37 anos. Alto, bonito, de terno e com uma maleta na mão, um típico homem de negócios. Esse sou eu Carlos Assis. Tinha tudo que um homem podia desejar, um bom emprego, formado nos estados unidos, uma família ótima e uma namorada perfeita. Eu era diretor que uma agência de marketing no centro da cidade, na qual eu tinha gosto de trabalhar e todos os dias por lá eram tranquilos.
Dia 28 de abril de 2010- Era um dia normal como outro qualquer, acordei as 7 da manha, tomei banho, preparei o meu café e fui tomando no caminho do trabalho. Chegando lá estacionei o carro e entrei no elevador, Zuleica a ascensorista que costumava sempre a puxar assunto nesse dia só falou um simples bom dia, entrando no escritório todos pararam o que estavam fazendo e olharam para mim, continuei andando em direção a minha sala e quando eu cheguei lá o presidente da agência estava olhando os porta-retratos que estavam em cima na minha mesa, percebeu a minha presença na sala e começou a falar. Falou o quanto fui importante nos 9 anos que eu estava na empresa, que o mercado estava mudando muito rápido, depois me deu um forte abraço, me demitiu e foi embora.
Extasiado arrumei as minhas coisas, sai da minha sala de cabeça baixa e assim continuei até chegar no carro, sentei e girei a chave, eu estava sem condições de dirigir, estava desorientado. Sai do prédio, entrei na primeira esquina e no primeiro boteco, sentei no balcão e pedi a primeira dose de whisky, a primeira de muitas, não sei quantas eu tomei só sei que fui parar em um beco que mudou a minha vida, um beco sem saída. Lá me ofereceram crack, bastaram três tragos para eu me viciar. Depois de algumas horas já não tinha mais dinheiro, relógio e nem celular, não queria mais sair de lá, e por lá eu fiquei por um, dois, três, quatro, quarto dias, quarto dias naquele beco cheio de casas abandonadas, dentro delas havia muito lixo e fezes, o cheiro era insuportável e mal dava para andar, tinham muitas pessoas, homens e mulheres, de todas as idades, todos fazendo de tudo por uma pedra.
No quinto dia eu não tinha mais nada para trocar por pedra, então decidi ir até a casa da Bruna, minha namorada. Fui andando até o flamengo, chegando na portaria seu Nelson não me reconheceu, foi chegando mais perto com cara de desconfiado e falou para eu sair dali, me tratou igual a um cachorro sarnento, falei que eu era o Carlos namorado da Bruna do 501, ele não acreditou, inventei uma história qualquer e implorei para que ele interfonasse para a casa dela, ele falou para que eu aguardasse um pouco. Passaram uns 10 minutos e dona Maria a doméstica que trabalha na casa de Bruna saiu do elevador, ela me reconheceu na mesma hora e começou a fazer várias perguntas, perguntou porque eu estava daquele jeito, porque eu tinha sumido e por aí foi, falei que eu ia contar tudo, mas pedi para que antes eu tomasse um banho e colocasse uma roupa.
Subimos, Bruna estava no trabalho, tomei banho, fiz a barba e coloquei uma roupa, pedi para que Maria fizesse um sanduíche, comi, peguei o cartão no qual estava o dinheiro que eu e Bruna estávamos juntando para o casamento, nervoso falei para Maria que eu tinha um compromisso e que depois conversava com ela. Eram 4 da tarde, a hora que a Bruna chegava do trabalho, tinha que sair logo dali, entrei no elevador e sai da portaria andando igual a um louco, a rua era movimentada, mas na hora não estava passando nenhum táxi, eu estava suando frio, Bruna não podia me ver ali, quando outro lado da rua ela sai do ônibus do metrô, logo me viu e ficou gritando o meu nome, fingi que não vi, tentou atravessar a rua de qualquer jeito só que não conseguiu. Apertei bem os olhos e vi que estava vindo um táxi, logo fiz sinal, ele parou, eu entrei ofegante e mandei ir para o centro da cidade. No meio do caminho pedi para que parasse no banco, pois eu tinha que sacar dinheiro, um pouco mais calmo entrei no banco e saquei 600 reais, olhei ao redor para ver se tinha alguém por perto e enfiei o dinheiro no bolso, voltei correndo para o táxi e seguimos caminho. Falei que ia ficar na Praça Tiradentes, chegando lá dei o dinheiro e sai do táxi sem nem esperar o troco, a pressa era muita para voltar para o beco.
Eu estava à uma quadra de lá, só que antes parei em uma banca de jornal e comprei um cartão de orelhão, eu tinha que ligar para a minha mãe. Liguei uma vez e caiu na secretaria eletrônica, liguei de novo e no primeiro toque minha mãe atendeu, perguntei como ela estava, nervosa perguntou se eu queria matar ela do coração, calmo respondi que nesses dias que não mantive contato eu estava muito ocupado com o trabalho e que estava à caminho do aeroporto, pois teria que fazer uma viagem a trabalho para São Paulo, desliguei para que ela não tivesse a oportunidade de fazer nenhuma pergunta e continuei o meu caminho. Chegando no beco não esperei mais nem um minuto e comprei a primeira pedra do dia, naquele momento vi que aquilo era a minha vida e ali era a minha casa, onde eu deveria ficar. Se passaram três meses e meio, eu fumava no mínimo 20 pedras por dia, estava já muito debilitado e doente, só saia dali para sacar mais dinheiro do banco, que já estava quase acabando, tirando isso, ninguém me tirava de lá.
Dia 17 de agosto de 2010- Era um dia normal como outro qualquer, estava sem dormir e fiquei o dia inteiro fumando, no cair da noite todos se recolheram, estava muito frio, pedi um cobertor emprestado e deitei em um canto, meus pés e as minhas mãos estavam congelando, e conforme as horas iam passando ia ficando pior. Dormi, sonhei , sonhei com um cara de 37 anos. Alto, bonito, de terno e com uma maleta na mão, um típico homem de negócios. Esse era eu Carlos Assis. Tinha tudo que um homem podia desejar, um bom emprego, formado nos estados unidos, uma família ótima e uma namorada perfeita. E agora? Bom... Agora eu vejo tudo aqui de cima.
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Beco Sem Saída
Storie d'amoreEssa é a história de um homem de 37 anos que tinha uma vida perfeita e após ser demitido se afunda no mundo das drogas.
