1 Primeiro dia de aula.

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É sempre assim. Toda vez que tenho que acordar cedo para um compromisso importante, eu nunca consigo dormir. Viro a noite acordada, virando para todos os lados da cama, testando todas as posições até que eu finalmente tire um cochilo de alguns minutos. O problema maior é quando a ansiedade ataca, e junto dela, o medo. Aquela angústia no meu peito que eu conhecia há alguns anos, desde que mudei de escola. Todo ano era o mesmo tormento, aquele sentimento nunca me deixava. Parecia que eu seria engolida a qualquer momento.

Saltei da cama, agitada demais para me esconder em lençóis. Podia correr uma maratona. Talvez duas. Nunca sei lidar com tremedeiras. Por isso, corri para cozinha pegar um copo d'água com um pouco de açúcar. Respirei fundo mais uma vez, me acalmando aos poucos. Senti os pelos da minha gata roçando em meu tornozelo e senti meu coração pular mais uma vez.

Sei que tenho uma gata, mas senti a presença dela do nada na madrugada me pega desprevenida. A única coisa que iluminava era uma luz neutra amarelada, e fresta da janela aberta refletindo a luz da lua cheia.

Peguei ela no colo, ela abriu as garras miando em negação, tentando se soltar.

— Você está obesa, Kiara. Vou cortar a sua ração.

Ela miou em resposta, não parecia muito animada. Insisti nela ali, a acariciando por alguns minutos, em completo silêncio. O ronronado gostoso era o único som do ambiente. Aquilo me acalmou, foi o suficiente para me fazer sentir segura, ao menos por alguns instantes.

Voltei para cama a levando comigo, e assim peguei no sono com ela ao meu lado, me dando o apoio que eu precisava para ficar forte.

•

Quase não acordo. Fui adiando o despertador até ouvir a voz delicada da minha irmã caçula nos meus ouvidos, logo após ter aberto a porta quase como num chute. Posso me defender, não costume me atrasar, na verdade, sou extremamente pontual. Mas hoje era o primeiro dia de aula do ano letivo, e, honestamente, eu nem queria ter acordado.

— Acorda Hanna! É seu primeiro dia de aula do seu último ano! Como se sente terminando a escola?

Abri os olhos lentamente e a vi com um celular gigante na minha cara, tentei tonar dela imediatamente.

— Lunna! — chamei sua atenção, sem paciência. — Para com isso!

Ela continua a gravar, rindo como uma criança atendada. Essa menina depois que virou pré-adolescente, vou te contar...

— Qual foi, você precisa registrar seu último ano. Você nunca mais vai estudar!

Franzi a testa, cerrei o punho sentindo meu corpo esquentar. Meus cabelos estavam descabelados pelo meu rosto, armados como uma vassoura. Meu pijama era de coração, minhas olheiras deviam estar muito aparentes e minha cara estava oleosa.

— Graças a Deus! Agora para de gravar!— vociferei levantando e indo atrás dela que correu e fechou a porta com tudo.

Ótimo. Meu dia começou perfeito. Melhor do que isso? Imagina!

Abri a porta do banheiro com tudo, e fechei mais forte ainda para descontar minha raiva. Claro, todo mundo tinha que saber que eu estava de mau humor, senão, não tem graça (contém ironia).

Tomei um banho quente, tentando me afogar para não ir para aula. Mas infelizmente não tem como.

Sequei o meu cabelo e o prendi em um raio de cavalo. Minha irmã conseguiu acabar com meu dia antes de começar. E para piorar, nada estava ajudando. O cabelo estava uma droga. Minha cara horrorosa. E meu uniforme esta apertado.

Eu e Você- Entre amor e ódio| REESCRITAStories to obsess over. Discover now