Ando só

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I

Ando só e vejo

Vejo e me invade o cinza

do asfalto

e dos muros verticais

que me olham caminhando

entre eles e o branco-cinza

do céu de milagres inescrupulosos que

selecionam preces e

rejeitam preces de pessoas que

amam o despeito, amam

a desgraça e situações de tragédias e que

olham para branco-cinza do céu

e clamam

milagres inescrupulosos

milagres selecionados de

preces seletas e

outras rejeitadas

preces

E vejo caminhando entre o céu

e o vertical cinza e o

asfalto pessoas

e bagagens, compras

do comércio do céu cinza-branco

vertical carregando sacolas

cheias do vazio

Lojas em vincos do cinza que

se acumulam entre os vasos sanguíneos

que vertem concreto de suas veias

E vejo pessoas-cigarras de metal

cantando freneticamente suas

cantorias melódicas em desespero

uníssonos

coléricos

Cântico da primavera das almas

Cinza mundo o mundo das

sacolas cheias do vazio

do vazio, do vazio ah!

E esses homens e mulheres cigarras

se vangloriam e se

entorpecem com o gozo frívolo

e o êxtase vão.

Céu Sujo. Obsceno.

II

Ando só e vejo

E renui-se os olhos meus

e pelo desvairado das cigarras de metal

Agudo

Loucos e loucas dançando

agora no mar da lua lassa, fria

Dança dos dissimulados

infelizes felizes

trágico desespero e desordem mas

elas compram e enchem sacolas do vazio

comprando calor do

calor de uma fogueira de gelo

no mar da lua lassa, fria

III

Ando só e vejo

Incendiários de pneus

ébrios e eu

Ando sóOnde histórias criam vida. Descubra agora