Capítulo um

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Duas da manhã. Elisa estava olhando fixamente para seu celular com os olhos inchados e vermelhos marcados por lágrimas. Parecia esperar algum torpedo. Sua face espelhava tristeza, decepção, melancolia.

Então chega uma notificação de mensagem. A garota demora menos de dez segundos para visualizar e receber uma carga de raiva imensa.

-Como as pessoas podem ser tão cínicas?- praticamente sussurra a garota.

Elisa sente um turbilhão de sentimentos passando pelo seu corpo. Sua cabeça dói como se tivessem a chutado com botas militares. Seu coração está apertado, rachado e no momento em que leu a mensagem, o espaço vazio se preencheu com ódio e vontade de quebrar qualquer coisa que estivesse em sua frente.

A menina lê pela décima vez a mensagem.

"Não é o que parece, sério. Precisamos conversar."

"Não é o que parece". A garota pensa o quão idiota ela foi de ter acreditado que um dia pudesse dar certo com um garoto totalmente diferente de si mesma.

As cenas do que presenciou passam como um filme em sua cabeça. Cada detalhe relembrado faz com que a dor sentida por Elisa se multiplique em mil.

E então, novamente ela relembra do ocorrido. Júlio, seu namorado até algumas horas atrás, dizendo que ia ao banheiro. Desconfiando da demora, Elisa resolve ver se aconteceu algo. E aconteceu. Ela se depara com Júlio aos beijos com uma outra menina. Nesse momento, a raiva já tinha tomado conta de seu corpo, mas quando reconheceu a menina, sua melhor amiga, a decepção foi ainda pior.
O casal que estava se beijando foi interrompido por um amigo que estava próximo e avisou que Elisa tinha visto a cena e saído aos prantos da festa.
Júlio não sabia o que fazer. "Fim de jogo", pensou o jovem. Ele parecia gostar de Elisa, mas a conhecia perfeitamente para saber que ela não o perdoaria por isso. Mesmo assim, decidiu deixar Bianca e foi atrás da sua namorada, até então.
No estacionamento a conversa dos dois não foi muito esclarecedora. Elisa não conseguia parar de chorar e Júlio pedia perdão descontroladamente. Ele parecia realmente arrependido.

-Lis, sério! Olha pra mim! Me perdoa, eu fui um otário, mas não foi bem o que você viu!

-Ah, lógico! Eu não vi você agarrado com a minha melhor amiga!

-Você viu, mas não foi bem isso que aconteceu, eu...

-Para, Júlio! Chega, já deu.

Elisa corre em direção ao seu carro e arranca com tudo. Júlio fica preocupado com o estado da garota e se sente culpado. O rapaz não tem mais vontade de voltar para dentro e resolve dar uma volta para espairecer.

Ao lembrar de tudo isso, Elisa se vê aos prantos novamente. Resolve responder a mensagem com um simples "OK" e ir dormir. No momento essa parece o único remédio para sua dor.

Vivendo-meWhere stories live. Discover now