Há muito de nós

34 3 0
                                        

Ficou muito de nós nessa noite que se torna longa e meu travesseiro pesado. Saudade do que poderíamos vir a ser, das músicas que faltamos compartilhar, das novas confidências que deixamos de fazer e da maturidade que deixamos de contemplar juntamente. Ficou muito de nós naquela rua e naquela casa, ficou muito de nós até mesmo na conhecida mais íntima e mais próxima. Mas apenas ficamos. Ficamos e viramos memória. Uma memória dolorosamente gostosa. Hoje decidi escrever porque não queria que meus olhos cedessem àquele mar de emoções salgadas. Hoje decidi trazê-lo para perto do consciente porque não  posso ir atrás do toque. E há muito de nós em mim. Na verdade, desculpe-me: há muito do que era nós, há muito do que se tornou um só, em mim. E eu me preocupo, além de estarmos separados, há algo que nos liga, e eu acredito que nascemos pra dar certo, só não temos a disposição para tal feito. Preocupo-me quando sei que tem um espírito extrovertido  e gentil que habita esse corpo que já foi meu, um espírito meio frio meio quente, verdadeiramente agridoce, que já conseguiu virar-se do avesso para agradar-me. E eu só tenho a  agradecer pelo momentos bons, pelas risadas gostosas, pelos afetos trocados, pelo toque gerado e pelo desagrado de ainda deixar todas essas lembranças em mim, pois me faz lembrar que é essa nostalgia que me faz humana.

Rascunhos de um quase amorStories to obsess over. Discover now