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CAPÍTULO 1

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Júlia, a mais velha dos três filhos de Caio e Patrícia era uma menina alegre, sonhadora, calma e determinada. A cada dia tentava se reinventar e criativa como só ela, amava moda e música, tinha um sonho especial, ser atriz e cantora e também sonhava com um mundo melhor, mais justo e perfeito.

Aos quatro anos, Júlia teve o maior baque de sua vida, Caio e Patrícia decidiram se separar, acabando com as teorias que foram ensinadas nos filmes infantis que ela assistia, onde todos viviam felizes para sempre, juntos. Caio havia traído sua mãe e machucado seu coração. Júlia não sabia o que isso significava nessa época e talvez não soubesse que passaria o mesmo no futuro. Caio saiu de casa apenas dizendo "Papai ama vocês!" aos seus filhos, e dizendo: "Papai Te Ama!" para ela. Fechou a porta e foi embora.

Júlia e seus irmãos estudavam em uma escola particular em sua cidade, e era uma criança feliz até começar a sentir o peso de crescer. Júlia nunca teve muitos amigos, talvez ela acreditasse que amizade verdadeira não existisse. No máximo ela tinha a Ana e o Cleiton como amigos. Ana e Cleiton eram irmãos, seus pais também tinham se separado recentemente, talvez isso tenha juntado os três.

Aos oito anos Júlia e seus irmãos foram morar com sua avó materna, dona Catarina em outra cidade tendo assim que mudar de escola. Sua mãe, Patrícia, conseguiu um emprego como assistente administrativa numa empresa relacionada a vestuário, lá tentara garantir que a sua vida e a de seus filhos melhorasse. Para não se sobrecarregar, decidiu que os filhos fossem morar com a avó, já que trabalhava de 07h00min da manhã às 20h00min da noite. Os via no fim de semana, sozinha, Patrícia era uma guerreira.


Aos nove anos Júlia entrou numa escola pública, num primeiro momento não gostou muito, mas logo após se acostumou. Sentia saudades de seus amigos, e não conseguia fazer amizade em sua nova escola. Os anos se passaram e Júlia entrou na pré-adolescência. Dona Catarina de família antiga era muito moderna ao seu tempo. Explicou a Júlia todo o processo que ela passaria, nesta transição, foi como uma mãe para Júlia, que até então, apenas ria e achava tudo legal, tudo novo.

Quando Júlia chegou na 5° série, começou a sofrer bullying na escola. Júlia era alta, usava calça colorida, seu cabelo era liso e sempre preso, tinha espinhas, era muito branca e um pouco fechada. As meninas tinham um pouco de inveja dela, pois ela sempre tirava boas notas e era muito querida por seu caráter, sua determinação e força (e por toda a sua história).

Júlia fazia teatro e um dia no caminho de sua aula três meninas e uns meninos seguraram em seus ombros, puxaram seu cabelo e deram uma rasteira nela, que caiu no chão sentindo medo. Eles fizeram Júlia comer um biscoito do chão, subiram em cima dela e a bateram, logo após, uma das meninas sussurrou em seu ouvido "Vai chorar bebê?" Júlia calada, não expressava nenhuma reação, apenas dizia pra si mesma "Papai me ama", esse, ela já não o via a 5 anos e nunca recebeu notícias dele. As meninas jogaram Júlia dentro de uma caçamba de lixo, onde ela saiu com a ajuda de seu professor de teatro, o Gabriel. Depois de gritar por socorro durante 15 minutos.

Apesar dos pesares, Júlia nunca desistiu de tentar, sofria todos os dias com piadinhas, abusos, tapas, puxavões de cabelo e palavras de baixo calão. Não contava nada a sua vó, pois ela era ameaçada por seus agressores. Chegava em casa muitas vezes machucada e corria pro banheiro pra lavar seus arranhões e chorar. Ao longo de todo esse processo, Júlia realizou seu grande sonho, atuar para uma plateia de 400 pessoas na quadra de sua escola.

Aquele dia foi mágico para ela, sua mãe estava lá, sua vó também e todos os seus irmãos, menos o seu pai, este ela não sabia onde estava e rezava para que ele aparecesse. Ele não apareceu.


Esse Não É O FimStories to obsess over. Discover now