Prologo

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 1995 - 20 Anos antes.

As janelas do apartamento na cobertura se abriram lentamente para o corpo magro e esquelético de Geórgia Daeva passar. Sua pele branca se arrepiava como vento frio que invadia o apartamento. Ela segurou firme nas grades de proteção. Primeiro passou uma perna, lenta e com toda a calma do mundo, como se aquilo fosse a última coisa que faria naquele mundo e de fato seria a última coisa que faria de sua existência.

Geórgia já estava dependurada contra a grade de proteção quando olhou pela ultima vez o interior de seu apartamento e de longe pode ouvir o choro de sua filha, uma criatura pequena de apenas três anos estava com os olhos arregalados, o medo estampado em seu rosto vermelho pelo choro que ecoava o apartamento vazio. Seus cabelos louros desciam em leves ondas por seu rosto, bagunçados e desajeitados por ter acabado de acordar naquele momento, ela olhou sua mãe e mal sabia ela que sua vida mudaria naquele exato momento.

As cortinas balançando com o vento que junto levavam seus cabelos cor de mel, Geórgia respirou fundo soltando um leve suspiro, lagrimas silenciosas desciam por seu rosto, ela tinha que fazer aquilo, mas ao mesmo tempo não poderia deixar sua única filha a mercê de seu marido. Sofrera tanto nos sete anos de casada com Julian Forbes, noites violentas e manhãs marcadas por hematomas e gritos. Se olhasse bem poderia ver que já não haviam vasos, quadros ou até mesmo as almofadas do sofá, cacos de vidros espalhados pela sala eram o resultado da última briga. Os braços arranhados, marcados por dedos. Hematomas que começavam no pescoço e desciam até os calcanhares. Claro que ele tomava o cuidado para não marcar seu rosto, porque ele tinha que ter uma mulher apresentável para sociedade. E apesar de estar daquele jeito agora ela ainda aparentava ser uma mulher bonita, alta e mesmo com a magreza ainda podia se ver suas curvas bem distribuídas, cabelos que assim como de sua filha desciam em leves ondas por seu rosto que continham traços únicos e olhos escuros como a noite.

Os únicos momentos de paz foram nos últimos meses de gestação e quando a pequena Katherine veio ao mundo, lhe dando segurança – mesmo que fosse por pouco tempo – mas a tormenta logo voltava e dessa vez ela não conseguia mais, suas forças e esperanças haviam ido embora... Geórgia soltou uma das mãos presas a grade, lá em baixo os carros passavam, pessoas na calçada indo de um lado para o outro. Tão pequenas que chegavam a ser insignificantes. Seu coração lento e calmo, já não se agitava mais como das vezes anteriores. Sete para ser exata. Sete tentativas, nenhuma certa... Não até agora. Porquê dessa vez seria a oitava e a última. Geórgia soltou a outra mão da grade, olhou para trás por um segundo, a última vez que veria sua filha, mas não conseguia pensar em nada, absolutamente nada e foi assim que ela se jogou. Se jogou de cabeça como se estivesse mergulhando em uma enorme e funda piscina.

A morte da esposa de um dos maiores arquitetos do Rio de Janeiro fora estampada em todas as capas de revistas e jornais do país, uma semana havia se passado e o choro estridente de Katherine ecoava por toda a casa. Julian estava louco, perturbado, não sabia mais o que fazer e apesar dos pesares ele não conseguia viver sem sua esposa e assim se foi. A empregada o encontrou no chão de seu escritório com a arma enterrada na boca e o sangue que descia entrono de seu corpo.

Agora a dúvida seria, com quem Katherine iria ficar? 

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⏰ Last updated: Mar 30, 2016 ⏰

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