Capitulo 1

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Meu nome é Kelly, mas pode me chamar de perturbada, esquisita ou até mesmo de inconveniente, já que é assim que as pessoas costumam me definir.
Vim de muito longe, pelo menos é isso o que as governantas do orfanato Sweet Childrens me dizem.
Cheguei aqui ainda muito pequena, tão pequena que nem lembro qual foi minha primeira impressão do lugar.
Tinha 5 anos quando meus pais, que não tinham como me criar, me deixaram nesse casarão estilo vitoriano do século XV. Hoje, já com meus 12 anos, percebo o quanto a casa é incrível. Tão enigmática quanto bela, suas paredes são repletas de quadros, alguns das crianças, outros de pessoas que ninguém sabe quem são.
Apesar dos meus esforços de sorrir e tentar ser o mais simpática possível, nunca fui adotada.
-As pessoas preferem bebes, querida.- Dizia Madame Sílvia, e até que era meio verdade, mas muitas pessoas maiores já vi serem adotadas, inclusive meu melhor amigo Edson, que agora se chama Cornélio.
As pessoas que vem para conhecer os adolescentes, que é onde me classifico agora, raramente olham para mim e quando o fazem é com desdém..
Mas teve um dia que uma mulher muito bem vestida veio conversar comigo enquanto eu desenhava.
- Olá.
Eu não Sabia o que dizer, congelei totalmente, será que ela estava mesmo falando comigo? Me virei para olhar para ela e me certificar e sim, ela estava falando comigo. Respondi:
- Ah oi - esbocei meu melhor sorriso, fazendo o melhor que pude para que não parecesse forçado. Ela retribuiu o sorriso e se voltou para meu desenho.
- Que lindo, voce desenha muito bem. Aposto que essa menina aí é você não é?
- Não, na verdade é a minha mãe..- Fiz cara de triste, já vi outras crianças fazerem isso e parece deixar os adultos mais interessados.
- Ah, ela parece feliz, está até sorrindo.Isso é um sorriso ne?
- É, dizem que quando você morre seus problemas acabam...
Ela de repente esbugalhou os olhos. Será que eu tinha apelado de mais?
-Então ela morreu? Deve ter sido horrível.
Tentei fazer uma voz meio falha.
-Sinto muita saudade, mais Sinto que um dia vou encontrar uma mãe tão boa quanto ela..
A face dela desmanchou e eu tinha quase certeza que ela estava caindo na minha historinha comovente de órfã desamparada, quando aconteceu algo inesperado. Ela perguntou:
- E como ela morreu ?
Minha mente escureceu . Não imaginava que ela fosse fazer tal pergunta, achei que ia dizer que iria ficar tudo bem e me consolar. Estava pensando muito e, com medo dela desconfiar da minha história,disse rapidamente :
- É difícil eu falar sobre isso, se importa se eu não responder ?
Ela se comoveu, ufa... Fez até cara de apoio e mudando de assunto me disse:
- Me chamo Clara. Eu gostei de falar com você, e queria te conhecer melhor, o que acha de nos tomarmos um sorvete ?
Essa era uma das melhores coisas de poderiam acontecer. Ela queria sair comigo, o que significava que ela estava gostando de mim e talvez me adotaria.

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