Sabrina, Sabrina...

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A Universidade Brenner abria as portas para os calouros da região. E, de uma cidadezinha do interior, Sabrina Álvares surgia. Desceu do ônibus, temerosa com as pessoas que ia encontrar. Pegou a bolsa, colocou sua boina preta e entrou no prédio. Pensava consigo mesma:
- Quem são essas pessoas? O que elas vão querer de mim...

Sabrina tinha 17 anos. Cabelos longos e cacheados, gorda e branca. Medrosa. Mais que depressa, ajeitou seus cabelos escondidos pela boina e adentrou a sala.
Mais pessoas estranhas. O mundo desabando.

Quem seria Sabrina no meio de zumbis?

Isso era uma hipótese.
Não era para ela estar ali. Letras não era o curso que queria, mas, a contragosto seu, foi obrigada a aceitar esse desafio.
A professora entrou na sala, cordial. Deu boa noite a todos ali presentes. Sabrina só pensava em sumir, voltar para o ônibus, se livrar daquilo tudo. Resolveu então dar uma volta pelo prédio da universidade, tomar uma água e voltar rapidamente.

Ela não contava com um encontro inusitado.
Perto do bebedouro, Sabrina se deparou com um rapaz em prantos. Notou que ele estudava na mesma sala que a sua.
- O que será que aconteceu com ele?
Aproximou-se dele, como quem não queria nada, e começaram a conversar.
-Hey, tudo bem com você?
- Acho que sim. Não sou do tipo que demonstra sentimentos, mas hoje eu estou um pouco triste.
-O que houve?
- Desculpe moça. Não sou acostumado a falar com estranhos. Mas vi em você uma chance de desabafar. Sou um estranho em meio a tudo isso. Estou com medo do que pode vir, e não quero decepcionar meus pais.
- Relaxa, eu também me sinto assim. Não estou me encontrando aqui também. Mas vamos nos encontrar juntos. O que acha?
Nesse momento, os olhos castanhos de Diogo encararam os olhos castanho-mel de Sabrina.
- Obrigado. Pode ser, quem sabe, né?
Sabrina esboçou um largo sorriso.
Logo tornaram-se amigos e voltaram para a sala. Ele sentou uma carteira à sua frente, e sorriu. Ela estava contente. Seu primeiro dia não tinha sido de todo ruim.
Ao término das aulas, pegou o ônibus, e quando chegou em casa, abraçou fortemente sua mãe e disse:

- Mãe, vai ser uma merda, mas acho que vou conseguir.

Antes de dormir, Sabrina pensou naquele encontro com Diogo, o rapaz misterioso.

- Tenho a impressão de que ele vai mexer com o meu psicológico...

Dormiu, em meio a tanta turbulência. Amanhã seria um novo dia.

Letra(s) e Música(s)Where stories live. Discover now