Pov.Hades
Havia algo de errado. Algo muito errado. O ar vibrava, parecia que todo o mundo inferior segurava a respiração. Eu sentia no fundo do meu âmago que algo se agitava no Tártaro, algo ou alguém. Não, isso é apenas medo de criança, a mesma criança que olha embaixo da cama antes de dormir para conferir se nada tem em baixo. No meu caso é dentro do Tártaro que olho antes de me dar o luxo de descansar.
Mas meus medos não estavam infundados. Há muito tempo é previsto a volta dele, mas por que haveria de acontecer agora, por que hoje? Não tinha como ele ter forças suficientes para ressurgir, a não ser que... Não, não tinha sacrifício tão grande, não houve tempo para que fosse conquistado tal sacrifício e se eles estivessem perto de conseguir os semideuses teriam impedido, mas mesmo assim..
Eu tinha que conferir, é o meu reino e ninguém mais além de mim tem a obrigação de cuidar dele e de mantê-lo.
Um deus não tem exatamente que dormir, mas mesmo assim precisam descansar, alguns preferem meditar, outros "saem do ar" que é o mesmo que parar de usar seus poderes por um período de tempo, o que é um pouco perigoso, mas faz efeito rápido, e outros simplesmente dormem como eu.
Mas naquela noite o sono custou a vim, sim deuses também têm insônia. Levantei-me lentamente para não acordar minha mulher, mas meus esforços se mostraram vãos quando Perséfone se virou nos lençóis e me encarou com negros olhos sonolentos, porém perspicazes.
- Meu senhor - ela disse - o que aflige o seu sono - ela estendeu a mão para tocar meu rosto.
- Preciso verificar o Tártaro - afastei sua mão antes que ela me tocasse, aquele toque era embriagante e perigoso.
- Espere a Alvorada senhor, não há mal em fechar os olhos por alguns segundos - sua voz era inebriante, quando queria, Perséfone podia ser tão convincente quanto Afrodite.
- Mas não adianta eu ficar me revirando se sei que não vou conseguir dormir sem... - as palavras ficaram presas em minha garganta, pois o chão se sacudiu de forma tão anormal que me levantei com um pulo, nesse momento um de meus cervos, um guarda da noite entrou em meus aposentos sem pedir licença ou bater na porta, ou seja, algo de muito grave havia acontecido.
- Meu senhor - ele estava ofegante, com terror nos olhos - venha, nós... Eu... - por que hoje? - Está acontecendo...
- Fale logo, o que houve? - ela sabia, mas não queria acreditar. Por que hoje?
- O Tártaro - ele falou a palavra como se tivesse lhe custado um sopro de vida, seus olhos estavam aterrorizados, procuravam em mim algum conforto, por que hoje?
- Traga meu elmo - eu disse desviando os olhos para minhas roupas que imediatamente se transformaram em uma armadura completa de batalha.
Pov Lisbeth
O chão tremeu e eu acordei. Não me lembrava de ter sonhado, mas lembrava do modo como acordei. Algo estava errado. Terrivelmente errado. Algo acontecia no reino do meu pai e eu precisava ajudá-lo.
- Lucan, Raphael, acordem, eu preciso de vocês - eu falei em alto e bom som. Eles, que não tinham sono pesado, levantaram no mesmo momento.
- O que houv... - começou Lucan, mas ele também sentiu a vibração que vinha da terra.
- O Tártaro - falaram em uníssono. Raphael saiu do chalé, provavelmente para avisar Quíron, ele sabia que eu não teria paciência ou calma de ir atrás dele. Eu e Lucan nos trocamos e vestimos a armadura, pegando escudos, espadas e armas mágicas que tínhamos e nossas espadas de ferro estigio.
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Apocalypse Of The GODS
FanfictionUma prole dos deuses irá nascer Forte como ninguém viu e talvez nunca mais irá ver Com um inimigo a retornar A desgraça sobre o Olimpo cairá Sangue de criança irá verter E do Tártaro algo há de nascer Os Olimpianos irão sangrar E apenas pela mão do...
