XII Capitulo

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Enzo

Fui até ela e dei um beijo em sua cabeça.
- Bom dia. - falei para as duas, Lara e Malu.
- Bom dia gatinho. - Malu falou brincando e rindo. - Você é novo namoradinho da Lara, é? Garoto de sorte.
- Malu!!!! Ele não é meu namorado. - "ainda", pensei.
- Ihhh desculpa, senhorita! - Nós rimos.
- O que você está fazendo? - puxei uma cadeira e sentei ao lado de Lara, ela me deu um selinho e disse:
- Estou acabando de comprar as passagens para o Brasil, amanha mesmo eu viajo. - De novo??? Amanha??, pensei. - O enterro da minha mãe é amanha de noite.
- Eu posso fechar o consultório e ir com você. Não tem problema. - eu disse e ela me olhou tentando dizer algo.
- Não, não precisa, tem gente que precisa de você aqui. - odeio quando ela não pensa em nós.
- Você vai precisar de mim la, eu vou. Compra duas passagens. - eu disse. - Você vai? - perguntei a Malu.
- Não... não quero ir. Não sei se vou conseguir assistir a cerimônia. - Malu diz e imeditamente olho para Lara, que chora calada enquanto compra as passagens. Não suporto vê-la assim.
- Nós iremos amanha, 16:30 da tarde, ok? - ela me olha e eu confirmo com a cabeça.

Lara

A ficha ainda não caiu. Ainda lembro como se fosse agora, meu pai me ligando e me dando a notícia. Posso lembrar do rosto de minha mãe dizendo que me amava. Enzo veio a minha casa e dormimos juntos, ele conseguiu me distrair e consegui pensar em algo diferente.
Enzo disse que queria ir comigo, mas odeio quando me vêem chorando. Nesse momento eu não consigo controlar as lágrimas. Ninguém sabe a dor que é perder uma mãe, sem que tenha perdido. No final de tudo, comprei uma passagem para Enzo e embarcaremos amanha de tarde.
- Não vou ficar aqui enquanto você vai para o Brasil... Vou para casa da Aninha e da Carol... - Malu me diz, eu confirmo com a cabeça e ela sobe as escadas.
Enzo tira o computador da minha frente e puxa a cadeira que eu estava sentada para frente dele.
- Eu sei que ta dificil, que a dor que você ta sentindo não tem tamanho, mas eu não posso te ver assim e não fazer nada. - ele diz.
- Você não pode fazer nada... Ninguém pode. Só de você estar indo comigo ja é uma grande ajuda. - tento sorrir.
Enzo me levanta e vamos até meu quarto, deito na cama e ele senta ao meu lado.
- Ja fez sua mala? - ele pergunta.
- Não... vou fazer de noite. - ele levanta e vai até meu guarda roupa e pega algumas roupas, calcinha e sutiã.
- Pronto, só não sei aonde fica a mala. - rimos e eu agradeço com um sorriso.
- Fica ali. - Apontei e ele pegou. - Deita aqui.
- Você não quer dormir hoje la em casa não? Vai ficar melhor pra gente. - ele diz deitando de barriga para baixo.
- Se não incomodar... - eu digo.
- Ah realmente, você incomoda bastante. - nós rimos. - Não sei porque diz isso, sabe que não me incomoda.
- Ok então. - digo

••

Chegando a casa dele, subimos para o seu quarto e ele me pede para esperar enquanto toma banho. Olho para seu quarto e vejo uma foto dele e com duas pessoas que provavelmente seriam seus pais. Eram bem parecidos. Enquanto me distraio com as fotos, Enzo grita do banheiro que esqueceu a toalha e pede uma cueca. Esse garoto só não esquece a cabeça porque está grudada.
- Onde tem cueca? - eu grito.
- Dentro do armário na primeira gaveta. - ele responde gritando também. Vejo varias cuecas e quase todas são pretas e cinzas, todas da Calvin Klein. Balanço a cabeça tentando focar no que ele pediu e pego a toalha.
- Toma. - Abro um pouquinho a porta e deixo em cima de um banquinho que havia do lado dela.
Espero uns 5 minutos e agradeci a Deus mentalmente pelo o que vi. Enzo saiu do banheiro só de cueca. Tentei disfarçar e não olhar para o ponto que eu mais queria ver, mas meus olhos me obrigavam a olhar. Aquele volume todo não poderia ser verdade... Fiquei espantada.
- Quer tomar um banho? - Ele perguntou.
- Pode ser. - Peguei minha toalha e minhas roupas, entrei no banheiro e tranquei a porta por via das dúvidas.

Tomei meu banho e para minha felicidade: minha menstruação tinha acabado.
Obrigada Deus, pensei.
Sai feliz da vida do banheiro e deitei ao lado de Enzo. Por mais que nossa vontade um do outro fosse maior que tudo, não tinha clima... Mas quem sabe outro dia.

