A vida é medida por pelos.
O homem é parido pelado,
e expira pelado!
Nasce sem barba ou cabelo,
não tem bigode, nem nada.
Só pele rosada!
Morre com glabra epiderme,
meia dúzia de cabelos,
bigodes, mais pelos.
E nos entremeios?
Não toses! É feio!
Guri, num quarto de vida,
esfrega de forma sofrida,
navalha na lisa face,
frouxel: a barba, se passe!
Eu quero ser homem!
Senhor, três quartos de vida,
esfrega de forma sofrida,
navalha contra a cabeça,
penugem: engrosse e cresça!
Eu quero ser jovem!
Um outro se sente mocinho,
mas tá no meio-caminho,
pois sua pelagem não mente,
raspou num só dia, insolente!
A cara e a careca.
No sexto dia depois,
sentenciado ele foi.
Viu sua calvície falhada e
fitou sua barba cerrada.
Senil adiantado!
Se o jovem quer barba
e o velho, cabelo,
olhando no espelho,
viu que a velhice chegara,
pois só tinha pelos na cara.
Focinho de bode!
Idade, coisa divertida,
pelos pelos é medida!
Muito no queixo, em cima nada,
da Boa Esperança é passada.
É o meio da vida!
Por isso, n'outra metade,
aproveites a pleno, tu sabes:
Barba, cabelo e bigode,
faz tudo enquanto tu podes,
se o humor da vida é uma ode...
Cabelo, não fode!
