Parte 5

103 0 0
                                        

Passaram-se as semanas e as férias também. Os alunos estavam super animados a voltar. Não só pelas aulas, claro, mas para rever os amigos. Rafael, Pedro e Lavínia estavam à frente de Sara e Isabela e se formariam naquele mesmo ano.

Não estavam totalmente cientes das mudanças que viriam, o que seria surpresa, principalmente para Sara.

Ela sempre passava na casa de Isabela antes de irem para o colégio, pois as duas eram como unha e carne.

Logo no portão, já notaram algo que mudou o semblante de Isabela na mesma hora.

A garota da pousada. A tal da Juliana. Ela era muito bela e atraía olhares, não só por ser bonita, mas pelo jeito insinuador que tinha. Pele clara, cabelos pretos e longos, olhos castanhos amendoados. Não fazia questão de esconder o quanto gostava de ser admirada.

Isabela sabia que ela seria um problema, só pela expressão desafiadora que mostrou logo que as duas entraram.

Rafael veio em direção à Sara, cumprimentando com um abraço e um beijo.

- Eu senti sua falta durante as últimas semanas em que não nos vimos - disse ele.

- Eu também, meu amor.

- Está bem, agora vamos?! - disse Isabela, já se antecipando.

Não vou entrar em detalhes sobre os acontecimentos desse ano. Sara e Rafael estavam namorando, finalmente. Lavínia e Pedro estavam juntos também, o que não era novidade para ninguém. Isabela estava numa boa, como sempre esteve. Nunca se preocupava com coisas irrelevantes. Ela acreditava que a vida é muito mais que existir só para resolver problemas.

Houve alguns conflitos por causa de Juliana. Ninguém sabia como ela foi parar justamente onde Rafael estudava, mas sabiam o porque.

Passaram-se alguns meses, até que o inevitável aconteceu:

- Eu não entendo por que você se preocupa tanto com ela! - disse Rafael, já aos gritos.

- Pensa mais um pouco e vai descobrir! - Sara estava exaltada - ou se esqueceu do que houve nas férias e de como ela fica se insinuando pra você? Parece que você até gosta, não é!? Eu já aguentei muito até aqui, Rafael. Dá logo um fora nela ou eu mesma o faço.

Ele se calou. Todos se calaram, no pátio principal do colégio. Era a primeira briga desde que iniciaram a relação e Sara, nunca, nunca havia falado assim.

Lavínia ouviu os gritos e foi ver o que estava acontecendo:

- Gente, o que tá rolando aqui?

- Essa louca da sua amiga que não consegue se controlar. - Rafael falou, já deixando o pátio.

- Amiga, o que foi? - disse Lavínia, ao perceber a multidão - saiam daqui vocês! Eu, hein, nunca viram uma discussão de casal?!

Enquanto se dispersavam, voltou-se para Sara e perguntou:

- Por que ele disse aquilo?

Os olhos de Sara ficaram rasos d'água e Lavínia logo deduziu:

- Aquela sem vergonha... mas ela vai me escutar!

- Não faz isso, por favor. Eu resolvo. - Sara estava distante, como se estivesse pensando em tudo o que ocorrera a minutos atrás - Que vergonha, Lavínia. Eu sempre odiei esse tipo de conduta. Sou ciumenta, sim, mas não à ponto de fazer um escândalo desses. Eu gritei com ele na frente de todo mundo.

- Calma! - disse Lavínia, com um sorriso - amiga, eu já estou acostumada com isso. E você fez bem, porque se tratando dessa destruidora de casais, podemos esperar qualquer coisa.

- Como sabe que ela é assim?

-Ah, eu vejo a cara que ela faz quando você passa e como fica olhando para o Rafa. Não sei como suportou essa situação por tanto tempo, Sarinha. Se ela ousasse sequer da uma olhadinha para o Pedro, não teria mais olhos.

Felizmente, Lavínia conseguiu tirar um esboço de sorriso de Sara.

Rafael foi para a biblioteca. Havia uma mesa com computador na entrada, sofá e uma TV com DVD em frente. Ele se sentou, ligou a TV, mas não prestava atenção em nada. Foi quando Juliana entrou na sala, sentou-se ao seu lado e começou a dizer:

- Eu não acho certo o que a Sara faz com você. Parece que o sentimento não é recíproco. Não tenho nada contra ela, mas você merece alguém que te ame também.

Ele a olhou e ela continuou:

- Eu sei que está triste e confuso pelo que houve hoje e que, talvez não queira conversar, mas se precisar você sabe onde me encontrar.

Se levantou e, quando já ia saindo pela porta, ele a chamou:

- Espere.




















Por AmorOù les histoires vivent. Découvrez maintenant