- Adeus querido.
- Adeus.
Ele passou por nós sem dizer nada.
- Pelo menos diz adeus à tua mãe. - Ele caminhou até a entrada. - Harry!
- Ela não é a minha mãe! - Foi tudo o que ele disse depois de sair.
- Maldito rapaz! - Edward murmurou. - Desculpa querida.
- Não faz mal. É só uma fase. - Falei acompanhando o meu marido até a entrada. - Todos os rapazes da sua idade são assim.
- Acreditas nisso? Já passou um ano desde que vieste morar connosco, Taylor. Ele já deveria ter aceitado que és minha mulher, mãe dele! - Um ano. Passou um ano desde que assinei aquele contrato infernal.
- Não te preocupes querido. Não tem problema, a sério. - Menti, e sorri para ele.
- Se tu o dizes. Acredito em ti. - E ele saiu sem um beijo, nem um amo-te. De alguma forma, aquilo afectava-me mais do que deveria.
- Tem cuidado. - Murmurei por fim. E entrei de novo em casa. Edward era rico. Muito rico, na verdade. Eu vivia rodeada de luxos, tinha vestidos caros, jóias, tudo. Tudo menos amor. Tudo menos sexo. Em doze mezes, Edward apenas me tinha tocado uma vez. Uma única vez. A verdade é que tendo tudo, tendo tanta coisa. Eu sentia-me vazia, sentia-me triste.
Apesar de todos os luxos e riquezas, Edward tinha uma família normal. Harry, o seu único filho e meu enteado. Não tinha aceite esta relação. Como poderia o seu pai de meia idade casar com uma mulher de vinte anos? Na realidade, isso também me parecia surreal. O som do telefone a tocar afastou os meus pensamentos. Caminhei até ele e atendi.
Logo uma voz rouca, fez-se ouvir.
- Bom dia senhora.
- Quem fala? - Falei.
- Senhora, quantas vezes fez durante a noite?
- Desculpe?
- Quantas vezes fudeu durante a noite? - Ouviu-se uma pausa, como se ele esperasse pela minha resposta. Fiquei em silencio. - Se fosse comigo, foderíamos umas cinco vezes. Há! Mas, eu esqueci que um homem de meia idade não pode fazer isso. - O medo correu pelas minhas veias. - Deve estar aborrecida nessa enorme casa, não? Não se preocupe porque telefonei para nos divertir-mos um pouco.
- Quem é você? - Falei - Deixe-me em paz!
- É tão bonita, mesmo quando se enerva. Sabia que os seus vizinhos batem uma a pensar em si?
- Cala-te!
- Pensam nesse rabo sexy, e batem uma. - A sua respiração era pesada atrás do interfone do telefone.
- Por favor, pare!
- Ou imaginam a sua gloriosa pele, banhada em sémen. Todos pensam nisso. - Ele prosseguiu ignorando o meu pedido.
- Pare! Ou eu chamarei a polícia! - E desliguei. Quem quer que fosse, aparentava saber onde eu morava, como eu era e com quem vivia. Trémula pousei o telefone. Suspirei na tentativa de me acalmar. Como poderia dizer a Edward? Caminhei pela cozinha, agarrei um copo e enchi com água. Talvez não tivesse de dizer nada. Afinal, pode ser um adolescente idiota. Uma partida sem qualquer graça.
Agarrei nos pratos do pequeno almoço e comecei a lavá-los numa tentativa de me ocupar com algo. O telefone tocou uma vez mais, o prato escorregou e estilhaçou-se. - Outra vez não - Caminhei lentamente, ponderando o que fazer. Talvez se não atendesse, ele desistisse. Mas, talvez fosse importante. Escorreguei pela bancada e sentei-me no chão. O telefone tocou uma e outra vez. - É persistente. - murmurei. - Esse maníaco.
Agarrei no telefone e atendi. - Pare, por favor! - Falei decidida. Pensei que se o enfrentasse talvez ele cedesse.
- Passa-se alguma coisa?
- Harry? Pensei que era um desses vendedores, sabes...
- Sim sei. Bom, liguei para avisar que não estou para jantar hoje. Vou jantar com um amigo.
- Sim claro.
- Adeus.
E a linha ficou muda. Que se passa com Harry? Porque é que ele é tão indiferente. Devo falar com o Edward, sobre a chamada anónima? Talvez, ele colocasse uma escuta. Ou fizesse uma denúncia? Não sei o que posso fazer. Nessa noite fizemos amor. Depois de doze meses ele tocou-me novamente.
- Querido, preciso falar contigo.
Edward, estava deitado na cama. Com os olhos fechados, embora parecesse que estava a dormir eu sabia que ele não estava.
- Edward. - Insisti.
- Não podes esperar, e falar amanhã? Estou cansado. - Abri a boca para falar, mas fechei-a de novo quando ele me virou as costas. Ignorando-me por completo. Naquele momento, senti-me suja. Suja, porque me senti usada. Nunca pedi amor. Nunca pedi nada. Apenas queria que ele me respeitasse como sua mulher. E uma vez mais não lhe pude dizer nada. Desliguei a luz do candeeiro e deitei-me do seu lado. Uma lágrima correu, e eu esforcei-me para não fazer barulho. Chorei em silêncio, odiando a vida que tinha escolhido.
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Anonymous Call
ChickLitTaylor e Harry. Madrasta e enteado, uma história. Conteúdo maduro. Se não gostas deste tipo de leitura, por favor, não leias. Não denuncie. Vocabulário explicito, cenas de sexo explicitas.
