Capítulo 1 - Rafael

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RAFAEL FERRACINI

"A Rainha de Gelo tá vindo." Eu olho de esguelha para minha direita, para Maria, uma dos dez funcionários desta unidade que estão sentados ao redor da mesa de reunião e ela acaba de abaixar seu celular de onde a informação de que a tal Rainha do Gelo estava vindo para cá deve ter vindo.

E parece como aquela brincadeira que eu brincava quando criança, telefone sem fio, porque assim que Maria fala isso para o seu colega do lado oposto do meu, ele passa a informação e assim vai até que para na ponta da mesa redonda onde o lugar central está livre.

Bem, pela fama que a dona tem eu já podia visualizar o tipo que ela seria. Seria uma daquelas senhoras de cinquenta ou sessenta anos que vinham para essas reuniões para dar alguns palpites que tinham nada a ver com todo o esquema burocrático ou planejado para aumento de lucros do banco.

Uma daquelas senhoras que quando tentavam sorrir para tranquilizar seus funcionários quando o banco estava passando por algum tipo de crise e isso, esse sorriso fazia suas rugas formarem uma expressão estranha em seu rosto.

Barulhos audíveis de sapatos de salto alto batendo contra o piso de madeira no corredor que dá acesso à sala de reuniões que estamos faz todo mundo parar o que estava fazendo ou falando e todos se congelam em suas poses mais robóticas possíveis, apenas eu e Ben somos os únicos mais relaxados e aparentando mais humanos do que robôs assustados.

Eu consciente preparo minha mente para o que poderia uma longa hora de reunião. Seria uma longa hora comigo e Ben tentando dizer e explicar para a senhora como as coisas deveriam seguir.

Haja saco pra isso!

Eu nunca achei que o silêncio poderia se tornar maior, mas quando a porta se abre o silêncio se torna ensurdecedor quase como um fio estridente soando em meus ouvidos. Disfarçadamente, eu olho para a porta e observo uma mulher em uma única peça preta de macacão entrar na sala com um par de salto agulha em seus pés e um rapaz mais novo entra logo atrás dela como um cachorrinho domesticado.

Droga, essa mulher não é velha nenhuma. Ela é uma gostosa do caralho com sua roupa desenhando a curva perfeita da sua bunda empinada por seus saltos e eu não posso evitar acompanhar seu andar firme e decisivo pela sala até que ela ocupa a única cadeira desocupada.

Seu cabelo castanho mel nem sequer desliza para frente enquanto ela abre a pasta com a pauta da reunião que está posta na frente da cada pessoa na mesa, seu cabelo continua intacto e imóvel caindo até o meio das suas costas. Seus olhos não são visíveis pelo fato de ela ainda estar com seus óculos escuros em estilo parecido com o de aviador.

Seus dedos com unhas bem-feitas e pintadas de vermelho-vivo retiram seus óculos em um simples movimento e lentamente como se ela tivesse todo o tempo do mundo ela o coloca na sua capa de proteção que ela tinha tirado de sua bolsa antes de colocar a capa com óculos dentro de volta na sua bolsa. Cílios grandes e escuros contornam olhos que eu ainda não posso ver a cor.

Eu me movimento desconfortável em minha cadeira quando sinto meu pau lutar contra minha calça e como eu sou o único que faz um movimento em toda a sala eu atraio seu olhar. Seus olhos poderiam lançar facas pela forma fria e controladora que ela lança um pequeno, mas duro olhar para mim antes de olhar para minha esquerda onde Ben está sentado.

Ainda bem que a mesa não é feita de vidro transparente e sim de vidro preto porque eu posso deslizar minha mão para baixo no meu colo e ajeitar meu pau que foi atingido pelas facas que deveriam cortar em vez de conter luxúria em suas pontas por seus olhos verdes com um contorno escuro nas bordas.

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