Meus olhos estavam fundos, uma dor insuportável tomava conta do meu pescoço e uma parte da minha cabeça, meus braços vermelhos, Meu corpo trêmulo. Por minutos observava a imagem. Como alguém pode desenhar com tantos detalhes?
Ouvi passos vindos do cômodo à baixo, imediatamente, guardei a folha embaixo do travesseiro. A porta foi aberta, clareando o local, André entrava com um sorriso estampado no rosto.
-Mas já jantou? -perguntei confusa.
- Quase, conversei com meus pais, eles querem conhece-la.
- Estão me convidando para jantar? - perguntei encarando o garoto, que por sinal parecia tímido.
- É.. - Aproximou-se de mim, direcionando a mão em minha direção, eu a segurei firme e caminhamos para o andar debaixo.
Ao sair da porta, um corredor branco, existindo algumas portas. Talvez Aqui seja os quartos. Descemos mais uma escada, chegamos à sala, quadros, fotografias, estante com diversos enfeites ,sofá e Mais para frente se avistava a cozinha. Um casal sentado alimentando sem dizer uma palavra, sem nem perceber nossa presença.
Continuamos andando até aproximar da mesa à cozinha. Rapidamente notei os dois adultos levantando a cabeça, eu sei que eu nem o cabelo penteei , mas não precisa deixar claro que estou horrorizada.
A mulher tinha cabelos curtos avermelhados , olhos claros, e uma pele lisa, o rapaz uma face séria, cabelos grisalhos e olhos escuros.
Ambos sorriam, percebi que o rapaz ergueu a sobrancelhas, olhou mais pra baixo, percebendo que eu segurava a mão de André, rapidamente, o soltei , o garoto me olhou de lado, soltando um sorriso discreto.
- Essa é a garota? - Enfim a mulher cortou o silêncio.
- Sim mãe! - respondeu André, virando para mim. - Esses são meus pais, Fátima e Róger .
-Oi! - falei.
- Sente-se, não iremos devora-lá. - pronunciou Róger, com um sorriso ríspido.
Sentei sobre a cadeira, havia um prato de refeição à minha frente. Olhei para André, ele sorriu , dizendo com olhares que era para eu comer. Lentamente peguei os talheres, segurando inadequadamente, percebi André rindo. Apenas peguei garfo e comecei a ingerir do alimento.
- Ela é linda! - sussurrou a senhora trocando olhares com o garoto ao meu lado.
Quis disfarçar e fingir que eu não ouvi, mas sorri baixinho. Linda onde?
- Qual seu nome? - Róger dizia, antes de colocar para dentro mais uma porção do alimento.
- Me chamo Sheila! - respondi, olhando para o rapaz.
- Onde a conheceu filho? - continuou o mesmo.
André ficou quieto, demorou para responder. Olhei de lado para ele, percebendo que ele ficou envergonhado com todos o encarando.
- Na rua de casa! - disse por fim.
O encarei por alguns segundos. Por que ele não disse a verdade?
-Seus pais sabem onde está? - disse a mulher.
- Não! Mas irei falar daqui a pouco. - terminei de comer.
Ninguém falou mais nada, todos terminavam de jantar. Fátima levantou-se retirando Todos os pratos e os levando até a pia, Róger levantou-se da cadeira, dirigindo para o banheiro.
Eu e André permanecemos sentados, sem ao menos um olhar para o outro.
Ele segurou minha mão, me puxando para levantar da cadeira. O olhei.
-Você encontrou meu celular? - perguntei, enquanto caminhávamos para o cômodo onde acordei.
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Um Caso
RomanceIsso não é um diário de uma garota que se apaixonou à flor da idade, que sempre encontra o verdadeiro amor. Muito menos um romance que se encontra em toda parte e todos podem sentir. Essa é a história de Sheila, sim... Ela é uma garota comum, eu...
