O ateliê de Toph Beifong

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Toph sempre soube que era boa em lutar.
Na verdade, dizer que ela era boa era quase uma ofensa.
Ela era uma das melhores dobradoras de terra que já existiram.

Mas, conforme os anos passavam, Toph começou a perceber que não queria que sua vida fosse resumida apenas a batalhas, treinamentos e missões.
Ela queria criar alguma coisa.

Alguma coisa que fosse somente dela.
Certa tarde, enquanto estava em sua casa, Toph encontrou um vestido antigo que já não servia mais.
Ela passou os dedos pelo tecido.
- Hm...

Uma ideia surgiu.
E se ela desmontasse o vestido?
Toph pegou uma tesoura.
Pouco depois, o vestido estava completamente desfeito.

Ela separou os tecidos, analisou as costuras e começou a experimentar.
Primeiro fez uma saia.
Depois uma blusa.
Depois percebeu que conseguia aproveitar determinadas partes do tecido para fazer detalhes diferentes.


E foi aí que Toph descobriu algo que ninguém esperava.
Ela amava costurar.
Mais do que isso.
Ela amava desenhar roupas.
Começou a preencher folhas com modelos.

Vestidos de festa.
Ternos.
Coletes.
Saias.
Blusas.
Calças.
Camisas.
Mantos elegantes.
Roupas simples para o dia a dia.


Peças formais para reuniões.
E até roupas infantis.
Toph passava horas criando.
Às vezes ficava tão concentrada que esquecia completamente do jantar.

- Eu poderia abrir uma loja...
Ela parou diante de um de seus desenhos.
Um sorriso apareceu.
- É isso.
Algumas semanas depois, uma pequena loja apareceu no centro da capital.


Na fachada havia uma placa elegante:
ATELIÊ DA BEIFONG
O interior era completamente diferente do que as pessoas esperavam encontrar em uma loja pertencente a uma dobradora de terra.

Tecidos organizados por cores ocupavam as prateleiras.
Havia vestidos de festa, ternos perfeitamente ajustados, coletes, saias, camisas, calças e mantos.
Algumas peças eram delicadas.


Outras tinham cortes ousados.
Havia roupas tradicionais da Nação do Fogo, roupas inspiradas no Reino da Terra e modelos que misturavam elementos dos dois estilos.


Toph fazia questão de que cada peça tivesse personalidade.
- Não quero roupas sem graça - dizia enquanto costurava. - Se alguém vai vestir uma criação minha, tem que parecer que escolheu estar ali.

A princípio, algumas pessoas ficaram curiosas.
Depois começaram os elogios.
Uma senhora comprou um vestido.
No dia seguinte voltou com duas amigas.
Um comerciante encomendou três ternos.

Uma jovem pediu um vestido para uma festa.
Uma família inteira passou a comprar roupas no ateliê.
Em pouco tempo, o nome começou a circular pela capital.
Ateliê da Beifong.

As pessoas comentavam sobre a qualidade.
Sobre os cortes.
Sobre os tecidos.
Sobre como as roupas pareciam feitas especialmente para cada pessoa.
E havia um detalhe curioso.

Toph não precisava de fita métrica para tudo.
Sua percepção através das vibrações permitia que ela tivesse uma noção impressionante das proporções e movimentos de quem estava diante dela.
- Levante os braços.

A cliente obedecia.
- Agora gire.
Ela girava.
Toph franzia o nariz.
- A manga está apertada.
- Como você sabe?
Toph sorria.
- Porque eu sou melhor que você.
A cliente começava a rir.

O ateliê rapidamente se tornou um dos lugares mais comentados da capital.
Até que, certa manhã, uma informação chegou ao palácio real.
Um conselheiro entrou na sala onde estavam Zuko, Iroh e Azula.


- Senhor do Fogo, temos uma novidade.
Zuko levantou os olhos dos documentos.
- Que tipo de novidade?
- Um novo ateliê abriu no centro da capital.
Azula ergueu uma sobrancelha.
- E isso deveria interessar ao meu irmão por quê?


O homem colocou algumas folhas sobre a mesa.
- Porque aparentemente as roupas estão sendo consideradas algumas das melhores da capital.
Iroh pegou um dos desenhos.
Seus olhos se arregalaram.


Ele conhecia aquela assinatura.
Beifong.
Um sorriso imediatamente apareceu em seu rosto.
Zuko percebeu.
- Tio?
Iroh tentou parecer inocente.
- Ah... nada.

Zuko pegou o desenho.
Era um traje formal masculino.
Elegante, mas diferente das roupas tradicionais da corte.
- Quem fez isso?
O conselheiro respondeu:
- Uma jovem chamada Toph Beifong.
Zuko congelou.


Azula olhou para o irmão.
Depois para Iroh.
Depois novamente para Zuko.
Um sorriso começou a surgir no rosto dela.
- Ora, ora...
Zuko pigarreou.
- O que tem?
- Nada.


Azula cruzou os braços.
- Absolutamente nada.
Iroh estava quase rindo.
- Parece que alguém descobriu uma nova habilidade.

Zuko olhou novamente para o desenho.
E, sem perceber, começou a imaginar Toph trabalhando naquele lugar.
Toph, com as mãos ocupadas com tecidos.
Toph escolhendo cores.


Toph desenhando modelos.
Toph criando alguma coisa que não tinha absolutamente nada a ver com batalhas.
Um pequeno sorriso apareceu no canto de sua boca.


- Ela sempre foi talentosa.
Azula arregalou os olhos.
- Você nem viu as roupas pessoalmente.
Zuko percebeu o que tinha dito.
- Eu quis dizer...


Iroh interrompeu:
- Você deveria visitar o ateliê.
Zuko olhou para ele.
- Por quê?
Iroh abriu um sorriso.
- Porque estou precisando de uma roupa nova.


Azula soltou uma risada.
- Tio, você tem roupas suficientes para vestir um exército.
- Então talvez eu precise de mais uma.
Zuko estreitou os olhos.
Ele já conhecia aquele sorriso.


Iroh estava planejando alguma coisa.
E, pela primeira vez, Zuko começou a pensar que talvez uma visita ao Ateliê da Beifong não fosse uma ideia tão ruim.

Principalmente porque queria descobrir como Toph conseguia transformar pedaços de tecido em algo tão bonito.
E, embora não admitisse nem para si mesmo...
Ele também queria vê-la.

Um Amor Sob Medida - ZutophStories to obsess over. Discover now