••

Acordei, olhei para o relógio e PUTA QUE PARIU SÃO 15:30!!!!!! Como só acordei agora????
- Enzo, acorda... Enzo!!! - ele acordou espantado.
- Oi, o que houve?? - disse não entendendo nada.
- Estamos atrasados, bota uma roupa que a gente tem que ir rápido para o aeroporto!!!
Levantei com tanta pressa que tirei a roupa na frente dele mesmo e senti seus olhos encima de mim. Botei uma calça escura preta e uma blusa de alça branca.
- Para de me olhar e bota uma roupa. - disse pra ele e ele riu.
Enquanto ele se arrumava conferi se estava tudo certo para a viajem.
- Vamos! - descemos a escada correndo e entramos em seu carro. Enzo botou as coisas na mala e partimos para o aeroporto. Chegando la faltavam 8 minutos para o avião decolar mas conseguimos entrar.

Enzo

Finalmente embarcamos e logo que sentamos nas poltronas, Lara dormiu. Fiquei olhando pro nada e pensando na vida.

"Senhores passageiros, peço por gentileza para que todos se preparem para o desembarque."

- Lara... chegamos - ela acorda e se espreguiça.
- Passou rápido. - ela diz enquanto eu me levanto pegando nossas coisas.

Saímos do avião e o taxi já nos esperava. Nunca tinha vindo para o Brasil, Lara estava calada e prestando atenção no caminho que o taxista fazia.
- Chegamos. - o taxista avisa.
Eu pago e descemos do carro.
- É aqui... Aqui é a casa dos meus pais. - Lara diz e entramos.

Lara

Meu pai me recebeu com um carinho imenso que ele sempre teve. Olhei para aquela casa e me lembrei de mamãe, o cheiro dela veio a tona e eu tive que conter as lágrimas.
- Pai, esse aqui é o Enzo, meu amigo. - eu disse e meu pai o cumprimentou com um aperto de mão.
- Prazer, Sr. - Enzo disse.
- Fique a vontade. - Meu pai disse para nós.

Fui em direção ao meu antigo quarto, havia uma cama de solteiro e uma bancada, apenas. Olhei para Enzo e ele estava calado, encostado de ombro na porta fechada. Fui até ele e o abracei, agradecendo por estar aqui.
- Não podia deixar você vir sozinha. - ele disse e meu deu um selinho. Ouvi meu pai me chamar e fui até a cozinha onde ele estava.

- Minha filha, o enterro é daqui a 20 minutos. - só dele falar aquilo ja comecei a chorar.
- Eu ainda não acredito que isto aconteceu. Mamae estava bem e do nada ela se foi. Não sei como vai ser nos próximos dias. - meu pai me abraçou e eu fui até meu quarto pegar um casaco pois estava começando a esfriar.

No caminho do cemitério, Enzo segurava minha mão e eu ja não sabia da onde que vinham tantas lágrimas.
Chegando la minhas tias e meus primos vieram me abraçar e eu sentia olhares sobre mim como se quisessem dizer "coitada dessa menina, perdeu a mãe tão jovem". Meu olhar estava fixo ao chão e quando vi o túmulo de minha mãe, corri até ele e ajoelhei sobre o chão, abraçando minha mãe que estava dentro daquela merda de caixão, morta.
O cerimonialista começou a falar sobre minha mãe. Eu só sabia chorar e chamar pelo seu nome, pedindo para que ela voltasse... Tentaram me levantar mas eu gritava pedindo para que me deixassem.

Enzo

Todos ali estavam chorando, inclusive eu. Nunca vi Lara tão mal e nunca pensei que isto doeria tanto. Ela estava ajoelhada ao lado do caixão e gritando pela sua mãe.
-Não, não, não, não podia ter acontecido... Porque??? Porque mãe??? Eu não sei viver sem você aqui comigo mãe, volta... Mãe por favor!!!! - Ela chorava tanto que eu estava a ponto de sair dali pois não agüentava mais vê-la sofrer.
Ela era muito querida por todos pelo o que eu via. Devia ser mesmo. Aquilo estava me machucando, Lara não merecia, ninguém merecia essa dor...
Dois caras a puxaram para se afastar e o caixão de sua mãe foi posto no buraco que haviam feito.
- Naaaaaaaao!!!!! Mae!!!!! - e ela chorava. - Me solta por favor!!!! - ela tentava se soltar mas acabou sentando naquele chão de terra, sem forças. Todos aplaudiram a vida da mãe dela e aos poucos as pessoas foram embora.
Suas tias a pegaram e levaram para a casa de seu pai. Pedi um taxi e fui depois...
Chegando la, estavam apenas Lara, seu pai, uma moça e dois homens, que deveriam ser seus tios.
- Lara, essa aqui é a Marta, um psicóloga, ela vai conversar com você. - seu pai disse.
- Eu não quero falar com ninguém. - ela estava encolhida no sofá, com as pernas para cima.
- Lara você precisa, pro seu bem. - Os dois caras puxaram Lara para uma sala contra a vontade dela, e ela gritava dizendo "não".
- Enzo me ajuda!!! - era o que faltava para eu gritar com os caras e puxar Lara para perto de mim.
- Porra você não ta vendo que ela não quer??? Não conseguem respeitar a vontade dela??? - eu disse e Lara me abraçava forte molhando minha camisa com suas lágrimas.

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