Ambre Von POV's
França, Paris
09h45 Segunda-feira
Ajeitei meu jaleco branco e saí do almoxarifado olhando para os lados. No momento que eu vi que não tinha ninguém no corredor fiz cara de médica séria.
Olhei pra câmera e ela apontou para o lado direito, no fundo tinha um enfermeiro passando com um carrinho de medicamentos e tive certeza de que era por ali.
"Agente Von" -comunicaram comigo pelo microponto- "Você irá reto, daqui cem metros terá uma cruzilhada, você terá de virar à esquerda"
Assenti para a câmera e prossegui, uma enfermeira levava uma criança cadeirante e eu os cumprimentei. Virei a esquerda e procurei pela sala de arquivos, mas uma paciente me parou e começou a conversar comigo. Eu sempre tentava desconversar e sair dali antes que me descobrissem, mas estava complicado.
"Senhora, me desculpe, mas tenho que ir"
"Nada disso, eu ainda tenho muito que falar"
"Muito...?"
"Eu estou te incomodando falando das dores que sinto?"
Droga, se eu não falar o que é que ela tem, posso ser descoberta.
"Não, claro que não"
"Ah que maravilha"
Estou pagando pelos meus pecados e pelos que estão por vim ainda. Dei um passo para longe dela, mas ela chegou perto de mim e continuou a contar histórias sobre suas dores. Aquilo estava me irritando muito, então resolvi me vingar, uma vingança básica com ela.
"Então, com todos esses detalhes que te dei, a doutora poderia me informar o que tenho?"
"Posso ser sincera?"
"Eu exijo" -ela disse e eu sorri.
"Perante todos essas dores, como: tonteiras, dores no ventre, calafrios, peso dos lombos, entre outros; concluo, e sei que qualquer médico profissional dirá o mesmo, que..."
"Pode dizer sem medo"
"A senhora está com hemorróidas"
Me segurei para não rir, se eu risse, seria pega no flagra. A mulher ficou em vários tons de vermelho, dava quase para ver a fumaça sair de suas orelhas.
"Como disse, doutora?"
"Hemorróidas, senhora Maced" -falei com profissionalismo e ela deu uma risada sarcástica.
"Olha aqui, eu tenho certeza de que a senhorita está errada"
"Não queria magoá-la, apenas disse o que acho após o diagnóstico que a senhora me passou"
"Você não nasceu para ser médica" -ela disse e saiu batendo o pé.
Revirei os olhos e voltei à procurar, dei um suspiro de alivio ao ver a sala e empurrei a porta. Sentei-me na cadeira de frente para o computador.
Digite a senha
Escrevi o código do MIB e esperei liberar, torci para que eu não tenha errado nenhum número, simbolo ou letra, caso contrário, fudeu.
Acesso liberado
Sorri e procurei pelo nome: Brad. Pluguei o pendrive e baixei os arquivos sobre ele, escutei passos e vozes femininas se aproximando da sala.
Droga.
Olhei apreensiva para o computador e torci mentalmente para que elas não chegassem aqui há tempo.
"Sim, ele é uma graça" -uma das mulheres disse com seu francês puxado.
"E ele tem irmão ou primo?"
"Sim, claro"
"A família deve ser abençoada"
Faz tempo que eu não converso com alguém assim, na verdade faz tempo que eu não tenho uma vida.
"Agente Von?"
"Fala" -sussurrei.
"Têm três mulheres e um homem se aproximando"
"Um homem? Ele está de roupa casual ou uniforme?"
"Roupa casual, quer que eu verifique quem é?"
"Claro"
Muito estranho um homem estar aqui sem jaleco, essa área é restrita as pessoas que não são pacientes de roupas do hospital ou uniforme.
"Ai meu deus, sai dai agora"
YOU ARE READING
Made To Kill
FanfictionMinha vida sempre foi um perigo, não importa o que eu faça ou onde eu esteja. Posso tentar fugir, correr, me esconder, mas sempre terei a adrenalina e o medo correndo nas minhas veias. As pessoas tem medo de altura outras de escuro, mas o meu medo é...
