Quando cheguei a tal escola, fui recepcionada por uma rajada de vento frio e poeira. Fui sozinha.
Liguei a câmera de visão noturna que eu era obrigada a usar. Desnecessário.
Segui o corredor que levava as escadas. As portas das salas de aulas fechadas e com teias nos cantos; algumas estavam quebradas.
Olhei, na beira das escadas, para baixo.
Virei-me de costas para a escada e olhei o corredor que estava atrás de mim. Entrei na primeira porta á esquerda.
A porta estava com a maçaneta quebrada e rangia quando era aberta. As cadeiras e classes estavam amontoadas e quebradas no canto da sala. O piso nesta sala era de madeira, que depois de tantas chuvas, a madeira já havia apodrecido e aberto buracos no chão. Sai da sala e fui para a outra, na frente.
Nesta, o piso era de placas de madeira também, mas como era mais resistente, não estava tão esburacado. O piso estava opaco, há muito tempo não era encerado.
A escola havia sido fechada em 1987 por causa dos assassinatos e suicídios presenciados.
Alguns deles:
· O enforcamento de Sarah Parker, de 13 anos. Sarah (de acordo com á pericia) se enforcou em horário de aula. Seus colegas não perceberam que ela havia se afastado. Na hora do intervalo, um grupo de alunos que saía da aula e descia para a quadra esportiva, viu o corpo de Sarah pendurado na escada.
· Paul Denlex foi empurrado pelo seu colega de classe, Edward Lion, da única janela sem grades da escola. Paul caiu de mais ou menos, três metros indo direto ao chão. Quebrou o braço direito, a perna, que teve fratura exposta, e sofreu traumatismo craniano. Paul foi direto para o hospital, mas não durou dois dias. Já Edward foi espancado até a morte pelos amigos de Paul. Todos foram presos.
· Patrich Louel, um professor de química que, de acordo com a família, não suportava mais o seu trabalho e os alunos que tinha, pegou um estilete e cortou sua garganta em uma de suas aulas. Muitos de seus alunos se recusaram a colocar os pés novamente na escola e os que continuaram a ir, não falavam sobre o assunto e evitavam ao máximo falar sobre mortes, seja do que for.
As pessoas comentavam sobre a escola; diziam que ela era assombrada e que um espírito maligno havia se apossado do corpo de Sarah, Paul e Patrich. Os espíritos malignos seriam das pessoas que haviam sido enterradas embaixo da escola, que fora construída em cima de uma casa de família que enterrava seus entes queridos em seu jardim. Há rumores que seus túmulos estão no porão da escola.
Depois de ver todas as salas, resolvo descer a escada. Os degraus estão escorregadios por causa do limo e da água da chuva da noite anterior. Não existe mais teto acima de minha cabeça; a chuva havia feito o teto desabar, o que bloqueava o caminho para o resto da escada. Empurrei as telhas e os restos de madeira do caminho e consegui passar. Minha bota escorregou e eu me choquei com um pedaço afiado de telha, que rasgou a minha calça na altura da coxa.
O corredor que se seguia no fim da escada, estava escuro e cheio de lama. A única luminosidade que havia ali era a que vinha de dentro de uma sala mais á frente. Fui até ela.
Lama, jornais e papeis de bala. Fico pensando que atrocidade havia acontecido ali. E eu acredito que não tenha sido algo muito legal.
Vasculho a sala com os olhos, sem ter a mínima vontade de colocar meus pés ali dentro. Nada que chamasse a minha atenção. Sai dali e tentei as outras duas portas mais a frente.
Uma estava aberta, nela continha uma mesa que antigamente, parecia ser de jogo de botão. Agora destruída e sem nenhuma utilidade. Saio da sala e tento a outra porta, verde.
Trancada.
Tento novamente, forçando-a, penso que poderia estar apenas emperrada, mas não. Está trancada.
Apoiei a câmera em um armário velho ali do lado, apontando a lente para a porta, e saio a procurar alguma coisa para abrir a porta.
Volto dois minutos depois com um pedaço de ferro da mesa de jogo de botão. Bato na maçaneta, e a única coisa que consigo é quebrá-la. Miro nas dobradiças e de uma a uma vou retirando-as. A porta cai com um baque. Vejo que a porta não está podre como as outras.
Pego uma lanterna na minha mochila e entro.
O porão, pelo o que parecia ser, estava frio. Frio e limpo demais. Não havia sinal de goteiras ou lama. Na sala principal só havia um cofre, bem no meio da sala.
Tudo estava limpo. E também havia mais três portas. Tentei a primeira; destrancada.
Não havia piso; quatro placas estavam cravadas no chão com os seguintes nomes: Sarah, Paul, Patrich e Edward.
A terra estava úmida e as placas pareciam novas demais.
Fui para a outra sala; do lado de fora dava para sentir um odor forte de podre. Peguei uma mascara e coloquei luvas. Abri a porta.
Corpos.
Corpos amontoados no canto da sala fechada. O sol que entrava pela janela atingia em cheio os corpos, que praticamente cozinhavam ali. Por isso o cheiro. Fui até os corpos e examinei. Ao todo eram treze. Os rostos eram irreconhecíveis. Foram queimados. Em seus pulsos haviam manchas roxas meio amareladas. Percebia-se que eram cinco mulheres e oito homens. Aposto em drogados. O cheiro já estava insuportável. Sai da sala.
Fui á outra sala, a porta também estava destrancada.
A parede estava quebrada. Não sei como a escola não havia desabado desse lado. Lixo e mais lixo. O pasto invadia a sala por entre as garrafas de bebida alcoólica e as bitucas de cigarro. Pedaços de roupas velhas, chinelos sem as alças, garrafas pets, papeis de cupons fiscais, pedaços de tábuas, restos de cascas de frutas e legumes em decomposição. As únicas coisas vivas ali era eu e os ratos que cruzavam por entre meus pés.
Sai dali e fechei a porta. Aquela sala ali era um contraste com toda a limpeza do restante porão.
Era obvio. Alguém havia estado ali pouco tempo atrás. No máximo dez dias atrás.
Sai do porão deixando a porta caída atrás de mim. Foi ai que eu me lembrei da câmera. E ela não estava mais lá.
Conferi novamente; nada. Procurei dentro do porão, dentro da mochila, dentro das salas, dentro do armário podre. Nada novamente.
Peguei a mochila e subi a escada novamente.
Quando subia a escada, tive o um ímpeto de olhar para cima. E lá estava ela. Minha câmera na beira da murada da escada, prestes a cair.
Subi o restante da escada praticamente correndo e escorregando nos limos. Quando cheguei ao topo, percebi que a câmera não estava mais lá. Nem no chão, nem em lugar nenhum para onde eu olhasse. Tive raiva. Mais raiva de quem? Raiva das pessoas que me disseram que este lugar era assombrado. Recuso-me a admitir. Só vendo para crer.
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Louise
ParanormalLIVRO FISICO: Á venda no site da Autografia Editora: http://www.autografia.com.br/loja/louise/detalhes Muito obrigada! ~~§~~ Sinopse: O céu estava escuro e o dia frio. Resolvi investigar a tal escola abandonada no lado leste da cidade. Pesquis...
