Sonhei que me casava contigo

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        Giuliano chegou correndo em seu cavalo marchador, parou em frente ao portão da casa de Alana, onde ela já o esperava. Giuliano apiou de seu alazão e viu Alana ali escorada no morão da porteira que divisava o quintal da casa e o pasto. Ela estava ali parada em sua frente, com os lábios trêmulos, sedentos por um beijo seu. A timidez de Alana, proporcionava uma certa soberba em Giuliano, pois deixava claro a sua falta de experiência. Pelo que se sabe, Giuliano foi seu primeiro e único homem, o seu amante amigo. Giuliano beijou suavemente os lábios de Alana, montou em seu cavalo novamente, colocou Alana na garupa e, saiu a galopes largos para longe, fora do alcance da vista de todos. Chegando já perto do pé de jacarandá, o famoso pé de jacarandá, bem lá no topo da montanha, parou seu cavalo. Apiou, pegou Alana nos braços e pôs no chão. Tirou a sela do lombo do alazão e, soltou o cavalo para pastar. Com os pelegos que usava sobre a sela, fez uma cama sobre a grama rasteira e enquanto Giuliano ajeitava o pelego na grama, Alana ficou a observá-lo, com olhar marejados. De repente ela agarra Giuliano por trás e, passou de leve as mãos macias sobre o abdômen dele, acariciando-lhe e beijando suavemente sua nuca. Giuliano virou de frente para ela e pode notar sobre a luz fraca duma lua minguante, que um fio de lágrimas corria sobre seu rosto angelical. A brisa fresca, sopravam levemente os poucos cabelos dela. Ela sentia frio. Giuliano acomodou Alana, sobre a cama feita com os bacheiros, tirou seu casaco, e a cobriu. Deitou-se a seu lado, acariciando com as pontas dos dedos, atrás da orelha esquerda dela.
__Por que choras meu amor? Interrogou Giuliano.
__Não quero mais fazer radioterapia, quimioterapia nem nada disso! Respondeu.
__Tudo bem, não faça. Você não é obrigada a fazer nada que não queira. Giuliano beijou seu rosto.
__Não adianta! Nada disso pode me salvar. Você sabe disso Giuliano. Nós sabemos.
__Sabemos sim é verdade, de fato não adianta a gente se iludir. Portanto, não quero pensar nisso, prefiro pensar em nos dois. Eu e você aqui, juntos e inseparáveis. Eu te amo Alana, você sabe. Você tem me transformado num homem. Giuliano agora apoiava seu corpo sobre o cotovelo, e olhava nos olhos verdes de Alana. Com a mão direita, alisava o queixo dela. Tornou a beijá-la, um pouco mais demorado. Ela se animou.
__Promete que nunca vai me deixar? Ela perguntou.
__Juro! Por esta luz que nos alumia. A lua é testemunha do nosso amor. Giuliano aproveitou a ocasião, tirou do bolso o lindo anel, com pedra de diamante. Mesmo a noite, Alana pode notar o brilho da jóia na mão de Giuliano.
__É o anel que você me mostrou, lá na joalheria de Florença, lembra? Disse ele, Colocando o anel no dedo anelar de Alana, jurando amor eterno, tendo Deus e a lua como testemunha. Seu cavalo alazão relinchou lá no pasto, como que aprovando a união. Uma coruja também piou, observando lá do alto, num galho seco do velho jacarandá. Alana agora sorria e chorava ao mesmo tempo. Subiu por cima de Giuliano. Ficou sentada em cima da virilha dele. Tirou a camiseta, jogou para o lado. Começou a beijá-lo, desabotoando a camisa dele. Ficaram nus sobre a cama feita de bacheiros. Sobre a luz fraca da lua minguante, que lhes servira de testemunha. Se entregaram um ao outro, se amaram incondicionalmente. Sem reservas, sem pensar no amanhã. O que lhes importava agora era aquele momento único. Alana não se preocupava mais com os diagnósticos que acumulavam em sua casa. Não, nada de pensamentos negativos. Sabia que seu tempo era pouco, as horas esgotavam. Mas, o que importa o tempo? Nada. Importava que estava nos braços de seu amor. Agora, deitada sobre o peitoral de Giuliano, Alana ouvia as batidas do seu coração. Adormeceu ali, sobre os braços dele. sonhou. Sonhava entrando na igreja, com seu vestido branco, longo. Véu e grinaldas na cabeça. O seu buquê, era feito de flores do jacarandá, que o próprio Giuliano fez, enquanto ela ressonava. Casaram-se na igreja como sempre desejara. Foram embora, montados no alazão, seu vestido longo voando em ondas pelo vento primaveril. Juntos, esculpiram no tronco do jacarandá, um coração com o nome deles. Alana não acordou nunca mais. Foi embora para sempre, deixando um vazio enorme no coração de Giuliano. Contudo, o tempo se passou. Giuliano porem, nunca mais conseguiu amar outro alguém. A lacuna aberta em seu peito, não podia ser preenchida por mais ninguém. Viveu o resto de sua vida na solidão daquela fazenda, sonhando com sua amada. Todos os anos sem exceção, no mês de aniversário de Alana, Giuliano levava flores e deixava no local onde vivenciaram um amor máximo. Já estava com setenta e oito anos, mas nunca deixou de levar flores. Passava horas ali, sozinho, sonhando acordado. Na última vez, deitou sobre a grama molhada de orvalho. Adormeceu. Sonhou com sua amada. Ela se escondia detrás do pé de jacarandá. Correu para ele e o abraçou por trás, como daquela vez. Juntos rolaram na grama molhada. Ela estava linda, seus cabelos haviam crescidos. E então se amaram novamente com a mesma intensidade. Ficaram ali deitados. Depois subiram no alazão e foram estrada a fora. Foram indo até que se perdeu de vista.
Agora estão juntos novamente, ela veio recepcioná-lo, e o levou para ela. Agora já não existe dor, nem medo. Não há nem doenças. Só exite lugares lindos, muitos pés de jacarandás, cavalos Alazões, brancos, pretos e muitos riachos de aguas correntes.

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⏰ Last updated: Jul 29, 2018 ⏰

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Em seus braços dormi, e não acordei. Stories to obsess over. Discover now