Eu havia sido nocauteado por um sono de pedra. Quando acordei, já havia se passado das dez da manhã do sábado. O sol lá fora estava tão forte, que mesmo com um cortinado bem revestido e escuro do meu quarto, a iluminação diurna vencia sem dificuldades a escuridão do ambiente, em que eu dormia. Estava faminto, sentindo a minha bunda bem ardida, depois da surra de pica que Luís havia me dado naquele banheiro da boate. E mesmo não querendo mais um repeteco, eu estava profundamente satisfeito por ele não ter me deixado fugir. Mas era só eu pensar na iminência desse casamento descabido com Tatiana, que a minha mãe arranjara, que o meu sorriso aos poucos se dissolvia como uma bruma em um início de uma manhã ensolarada.
Levantei-me e me enclausurei no meu banheiro, por um longo espaço de tempo. Eu tinha essa mania de demorar muito no banheiro, mas não era promovendo o desperdício da água corrente, ou fazendo sexo comigo mesmo. Ficava eu, sentando no vaso sanitário, com a tampa fechada, pensando nos acontecimentos da minha vida, e ponderando sobre os mesmos. Uma espécie de paródia do pensador de Rodin.
Depois de um delicioso banho frio, desci para comer, pois estava faminto, tinha que resolver muitas coisas em pouco tempo.
Quando descia os primeiros lances de escada, rumando para a sala principal, avistei uma moça de cabelos ruivos, graciosamente presos por um pente de cabelo perolado, e trajando um vestido leve com estampa florada. Era Tatiana, minha noiva. Ela conversava alegremente com meus pais, mas propriamente com a minha mãe, que lhe dedicava total e exagerada atenção, enquanto meu pai, munido de seu notebook, se limitava a apenas emitir respostas monossilábicas.
- Finalmente você acordou – Minha mãe disse, desviando o olhar de Tatiana e me fitando, com uma leve sombra de reprovação nos olhos. – Tatiana já estava quase desistindo de te esperar.
- Eu não sabia que você já tinha voltado de viajem – eu disse, sem demonstrar nem um pingo de entusiasmo pela sua presença ali na minha casa.
- Pois é amor, nem eu sabia que iria voltar mais cedo – ela se levantou e veio ao meu encontro, antes que eu terminasse de descer as escadas. – Mas é Dezembro, e o meu pai insistiu que eu voltasse para casa. Você sabe como ele fica nessa época. Faz questão que toda família fique reunida.
Ela se aproximou de mim, me dando um selinho bem morno. Sentia como se o meu corpo fosse lançar um exército de anticorpos sobre aquele pedaço de carne. Tatiana não me provocava nada. E não era por ela ser uma mulher. Eu já havia ficado com mulheres e sentido prazer, mas no caso dela, o meu pau ficava em coma na cueca, que as vezes até eu esquecia que ele estava lá. E coçava para conferir. Mas eu gostava dela, como uma boa amiga.
Fomos os dois nos sentarmos no sofá, ao lado da minha mãe, e por alguns segundos, ninguém disse uma palavra, até que a entrona da dona Laura, não se conteve, e resolveu abrir o bocão.
- Os pais da Tatiana nos convidaram para passarmos o natal e réveillon, juntos, na casa de campo deles na serra. – Mamãe contou, quase saltando fogos pelos olhos, de tanta felicidade.
- Imagina, amor, como vai ser legal, nossas famílias juntas no friozinho da serra – Tatiana soltou um risinho, me puxando para mais um selinho. Será que ela não percebia que eu não retribuía seus beijos?
- Infelizmente, Tati, eu já tenho um compromisso que não posso cancelar em hipótese alguma – eu disse, em tom definitivo.
- Compromisso? É algo do escritório?
Minha mãe soltou uma gargalhada nervosa, como se eu tivesse acabado de contar uma piada muito engraçada.
- Benjamim está brincando, Tatiana – minha mãe disse, ainda rindo. – Pode dizer para os seus pais que aceitamos o convite com a maior honra.
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ENTRE PRIMOS
RomanceQuando crianças, Benjamim e seu primo Giuliano descobriram que havia um sentimento entre os dois maior do que os laços sanguíneos que os uniam. Sentimento este, que só aumentou com a chegada da adolescência. Contudo, não estava nos planos da mãe, po...
