Põe na conta!

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Na primeira semana do festival do pó, Margarita, a caloteira da vila, como faz sempre, acorda bem cedo antes do nascer do sol, levanta-se do seu velho sofá doloroso de madeira e veste as velhas roupas cinza já de mil oitocentos e troca o passo. Hoje iria ser um dia diferente, era o dia 1 da primeira semana do festival do pó. Descendo a escadaria da sua cabana enquanto punha um xaile azul marinho pelas costas devido ao frio madrugador, foi em direção á loja da irmã Zabel, a bruxa.
Quando entrou na loja, a irmã Zabel estava sentada num cadeirão de barro feito por ela mesmo, como devem supor, estava torto, com rachas e o tecido gasto almofador. Margarita vai nas prateleiras e pega num pedaço de tecido vermelho rosado com o desenho de uma cobra, uma saia usada de ganga com remendos, um faixa tecido ao xadrês esverdeado, um pedaço comprido de setim azul claro, uns sapatinhos de couro e umas fitas laranja. Por fim, na parte do bruxedo adquire um mini frasco de cristal com um liquido verde florescente la dentro e tapado com uma rolha de cortiça ja degradada com os anos e a acidez da poção. Era pra rejovenescer. Nao era fácil manter aquela carinha de 25 anos com 119.
-Oouh põe na conta! - disse Margarita ja com a intencao de não a pagar.
Aquela conta ja durava cerca de 68 anos.
Voltou pra casa ao nascer do sol, a loja de bruxaria da irmã fechou e voltou a abrir como uma costureira humilde e aberta ao público e aos visitante do renomerado festival do pó.
Já em casa, Margarita deixa os panos, mal dobrados em cima do balcão pra mais tarde os coser e vestir deixando a poção na prateleira mais alta da divisão da casa. Aquela prateleira ja estava descaida p'ra frente de tanto peso e tantas coisas que ja passaram por lá. O frasco, mal seguro e de base estreitas, não suportado devidamente pela prateleira de cortiça, caiu para a frente, impolsionado pelo peso e impedido de rodar o liquido deslizou e ficou travado pela rolha desgastada.
Aquela poção, a cada minuto que passava, corruia cada vez mais a rolha e apenas uma pequena e reduzida faixa de cortiça tapava o frasco do liquido.
Margarita estava no momento a cuidar da horta e acompanhada pelo gato Fuki e o cão Solur, apreciava o crescimento das suas ervas harmoniosas que depois iam para a fazenda das bruxarias.
Em casa a primeira gota da poção ja espreitava pra fora do frasco e com a corrosão das proprias paredes do buraquito na rolha, foi alastrando e deixando surgir mais produto. A primeira gota de poção desce pelo ar seguido de pequenas gotinhas viscosas acompanhando a primeira e embate nos varios trapos acomulados no balcão da cozinha. E outra e outra e outra e outra...

TrapudaWhere stories live. Discover now