Passaram-se as semanas e as férias também. Os alunos estavam super animados a voltar. Não só pelas aulas, claro, mas para rever os amigos. Rafael, Pedro e Lavínia estavam à frente de Sara e Isabela e se formariam naquele mesmo ano.
Não estavam totalmente cientes das mudanças que viriam, o que seria surpresa, principalmente para Sara.
Ela sempre passava na casa de Isabela antes de irem para o colégio, pois as duas eram como unha e carne.
Logo no portão, já notaram algo que mudou o semblante de Isabela na mesma hora.
A garota da pousada. A tal da Juliana. Ela era muito bela e atraía olhares, não só por ser bonita, mas pelo jeito insinuador que tinha. Pele clara, cabelos pretos e longos, olhos castanhos amendoados. Não fazia questão de esconder o quanto gostava de ser admirada.
Isabela sabia que ela seria um problema, só pela expressão desafiadora que mostrou logo que as duas entraram.
Rafael veio em direção à Sara, cumprimentando com um abraço e um beijo.
- Eu senti sua falta durante as últimas semanas em que não nos vimos - disse ele.
- Eu também, meu amor.
- Está bem, agora vamos?! - disse Isabela, já se antecipando.
Não vou entrar em detalhes sobre os acontecimentos desse ano. Sara e Rafael estavam namorando, finalmente. Lavínia e Pedro estavam juntos também, o que não era novidade para ninguém. Isabela estava numa boa, como sempre esteve. Nunca se preocupava com coisas irrelevantes. Ela acreditava que a vida é muito mais que existir só para resolver problemas.
Houve alguns conflitos por causa de Juliana. Ninguém sabia como ela foi parar justamente onde Rafael estudava, mas sabiam o porque.
Passaram-se alguns meses, até que o inevitável aconteceu:
- Eu não entendo por que você se preocupa tanto com ela! - disse Rafael, já aos gritos.
- Pensa mais um pouco e vai descobrir! - Sara estava exaltada - ou se esqueceu do que houve nas férias e de como ela fica se insinuando pra você? Parece que você até gosta, não é!? Eu já aguentei muito até aqui, Rafael. Dá logo um fora nela ou eu mesma o faço.
Ele se calou. Todos se calaram, no pátio principal do colégio. Era a primeira briga desde que iniciaram a relação e Sara, nunca, nunca havia falado assim.
Lavínia ouviu os gritos e foi ver o que estava acontecendo:
- Gente, o que tá rolando aqui?
- Essa louca da sua amiga que não consegue se controlar. - Rafael falou, já deixando o pátio.
- Amiga, o que foi? - disse Lavínia, ao perceber a multidão - saiam daqui vocês! Eu, hein, nunca viram uma discussão de casal?!
Enquanto se dispersavam, voltou-se para Sara e perguntou:
- Por que ele disse aquilo?
Os olhos de Sara ficaram rasos d'água e Lavínia logo deduziu:
- Aquela sem vergonha... mas ela vai me escutar!
- Não faz isso, por favor. Eu resolvo. - Sara estava distante, como se estivesse pensando em tudo o que ocorrera a minutos atrás - Que vergonha, Lavínia. Eu sempre odiei esse tipo de conduta. Sou ciumenta, sim, mas não à ponto de fazer um escândalo desses. Eu gritei com ele na frente de todo mundo.
- Calma! - disse Lavínia, com um sorriso - amiga, eu já estou acostumada com isso. E você fez bem, porque se tratando dessa destruidora de casais, podemos esperar qualquer coisa.
- Como sabe que ela é assim?
-Ah, eu vejo a cara que ela faz quando você passa e como fica olhando para o Rafa. Não sei como suportou essa situação por tanto tempo, Sarinha. Se ela ousasse sequer da uma olhadinha para o Pedro, não teria mais olhos.
Felizmente, Lavínia conseguiu tirar um esboço de sorriso de Sara.
Rafael foi para a biblioteca. Havia uma mesa com computador na entrada, sofá e uma TV com DVD em frente. Ele se sentou, ligou a TV, mas não prestava atenção em nada. Foi quando Juliana entrou na sala, sentou-se ao seu lado e começou a dizer:
- Eu não acho certo o que a Sara faz com você. Parece que o sentimento não é recíproco. Não tenho nada contra ela, mas você merece alguém que te ame também.
Ele a olhou e ela continuou:
- Eu sei que está triste e confuso pelo que houve hoje e que, talvez não queira conversar, mas se precisar você sabe onde me encontrar.
Se levantou e, quando já ia saindo pela porta, ele a chamou:
- Espere.
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Por Amor
Roman d'amour''Na verdade, sempre pensou não ter nada em comum entre eles já que ele era pra frente, ela tímida, ele falava muito, ela quase nada. Por um tempo - muito tempo - achou que o amava, mas agora já não estava tão certa disso. Aos olhos dela, Rafael sem...
