"Cinco Meses de Azar"

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POV - Lucas F (Luba)

13:00! Eu já deveria estar no aeroporto há 15 minutos atrás, mas não estou. Eu não estou arrastando minha mochila de rodinhas azul pelo piso liso do aeroporto, não estou com aquele frio na barriga por estar me mudando para outra cidade, não estou me despedindo da minha mãe, Carminha, não liguei nem mandei mensagem para algum amigo meu que mora em São Paulo, para me ajudar a me organizar na cidade até eu me encontrar realmente.

Não.

Sabe o que estou fazendo agora? Estou deitado no sofá. Com uma pressão subindo e descendo pelo meu interior, como se oque eu estivesse fazendo fosse errado e meu corpo estivesse tentando me levantar do sofá e me levar até o aeroporto.

Meu celular toca, mas ele está muito longe, em cima do balcão. Fecho os olhos e não me dou ao trabalho de atender.

O som do meu celular é padrão, e com ele, eu viajo pensando sobre os motivos que me mantinham naquele sofá, vestindo pijama.

Algum tempo depois

...

Nem percebi que acabei caindo no sono.

- LUCAS! ABRE A PORTA! - Ouvi minha mãe gritar do lado de fora do apartamento.

Espreguicei-me e levantei rapidamente, oque me deixou levemente tonto. Fui até o balcão e peguei meu celular, ali marcavam 15:00 horas.

Certeza que eu iria levar bronca.

- LUCAAS!

- Já vou. - Respondi correndo até aporta e abrindo-a, dando de cara com uma loira muito furiosa.

- O que significa isso? - Perguntou analisando meu pijama, blusa cor-de-rosa e calção branco.

- Olha mamis... Eu posso explicar tudo...

- Tudo bem, comece explicando o motivo de ter deixado eu e sei pai, te esperando no aeroporto por duas horas. - Disse enquanto entrava no apartamento e fechava a porta.

Fiquei calado, pensando do porque, mas a verdade é que nem eu sabia direito.

- Eu... não sei mãe... Eu acho que eu não estou pronto para mudar de cidade... rotina... Eu pensava que seria como mudar de casa, mas a verdade é que não é.

Carminha me encarou um pouco e depois começou a rir.

- Lucas! Isso é desculpa para sua preguiça! É normal, você tem medo de não conseguir dar conta de tudo, totalmente sozinho. Assim como enrolou quando saiu da nossa casa, lembra?

Sorri amarelo e assenti com a cabeça. Mães entendem.

- Lucas! - Carminha me abraçou. - Pelo amor de Deus! Ter um filho gay é uma coisa, mas ter um filho gay que age como criança já é outra! - brincou.

Eu ri, já me sentia bem melhor.

- Luquinhas, não se esqueça que você tem muita gente te apoiando, seus amigos... Seus parentes... A TURMA!

Eu sorri e a soltei.

- Eu sei mãe, eu sei... É que... eu descobri que odeio o mundo adulto. Contas para pagar, impostos, responsabilidades, ninguém para lavar a louça... é difícil ainda pra mim. Nem estou totalmente acostumado a morar sozinho, e agora mudar para outra cidade...

Carminha suspirou e arqueou as sobrancelhas.

- Lucas... Você está exagerando! Quantas vezes você já foi para São Paulo? Conhece aquele lugar como a palma da sua mão. E tem tantos amigos por lá... Daniela... Rafael... O Gusta... E a Kéfera? Não mora lá agora?... Ah, o Teddy...

Meu Senpai Favorito.Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora