𝙊𝙪𝙫𝙞𝙧: 𝙃𝙤𝙬 𝙮𝙤𝙪 𝙧𝙚𝙢𝙞𝙣𝙙 𝙢𝙚 - 𝙉𝙞𝙘𝙠𝙚𝙡𝙗𝙖𝙘𝙠
Los Angeles não parecia em nada com os filmes. Essa foi a primeira coisa que pensei enquanto abro os meus olhos devagar. Não há nenhuma luz dourada atravessando a janela de forma perfeita, e certamente não havia nenhuma música de fundo para compor a trilha da minha vida, mas talvez isso seja minha culpa. Passei anos imaginando como Los Angeles seria e em como eu esperava encontrar pessoas correndo atrás dos próprios sonhos, cafés cheios de roteiristas escrevendo seus primeiros grandes projetos, dançarinos ensaiando nas esquinas, músicos esperando pela oportunidade que mudaria suas vidas. Esperava encontrar pessoas que olhassem para o futuro com os olhos brilhando, como se cada amanhecer fosse uma nova chance de se tornarem quem sempre quiseram ser.
Mas depois de algumas semanas vivendo aqui de fato, tudo que eu conseguia enxergar eram pessoas cansadas, dirigindo para o trabalho no trânsito, olhando para o celular enquanto esperavam o sinal abrir, reclamando do aluguel, contando os minutos para chegar em casa. Pessoas que um dia provavelmente também chegaram aqui com uma mala cheia de sonhos — mas, que em algum momento, aprenderam a guardá-los no fundo de uma gaveta.
E talvez esse fosse o meu maior medo: Eu havia me mudado para cá acreditando que sonhos eram suficientes para construir uma vida, mas eu não sabia que sobreviver em um outro país como imigrante ocupa tanto o seu tempo, que às vezes não sobra tempo para sonhar.
Ao invés de todo o brilho, havia, na verdade, o barulho irritante de um caminhão de lixo passando na rua às sete da manhã e uma pequena faixa de sol atravessando a cortina fina do quarto. Encaro o teto do quarto por um momento.
Estou aqui há pouco mais de um mês. Talvez eu pudesse estar sendo um pouco dramática, e que as coisas poderiam melhorar em algum momento, mas ainda me dói pensar que eu havia atravessado um oceano inteiro por um sonho. Deixei meus amigos para trás e alguns familiares por somente uma pontinha de esperança.
Isso pode parecer bem confuso, mas para contextualizar: Eu nasci no Brasil. Minha família nunca foi perfeita, mas de fora parecia ser. O meu pai era um homem extremamente trabalhador. Ele amava a mim e a minha irmã, mas sempre acreditou que a melhor maneira de cuidar da gente era garantindo que nada nunca nos faltasse. Ele trabalhava demais, chegava tarde, perdia minhas apresentações de balé, reuniões escolares e até mesmo alguns aniversários.
A minha mãe era completamente diferente. Ela sempre estava presente. Tentava compensar tudo aquilo que o meu pai não conseguia oferecer. Me levava para as aulas de balé, comprava os figurinos, organizava festas e tentava estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Mas havia uma contradição. A minha mãe nos amava profundamente - e ela nunca deixou transparecer o contrário, mas também era uma mulher muito preocupada consigo mesma. Ela gostava da atenção, de manter uma determinada aparência de família perfeita. Às vezes, a minha necessidade e a da minha irmã acabavam ficando em segundo plano porque ela estava preocupada demais com o próprio casamento, com a própria imagem ou com problemas que considerava mais importantes.
Já a minha irmã - sendo mais velha do que em cinco anos, era quem ficaria ao meu lado em todos os meus momentos mais difíceis. Lembro quando meu pai morreu - eu tinha apenas seis anos, e que ela assumiu quase um papel de mãe, quando a nossa já não era tão mais presente. Ela que começou a me vestir e levar para o balé, que nunca perdeu uma apresentação, e que sempre cozinhou para mim. Ela sempre sabe quando eu não estou bem, sem que eu precise dizer, ou que sempre me encoraja quando estou prestes a desistir. Ela seria a pessoa que eu escolheria em todas as minhas vidas. Mais tarde, quando eu tinha quatorze anos, a minha mãe também veio a falecer. Minha irmã - que havia se casado há pouco tempo, não perdeu tempo ao tomar minha guarda e me levar para morar com ela.
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Unrehearsed
FanfictionEmily passou a vida inteira ensaiando. Cada passo, cada movimento, cada detalhe precisava estar no lugar certo. Mudar-se para Los Angeles para perseguir o sonho de se tornar bailarina profissional também fazia parte do plano. Ser rejeitada na audiçã...
