Tudo começou no meu aniversário de 17 anos. Sim, todos gostam de festas de aniversários... menos eu. Por que aquele povo não entende que bexigas são para crianças? EU IA FAZER 17 ANOS! 17 ANOS!!! Ok, tô me acalmando...
Enquanto todo mundo enchia as bexigas, eu encarava, através da janela, o eclipse daquela noite. Ele estava lindo: a lua perfeitamente redonda e com uma cor avermelhada. Meio sinistro, dependendo do lado que se olha, mas lindo. Como eu estava cheia de escutar meus primos perguntarem "será que eu vou ficar sem ar nos pulmões" e meus irmãos responderem "não, seus idiotas. O ar vem do nariz.", resolvi ir ver o eclipse do jardim. Me sentei na grama e começei a apreciá-lo, mas já estava se desfazendo. Quando eu ia pegar meu celular para bater algumas fotos, escutei um barulho vindo de trás das moitas. Eu saí correndo? Comecei a gritar? Nããão. Fiz o que qualquer adolescente faria:
- Tem alguém aí? - A gente sempre pergunta como se alguém fosse responder, né?
Coooomo ninguém respondeu mas eu fiquei meio assustada, resolvi entrar novamente, mas quando eu me levantei, senti uma mão tapar minha boca e outra me segurar pela cintura. A mão era áspera (parecia uma lixa) e me segurava fortemente. Eu me rebati? Sim. Quase me mijei? Sim. Adiantou? Não.
Logo em seguida, a mão que lixava minha boca se soltou e eu senti uma... mordida? Sim, uma mordida no braço direito. Ahhhh! Tão me mordendo!!! Me helpeee aqui, gente!
- CACHORRO LOUCO! SOCOR... - Gritei, mas a mão voltou a lixar a minha boca e a mordida parou.
- Cachorro louco? Nunca fui tão humilhado. - Uma voz grave masculina disse, fazendo drama.
Fiquei meio tonta e caí sentada no chão. Eu ia por em prática todos os meus conhecimentos de artes marciais e tal que aprendi assistindo Karatê Kid (tive que botar e tirar muito aquela bosta de casaco), mas olhei para cima e vi um cara com os dentes caninos pontiagudos e fiquei tipo 'deixa quieto. Eu nem assisti o filme todo mesmo'. Depois disso, lembro de ver o homem se agachar e me pegar no colo. Desmaiei.
Quando acordei, eu estava num lugar duro e frio... ah, é o chão. Minha vista queimava e estava embaçada. Tudo que eu conseguia pensar era que eu coloquei e tirei aquela bosta de casaco umas mil vezes pra quê? PRO CARALHO DAQUELE SENHOR RÃ, SAPO, LESMA, FODA-SE, ME DEIXAR NA MÃO!!! Mas ok.
Me sentei lentamente e olhei ao redor. Eu estava num negócio tipo um porão, sabe? Com um monte de tralhas jogadas por todo lado. O chão era de cimento e estava muito escuro, mas claro o suficiente para eu enxergar um cara alto, com uns 18 anos passar por uma porta e vir até mim. Se eu me assustei? Sim. Tentei fugir? Sim. Mas adiantou? Não. Eu tentei sair correndo toda destrambelhada sentada mesmo, mas o cara, num piscar de olhos, foi parar na minha frente.
- Fica longe de mim! - Falei, tentando correr sentada.
- Ei, ei, mocinha. Tá pensando que vai aonde? - O cara se agachou e me segurou pelo braço, me impedindo de colocar meu super plano em prática: correr de qualquer forma; sentada, em pé, de cabeça pra baixo...
- Pra bem longe de você, seu psicopata! - Abaixei minha cabeça e mordi sua mão, na tentativa dele me soltar. - Credo, cara! Existe uma coisa chamada hidratante, sabia? As vezes usar um pouco ajuda.
- Vampiros não usam hidratantes. - Ele se sentou na minha frente, me impedindo de sair pela única passagem possível.
- Que legal! - Disse, fingindo um falso intusiasmo. - Pena que você não é um.
Ele olhou para o meu braço direito e arqueou uma sobrancelha. Abaixei a cabeça lentamente e vi uma mordida que pegava metade do meu pulso.
- Legal, né? Fica muito sinistro essas marcas. - Ele disse, rindo orgulhoso. - Logo, logo, você também vai poder deixar a sua.
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A Vampira
VampirosJannet era normal... até seus 17. Após ser transformada por um vampiro e desenvolver uma amizade fora do comum com ele, passam a viver juntos, escondidos da sociedade. Depois que 64 anos passaram, eles decidem que querem ter uma vida normal de novo...
