Todo verão, eu e minha família alugamos uma casa na praia como de costume, e nesse verão não podia ter sido diferente, normalmente, muitos membros da minha família vão em torno de 11, 12 pessoas.
Numa noite, todos tinham ido dormir, menos eu, meus pais, meus tios e meu priminho (Eu e meu primo somos muito ligados, ele é como se fosse um irmão pra mim já que sou filho único, eu tenho 16 anos e ele tem 12, já brincamos de cards, no Nintendo, já dei pokemons pra ele e etc), ficamos jogando jogos de mesa, tipo, dama, dominó, baralho, etc.
Nessa noite, justo nessa noite meu primo teve que dormir sozinho, porque não tinha camas o suficiente no quarto dos pais dele, então eu dormi no quarto dos meus pais, ele dormiu em um quarto separado e os pais dele dormiram em outro quarto. Nós fomos dormir por volta de uma 2:15 AM, e quando era exatamente 3:00 da manhã, eu recebi uma mensagem do um primo, dizendo:
- Lucas eu estou com medo, você pode vir no meu quarto Por favor ?
Então eu levantei bem devagarinho da minha cama e fui até o quarto dele sem fazer barulho para não acordar meus pais... Quando cheguei lá, meu primo estava com a luz de seu celular iluminando seu rosto em meio a escuridão, pude ver que seu rosto estava pálido, ele estava encolhido e tremendo, com medo de algo, então ele se virou e disse:
- Lucas, vem aqui agora, por favor...
Eu fui e lhe perguntei:
- O quê que aconteceu ?
Seus olhos encheram de lágrimas e ele disse:
- Tem alguma coisa debaixo da minha cama.
Naquele momento senti algo diferente em mim, como se não existisse mais nada, só eu, ele e a coisa debaixo da cama, mas como eu tenho receio de muitas coisas e peguei no braço dele e disse:
- Caio, não tem nada embaixo da cama, mas se você quiser eu durmo aqui com você.
Ele segurou meu braço, apertou mais forte e respondeu:
- Lucas tem alguma coisa debaixo da minha cama.
Ele havia mudado totalmente sua entonação de voz, então percebi que era algo sério, nesse momento pensei em olhar embaixo da cama e lhe provar que não havia nada lá embaixo e foi isso que eu fiz.
Me abaixei levantei a coberta e não acreditei no que vi, no momento eu não pensava em mais nada, eu me sentia em outro lugar, me senti gelado, senti como se aqueles fossem meus últimos minutos... Embaixo da cama, estava meu primo com seu Nintendo DS na mão, ele olhou pra mim, com medo, e disse:
- Lucas, tem alguém em cima da minha cama...
Nesse momento eu parei, fiquei por 5 minutos parado pensando em o que havia acontecido, fique gelado, o mundo parou pra mim é como se eu tivesse dormindo vendo o que estava acontecendo a minha volta, a única coisa que eu via era a expressão desesperada de meu primo. Eu me arrepiei, comecei a ficar sem ar, e comecei a chorar bem baixinho, então eu me levantei, com a respiração mais profunda que eu já havia sentido em toda a minha vida, olhei em cima da cama e... não havia mais ninguém lá.
Puxei meu primo de debaixo da cama, deitei com ele, abracei ele e nós dormimos. Na manhã seguinte, eu não comentei nada com ele, acordamos, e fomos tomar café, eu estava tenso por causa do que havia acontecido, já meu primo estava tão tranquilo que parecia que tinha esquecido tudo.
Então, lhe perguntei:
- Caio, o que foi aquilo, o que aconteceu ontem, por que você estava debaixo da cama ?
E ele me respondeu:
- Como assim Lucas, eu não estava debaixo da cama.
Eu respondi:
- Cara você me mandou mensagem ontem as três horas da manhã, pedindo que eu fosse até o seu quarto, por que você estava com medo e quando eu cheguei lá eu te achei embaixo da cama.
Até então eu não tinha falado detalhes e nem tudo que havia acontecido, pois eu não tinha certeza do que havia acontecido.
E ele novamente respondeu:
- Lucas eu não sei do que você está falando, eu dormi jogando Pokemon no meu 3DS.
Então eu pensei, será que eu havia tido uma paralisia de sono novamente, pois eu já tinha sofrido isso, eu sempre tinha isso e as vezes eu ficava sonâmbulo, mas eu tinha certeza que eu tinha visto essa mensagem no meu celular e quando eu fui ver estava lá uma outra mensagem dizendo:
- Até a próxima...
Eles estão sempre ao nosso redor, porém nós os ignoramos e tem horas que eles nos encontram.
