Toda a gente acha que ele foi para São Francisco por causa do pai. E de certa forma, creio que não deixe de ser verdade.
Quando acordo esta manhã, dou com um sol radiante do lado de fora da janela do meu quarto. O que é raro, em Londres.
- ''Amy, o que me dizes de irmos tomar o pequeno-almoço ao Starbucks ?'' o seu pronto fraco era não conseguir esconder o entusiasmo.
- ''Claro que sim Ava'' não pude de deixar de reparar que ela estava muito bem vestida para quem só ia tomar um pequeno-almoço.
A Ava é a minha ''super-tudo''. Em quatorze anos de amizade, nunca nos fartamos uma da outra. Eu gosto dela. E ela gosta de mim. E nenhuma das duas é lésbica.
- ''Não sei como ainda não me fartei de viver contigo, és chata !''
- ''Valá Ava, admite que tu não passas sem mim.'' toquei-lhe no ombro seguido de um riso da parte das duas. Nós definitivamente, não vivemos uma sem a outra. '' Estou a adorar o meu frapuccino''.
- ''Ele está alí ! Diz-me como é que eu estou, estou bem ? O meu cabelo está direito, certo ? Amy !'' eu avisei que o seu ponto fraco era não saber esconder o entusiasmo.
- ''Primeiramente, tu és uma falsa. Trouxeste-me para aqui, para fazer de vela. E segundamente, estás perfeita.'' olhei para o meu lado, e nem sinal da Ava.
* * *
No princípio, as coisas entre mim e ele não correram sobre rodas. Acho que isso aconteceu porque eu tinha interiorizado um certo ideal de que o amor conquista tudo. E quando ele me deixou em casa, depois do nosso primeiro encontro no Starbucks, creio que ambos tínhamos a noção de que nos estávamos a apaixonar um pelo outro. Achei que o desafio consistia em chegar até esta parte. Nos livros e nos filmes, as histórias terminam sempre quando as pessoas finalmente trocam o primeiro beijo apaixonado. A parte do ''ficaram juntos para sempre'' é um dado adquirido.
Connosco, as coisas não foram bem assim. Acabámos por constatar que o facto de virmos de pontas tão distantes do universo social tinha as suas desvantagens. Quando um de nós dizia alguma coisa, o outro começava a falar ao mesmo tempo.
- ''Diz tu.'' pedia eu
- '' Não, diz tu primeiro !'' insistia ele
Aquela delicadeza era dolorosa. Apeticia-me passar à frente daquele impasse, regressar ao brilho da noite do starbucks, mas não sabia como fazê-lo. Ele convidou-me para assistir à banda de uns amigos a tocar. Essa foi a experiência ainda pior do que as que passavamos na escola. Ele estava sempre rodeado de pessoas excêntricas e animadas, de raparigas giras. Eu não tinha jeito nenhum para aquela coisa de groupie. Assim que os seus amigos chegavam, eu afastava-me para o lado. Ele tentava puxar-me de novo para junto de si, mantendo um braço em torno da minha cintura, mas eu soltava-me e saía dali. Eu odiava ir aos concertos dos seus amigos.
- ''Já não gostas de mim ?'' atirou-me ele depois de um concerto. Estava a brincar, mas pude sentir a mágoa subjacente áquela pergunta tão súbita.
- '' Não sei se é boa ideia eu continuar a vir aos concertos.''
- ''Porque não ?'' desta vez, não tentou disfarçar a dor
- ''Sinto que te impeço de te divertires. Não quero que tenhas de te preocupar comigo.'' ele respondeu que não se importava de se preocupar comigo, mas eu sabia que isso não era inteiramente verdade.
Quando já estavamos juntos há um mês, levei-o a jantar lá a casa. Ele foi-se sentar na cozinha a falar com o meu pai. Eu fiquei a observar, mas ao contrário do que acontecia nos concertos, eu não me senti posta de parte. Adam não pode conter um sorriso envergonhado. Aproximou-se de mim e sussurrou-me ao ouvido:
- ''Acho que estou um pouco incomodado por ter mais intimidade com o teu pai do que contigo'' ri-me, não deixava de ser verdade.
