela não estava usando nada por baixo. Ficou constrangida de sair com aquela roupa. Mas talvez ele nem reparasse que por baixo ela estava nua. Saiu do banheiro segurando as roupas molhadas e a toalha ainda na cabeça. Foi até a cozinha e ele estava mexendo no celular. Levantou a cabeça quando percebeu a presença dela.

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