The benning of hell

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Estava na minha caminhada pelas ruas frias de Londres, em direção à minha casa. A mochila pesada que eu carregava incomodava as minhas costas frágeis, já que sempre que eu ia pra algum lugar, fazia questão de levar uma imensa quantidade de coisas desnecessárias, mesmo que esse lugar fosse a casa da minha melhor amiga. Como sou um tanto desastrada, acabei por dar um tropeço, o que fez com que eu quase caísse com tudo no chão, mas aquilo não pareceu abalar um homem que se encontrava a alguns metros à frente. Ele parecia discutir com um morador de rua, aparentemente algum assunto supérfluo e sem cabimento, seu sorriso irônico deixava isso bem claro .

"Ai, mas que droga ..urgh". Resmunguei, logo depois de caminhar mais um pouco e sentir uma leve dor na espinha. Retirei a pesada mochila das costas, a segurei pela alça e parei bem na frente do senhor com roupas amarrotadas e velhas.

"A mocinha vai ajudar este pobre miserável com algum trocado ?".

Ele me perguntou quando me avistou ali parada na sua frente, abrindo a minha mochila e apanhando vinte libras do pequeno bolso. Não respondi nada, apenas sorri meigamente e fiz gesto positivo com a cabeça, me encurvando até ele e pondo as notas em suas mãos em seguida. O rapaz que discutia com ele bocejou com a expressão tediosa, como se quisesse me intimar de alguma forma, mas não me importei com a sua ação, simplesmente tirei guloseimas e doces do outro bolso, entreguei ao senhor e direcionei meu olhar para ao outro lado da rua.

'' Vai realmente perder o seu tempo com esse daí? - O rapaz de cabelos claros e rentes à cabeça apontou para o morador de rua, revirou os olhos e balançou a cabeça negativamente. - É muito idiota para dar vinte libras a um mendigo, mas quer saber? Dane-se, não estou nem aí. - Respondeu de forma arrogante, cuspindo ao lado do senhor e saindo dali logo depois.

'' Não ligue pra ele moço, é o típico mauricinho que não tem nada de produtivo pra fazer'' -Sorri, dando leves tapinhas no ombro dele, que logo sorriu compadecido e começou a comer os doces que acabara de ganhar. A rua estava tão escura que me dava calafrios, franzi o cenho ao me deparar com uma silhueta se aproximando, afastei-me para o lado e pigarreei baixo.

'' Não pense que eu não ouvi o que você disse, garota que ajuda mendigos''- O som grave da voz dele me causou um frio na barriga, chegava a ecoar, de tão deserta que estava a rua.

'' Você é um louco, tão desprezível ao ponto de perder o seu tempo para insultar um pobre senhor''- Retruquei num tom um tanto baixo, já que não costumava falar com estranhos, muito menos com estranhos que procuravam confusão com alguém.

'' Ei, eu não sou louco! Louca é você, que dá 20 libras para um cara qualquer na rua - Ele sorriu malicioso, revirando os olhos.- Sabe o que poderia fazer com esse dinheiro? enfia-lo dentro da calcinha de uma stripper, enquanto ela dança sensualmente pra você''. - Completou.

'' Não, muito obrigada. - Dei de ombros, mesmo achando esquisito ele ter escutado o que eu disse. - Não sou do tipo que gasta dinheiro com strippers, você deve ser assim... Supérfluo e ridículo. Gastei meu dinheiro para fazer bem a uma pessoa, o que ela fará depois, não poderei impedir. Agora me dê licença''. - Passei na frente dele, andando em passos rápidos e firmes.

'' Ah, você nunca foi em uma boate de strippers? - Ele perguntou se aproximando de mim, já pousando sua mão gélida em meu ombro e o puxando com brutalidade para trás. - Não tem problema, eu levo você, hoje mesmo''.

Gritei várias vezes, o chamava de louco e o meu tênis raspava no chão, por causa da força que eu estava fazendo para impedir que ele me arrastasse. Quando me dei conta já estava dentro da tal boate, as pessoas dali nem pareciam me ouvir, muito menos olhavam pra mim. Arregalava os olhos, já estava em extremo estado de pânico, mas aquele homem dizia que eu não tinha tomado o meu ''remédio controlado'', sorria amigavelmente para todos ao nosso redor e continuava a me puxar.

'' Bem vinda ao meu paraíso''- Uma gargalhada escapou da sua garganta. Não via motivos para achar graça naquilo, ainda mais porque agora ele me puxava em direção ao palco, onde ficava o Barman e todas aquelas bebidas que me deixavam tonta apenas com os seus aromas.

'' Peça algo, o show vai começar'' - O olhar dele se mantinha fixo nas belas mulheres que estavam seminuas. As poucas roupas que elas usavam eram sensuais, ousadas.

'' Que merda você está fazendo?!- Esbravejei, batendo diversas vezes no peito dele. Um cara ousou-se a pôr a sua mão debaixo do meu vestido, mas o repreendi com uma bela bofetada no braço. - Eu não bebo, idiota. Me tira daqui, agora!''

''Eu não perguntei se você bebia, eu disse que vai''- Ele me respondeu num tom frio, pediu um copo de vodka e pôs o mesmo no balcão, bem na minha frente.

''Eu disse já disse que não vou beber, quem pensa que é? Só porque humilhou um morador de rua, acha que pode fazer o mesmo comigo? Você está muito enganado''! - Segurei um urro na garganta, peguei o copo de vodka e despejei todo o liquido que havia ali na face dele.

Bind Your LoveWhere stories live. Discover now