Ao longo das nossas poucas semanas de namoro, não tinhamos passado muito além dos beijos. Não por eu ser muito puritana. Eu era virgem, mas não fazia questão de permanecer assim para sempre. E tenho a certeza de que ele não o era. '' Talvez seja hora de tratar disso'' murmurei. Ele ergueu a sobrancelha, como quem me ia colocar uma questão. Em resposta, corei. Passámos o jantar a lançar sorrisinhos um ao outro.
Depois do jantar, subimos rapidamente para o meu quarto e fechamos a porta. Os meus pais nunca me referiram regras em relação ao assunto ''namorado'', mas eu tinha a sensação de que eles sabiam aquilo que se estava a passar entre mim e ele, e apesar de o meu pai gostar de desempenhar aquele papel de ''pai que sabe tudo'', a verdade é que, quando se tratava de amor, tanto ele como a minha mãe eram um bocado ingénuos. Ele deitou-se na minha cama e esticou os braços sobre a cabeça. A sua cara sorria de uma ponta à outra.
- '' Não tens noção do quão linda tu és'' replicou ele.
- ''Ah, para de dizer mentiras !'' eu resmunguei ''Não preciso que me digas isso para eu me sentir bem''.
- ''Acho que quem diz a verdade não mereçe castigo'' riu '' Sua parva'' ele puxou-me para a sua beira, e abraçou-me. ''Fecha os olhos'' fiz o que ele me pedira. Começou por me dar beijos na testa, em seguida mexeu no meu cabelo e desceu com os beijos até à minha boca. Percorreu os meus braços com as suas mãos causando-me arrepios. Desceu passando com a sua mão por cima dos meus seios até à minha barriga, e nela depositanto pequenos beijos. Contornou a minha cintura com um dedo de cada mão, e desceu até ao fim das minhas pernas. '' Agora já te conheço melhor.'' sussurrou. Ambos ri-mos.
Depois daquele dia continuamos a ter os nossos problemas, mas ser demasiado educados um com o outro deixou de ser um deles.
* * *
Assim como todos os dias, fiz o meu caminho de carro até a Universidade. Dirigi-me até à cafetaria, onde normalmente tomo o meu pequeno-almoço com Ava, que ficou em casa a dormir, e pedi um café.
- '' Posso sentar-me aqui, contigo ?'' uma voz masculina que não me era nada estranha, perguntou.
- ''Claro Niall, senta-te.'' ele pousou o seu croissant recheado em cima da mesa, e sentou-se. ''Estou a achar muito estranho, tu estares aqui a esta hora.''
- ''Quem disse que eu não gosto de me levantar cedo ?'' encarou-me com os seus olhos azuís ''Bem, não estou aqui para discutir este tipo de motivos contigo, mas sim para te contar uma coisa'' continuou sem ao menos me deixar falar ''Amy, eu ontem falei com ele.''
- ''Ouve Niall, se vens aqui dizer-me o que eu já sei, podes voltar para o teu grupo de amigos parvos que têm a mentalidade de crianças de sete anos. Eu só quero seguir em frente, porque sinceramente eu não o consegui fazer até hoje.''
Alguns dias são bem perturbadores e nunca sei bem como lidar com eles. De certa forma resisto um pouco em dar o braço a torcer para a falha. Eu não sei perder, mas também não me importo em não ter razão. Um lado orgulhoso ainda tem muito o que aprender sobre os precipícios. Nem sempre quero cair, às vezes, mesmo torta, exausta e arrastando-me quero continuar a andar. Preciso de aprender a me deixar levar, a aceitar que chega um momento em que perdemos a força e a própria verdade. Mas recuso-me a ser infeliz. Por isso esforço-me em manter a esperança acesa. Acho que foi mais ou menos assim que sobrevivi até hoje
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Fall for you (harry styles)
FanfictionIntrodução A história por detrás da história Era uma vez dois jovens apaixonados: uma rapariga de dezasseis e um rapaz de dezasete anos. E era uma vez a ida para a faculdade. E uma separação. E um misterioso porquê. Era uma vez um casal, cheio de...
