Margarida estava a ponto de pular no relógio da sala de aula e obrigar os ponteiros a andarem mais depressa.Faziam exatas duas semanas que sua mãe a tinha convencido a voltar a escola."Vamos filha,está sendo muito difícil pra mim também,mas temos que seguir nossas vidas.Seu pai não ía gostar nada de saber que você vai perder o ano se não voltar a escola".Foi esse o argumento que sua mãe usou para fazê-la voltar para o colégio.Mas para falar a verdade,ela se obrigou a voltar a estudar mais para não magoar ainda mais sua mãe do que para não repetir o ano.A escola não importava,todas aquelas pessoas que tinham lhe dado os pêsames não importavam,aquele conteúdo idiota de biologia(que antigamente ela gostava tanto) também não importava.Do que adiantava se esforçar para tirar um 10?Quando chegasse em casa,toda orgulhosa com a nota,seu pai não estaria mais lá para parabenizá-la. Seu pai não estaria mais lá para colar a prova na porta da geladeira.Seu pai não estaria mais lá nem sequer para sorrir quando visse Margarida entrando pela porta de casa."Meu pai morreu".Era só no que ela podia pensar.Foi preciso sua colega que sentava a seu lado chamar três vezes para que Margarida entendesse que era com ela.
--Desculpa Marina,você estava falando comigo?
--Sim,eu queria saber se você não queria ir dar uma volta na praça comigo depois da aula.
Margarida pensou na proposta:ela não estava com a mínima vontade de passear.Só queria ir para casa,se deitar na sua cama e dormir o resto do dia e a noite.Mas seu pai não aprovaria isso,ele ía querer que ela saísse,respirasse ar puro.Sem falar que Marina--tirando sua mãe-- era a pessoa que mais estava se esforçando para ajudar Margarida a levar uma vida normal novamente.Que mal teria?se não gostasse do passeio,inventaria uma dor de cabeça e iria para casa.
--Tudo bem Marina,eu vou com você.
Bem na hora o sinal tocou e as duas colegas arrumaram a mochila e se dirigiram a saída.
A praça ficava a cinco minutos da escola e a maioria dos alunos rumavam para lá após a aula.
Ao chegarem,as duas sentaram em um banco e ficaram batendo papo sobre coisas banais.Marina se esforçava para levar a conversa para coisas que não fizessem Margarida se lembrar do pai.Quem olhasse de fora até poderia pensar que ela estava conseguindo.Grande engano.Margarida até se esforçava para ser absolvida pela conversa,mas estava difícil.Até o pipoqueiro a poucos passos de distância a fazia lembrar de quando seu pai ia lhe buscar na escola e comprava pipoca para ela.Um homem passou com uma criança pequena e ela só pôde lembrar do orgulho que sentia sempre que seu pai ía passear com ela."maldito acidente".Já faziam dois meses,mas parecia que tinha sido ontem que ligaram do hospital avisando que seu pai tinha sofrido um acidente de carro enquanto voltava do trabalho.Foram as duas,ela e sua mãe, para o hospital.E depois de uma longa espera,o médico veio falar com elas,dizendo aquelas palavras que Margarida duvidavam que algum dia fossem sair da sua mente: "Seu pai não resistiu a cirúrgia e veio a falecer.Sinto muito,fizemos tudo que podíamos".
--Margarida,você está me escutando??
--oh,desculpe Marina.Eu acabei me destraindo.O que era mesmo?
--Estou dizendo que aquele gatinho ali não para de olhar para você.
Se tinha uma coisa para a qual Margarida definitivamente não estava disposta naquele momento,era garotos.Ultimamente ela vinha recebendo algumas cantadas,mas nunca se interessou por nenhum daqueles meninos.No começo,ficava até envergonhada.Agora,fingia que não era com ela.
Muito mais por curiosidade,que por interesse ela olhou para o garoto que Marina "disfarçadamente" apontava.
Era um tipo bonito.Branco,alto,nem magro,nem gordo.Mesmo de longe,dava para perceber que tinha os olhos claros.Não tinha como negar que ele era bem atraente,mas para Margarida,olhar para aquele cara,e olhar para um daqueles bancos da praça proporcionava a mesma atração.
Já estava ficando tarde,e sua mãe deveria estar esperando por ela em casa.Desde a morte do marido,ela tinha ficado muito carente,e como medo quando Margarida demorava muito a chegar em casa.
Depois de uma breve despedida, dez minutos para chegar em casa,e um "não tou com fome mãe",finalmente Margarida pôde tirar os sapatos e se jogar na cama.Adormeceu pensando no pai,e nos seus sonhos,ele estava lá: saudável,bonito,e vivo.
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Rô e Flor,uma história de amor.
RomanceMargarida é uma menina completamente comum.13 anos,alguns amigos,boas notas na escola,pais que se amam.Não lhe falta nada.Até que seu pai vem a falecer e o mundo parece desmoronar nas suas costas.Ela começa a se sentir extremamente só,e nada pode fa...
