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Prólogo: A Garota (Im)Perfeita

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Acordei com o barulho atordoante do despertador. Parecia estranho eu não ter me acostumado com aquele mesmo depois de tantos anos! Me virei na cama e tateei o criado mudo em busca do meu celular, quando me vi livre daquele ruído, abri os olhos e fitei o teto. Ele tinha uma estampa de violinos, flautas e harpas, porque eu simplesmente amo música clássica. Eu já tinha ido num concerto com meu pai uma vez, aliás o teto estampado tinha sido um presente dele.

Meu pai ... das uma coisas que eu não podia me dar o luxo de ter. Já fazia dois anos, mas só de lembrar o quão agoniante foi vê-lo sofrer tanto e não poder fazer nada, me dava um aperto no peito. Ele sempre tinha sido muito tranquilo e calmo, mas a empresa em que ele trabalhava estava passando por tempos difíceis e nós também. Mesmo assim, ele se recusava a me deixar trabalhar aos 14 anos e ainda investia em uma escola particular e em tempo integral pra mim. Foi aí que ele começou a fumar, eu não sabia se ele fumava com muita frequência, mas era muita pelo que o médico nos disse quando soubemos que ele tinha câncer de pulmão. Antes de morrer, ele chamou cada um de nós em particular pra conversar, ou melhor, se despedir. Minha mãe me disse que ele gostaria que ela se casasse novamente e Alex, meu irmão, não nos contou nada, apenas saiu do quarto de nosso pai chorando muito e xingando todos os palavrões existentes. Pra mim, meu pai disse que nunca largasse os estudos e eu me lembrava disso como se fosse hoje...

— Sei que será difícil pra todos vocês — disse ele — mas quero que me prometa — ele teve um ataque de tosse e eu ia chamar alguém, mas ele me deteve — não... quero que me prometa, Mia, que vai cuidar deles por mim.

— Prometo — falei em meio as lágrimas e soluços. Ele odiava me ver chorando e, por mais que eu tentasse, não conseguia diminuir a dor que se expandia a cada segundo no meu coração.

Ele sorriu e fechou os olhos, aliviado. Apertou minha mão uma última vez e... eu entrei em desespero. Não sabia o que ia fazer sem ele, o que nós íamos fazer sem ele, ele sempre foi a total felicidade da minha mãe e o total controle do meu irmão. Alex tinha o costume de beber, mas nosso pai sempre tinha um jeito de fazê-lo parar. Ele era uma fortaleza para todos nós. Depois de sua morte, minha mãe perdeu o emprego como auxiliar de enfermagem e começou a fazer bicos como empregada doméstica, mas esses bicos vinham sendo cada vez mais raros por causa de mau desempenho. Eu entendia o lado dela, ainda estava muito abatida e comia menos a cada dia, o que me deixava louca de preocupação. Outra preocupação minha eram as saídas de Alex, tinha vezes em que ele saía num dia e só voltava dois ou três dias depois. Ele já tinha feito 18 anos, mas torrava todo seu dinheiro em cerveja e eu tinha muito medo do que podia acontecer. Nesse último ano, tinha sido expulso de três escolas e desistiu na saída da terceira. Eu sentia por ele, sabia que ele não tinha muito tempo pra voltar atrás e isso me doía muito, queria poder fazer alguma coisa, mas desde que nosso pai morreu, ele só se dirige à mim com gritos e berros.

Balancei a cabeça e me livrei daqueles pensamentos, eu não tinha tempo pra isso, aliás eu tinha uma "família", uma casa pra cuidar e um futuro pra tentar garantir.

Depois da escola, eu voltaria pra casa e de lá iria para o trabalho, o "Murphy's", uma lanchonete localizada numa das avenidas mais movimentadas da nossa pequena cidade, Ville del Vecchio. Sim, minha cidade tem origem italiana, mas mesmo assim é muito pequena e pouco habitada. Eu gosto desse fato, tudo por aqui é muito tranquilo e sossegado, nunca precisei me preocupar em voltar pra casa tarde, sozinha e ainda mais à pé. O Sr. Murphy, dono do estabelecimento, era bem tranquilo também e lidava bem com atrasos e mau desempenho, mas eu dava tudo de mim e fazia por merecer cada centavo. Eu era garçonete, mas também ajudava na cozinha não só na comida, mas na limpeza também. Eu trabalhava com Lucy e Paula, ambas da mesma idade (19 anos), e com a Megan, nossa cozinheira. Não pense nela como uma senhorinha de cabelos brancos, Megan tinha apenas 26 anos, era linda, morena dos olhos verdes e tinha uma mente gigante capaz de superar até meus mais altos sonhos. Com o tempo, eu fui percebendo que a cada dia essas novas pessoas que entraram na minha vida na verdade estavam se tornando minha família! E eu me sentia grata por isso, por não estar completamente sozinha em meio a tudo que se passava. Mesmo que meus olhos começassem a arder só de lembrar a que ponto tinha chegado, alguma coisa no fundo do meu coração me dizia a todo instante: "Não desista, Mia. Você vai conseguir!".

***Fim do prólogo***

Olá pessoas, tudo bem com vocês esse foi o Prólogo da história "A Garota (Im)Perfeita". Qualquer dúvida ou palpite é só deixar nos comentários. Não sei ainda com que frequência irei postar, mas espero que vocês gostem e compartilhem com a galera, ok? Até o próximo capítulo! ;-)

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⏰ Last updated: Jun 28 ⏰

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