Estava de boca aberta, babando, quando eu ouço:
- Maju!! Maju, acorda!! - Maria Fernanda, com sua enorme delicadeza, me sacode pelos ombros e me encara com algo que não sei diferenciar entre raiva ou nervosismo - talvez os dois.
- Hum? O que é? Deixa eu voltar a dormir...
- Eu adoraria te deixar dormindo, se não tivesse aula e se nossa mãe não estivesse para nos matar se não formos!!
- Deixa ela me matar então, eu vou continuar dormindo - Viro para o outro lado da cama e finjo estar dormindo, para ver se ela acredita que realmente estou.
Maria Fernanda é a minha irmã, ela é exatamente o esteriótipo de nerd. Cabelos castanho escuro, óculos de armação quadrada e totalmente pretos, olhos cor de mel, pele morena, mais puxada para o rosado, e um senso de moda ótimo até demais, para uma pessoa igual a ela.
Ela é realmente muito inteligente, estudiosa e tirava notas excelentes, ao contrário de mim, que me contentava com uma nota 5 ou 6.
Não me leve a mal, mas eu jamais gastaria a minha vida em prol de uma prova de biologia.
E, pelo o que eu me lembro, hoje é...
Puta merda!
Levanto em um pulo, tropeçando em meus próprios pés e pulando por cima das cobertas e tralhas que estão no chão do meu quarto
Ewn!, esse lugar realmente precisa ser arrumado, mas essa é coisa para outra hora.
Pego a primeira roupa que vejo, uma calça flare clara e o uniforme da estadual do Rio, a cidade maravilhosa por onde eu moro. Corro para o banheiro e agradeço mentalmente a Maju do dia anterior, por ter arrumado a juba que eu chamo de cabelo.
Faço o meu mínimo de higiene, o meu skin care baratinho e ponho o meu tênis Air Force branco de guerra como se eu estivesse indo para uma, e desço as escadas correndo para encontrar minha mãe já pegando as chaves do carro, e Mafê já dentro do carro, conversando com um possível grupo de matemática avançada. As vezes eu me pergunto de onde ela consegue gostar tanto dessa vida.
- Tchau filhas, fiquem com Deus e prestem bastante atenção na aula, não quero filhas burras!! - minha mãe grita, já saindo com o carro cantando pneu.
- Eu não prometo nada... - digo e Mafê ri e me dá um tapa no braço.
- Pode deixar mana, eu estudo por nós duas.
- Acho que você vai ter que fazer isso sempre então - Nós duas rimos e, enfim, entramos pelo portão do nosso colégio.
Minha risada se transforma em silêncio, assim que meu olhar para em Lucas, o meu maldito ex namorado.
Lucas foi um namorado super carinhoso e apaixonado - bem, era o que ele aparentava ser. Ele tinha um corpo atlético, uns 1,78 de altura, cabelos castanhos perfeitamente ondulados, olhos verdes e um maldito sorriso que fazia qualquer uma delirar e cair em seu encanto, e comigo não foi diferente.
Ele era lindo, se aparentava ser super apaixonado, com aquele ciuminho bobo sabe? - ou pelo menos era o que eu achava...
Ele sempre dizia que me amava, mas me tratava como uma amiga. Isso não seria um problema, se ele ainda me respeitasse e me tratasse como namorada, mas não foi isso que ele fez.
Ele me xingava, me humilhava, e as "brincadeiras" que ele fazia, não eram mais brincadeiras.
E quando eu contava sobre ele para as outras pessoas, ninguém acreditava. E como acreditariam? Ele era perfeito, um galã de novela aos outros olhos.
Agora eu? Eu era uma menina qualquer, mais uma menina morena de cabelo cacheado que ele pegou, ninguém acreditaria em uma garota qualquer, e sim no garoto bonito, no mocinho.
A única que, por me conhecer, concordou comigo, foi Mafê e as meninas, mas fora isso? Nem a minha mãe aceitou o meu término. Ela achou que eu tinha feito algo de errado, mesmo sendo eu a terminar com ele. Essa foi uma época tenebrosa da minha vida, foi horrível.
- Mana, você tá bem? - Maria Fernanda me puxa para a realidade novamente, me tirando dos meus pensamentos e me trazendo a situação.
- Ah, to sim... Só... Me perdi nos pensamentos...
- Tem certeza? Não é aquele traste de novo não né?....
- Olha, só vamos... - Sou interrompida pela risada extremamente escandalosa e esganiçada de Beatriz, que logo me encontra e, correndo, pula em cima de mim, o que me faz abrir um sorriso genuíno e eu esqueço de tudo que acabou de me ferir novamente.
- Maju!! Finalmente você chegou!!! Achei que você não viria hoje.
- Mas eu realmente não vinha, só vim pela minha irmã, inclusive... - Procuro Mafê em minha volta, mas só encontro a presença de Beatriz, Naju e Marina, que estão bem eufóricas para uma quinta feira numa escola integral. Encontro Mafê envolta por alunos ótimos, com boas notas e considerados uns totais nerd.
Eu não conheço metade daquelas pessoas, se não, Mafê.
- Ainda bem que você veio!! Eu nem te conto quem acabou de chegar!!! - Beatriz rasga o verbo, me interrompendo e acabando com o meu raciocínio - que já não é muito rápido.
- Quê? Quem?
- Um...
- Um aluno novo!! - Naju, com toda a sua ansiedade, conta a notícia como um foguete, o que deixa Bea triste e emburrada. - O quê? Ah, desculpa Bea, não consegui segurar.
- Hm, não deixou nem eu conseguir terminar. - Beatriz odeia ser interrompida, desde uma coisa importante, até a mais fútil delas, ela odeia que a interrompam.
- Desculpa, Bea, prometo não te interromper da próxima.
- Hm, desculpada. - E, como se não tivesse acabado de brigar, ela abraça Naju com um abraço apertado.
Beatriz é muito impulsiva e intensa, ela é um amor de pessoa, mas nunca pensa no que faz, está fazendo e vai fazer.
Ela é uma menina branca, com lindos cabelos ruivos, cacheados e longo, olhos verdes e sardas. Seu apelido também era Merida, do filme Valente. Tinha ao redor de 1,60, não passava disso.
Marina era totalmente ao contrário. Ela pensa antes de dizer qualquer coisa, é muito reclusa, mas não é tímida. Ela ama a arte, tudo nela é artístico, até a sua calça jeans é manchada de tinta, seu tênis All Star branco é totalmente pintado e colorido, digno de uma obra de arte.
Ela é uma garota alta, beira os 1,75. Ela tem cabelos mel com mechas loiras espalhadas por todo seu cabelo, além de ter leves ondas como cachos. Eu diria que o cabelo dela é algum tipo de ondulado.
Ana Júlia, apelidada como Naju, é quase como eu, com excessão do seu cabelo afro totalmente diferente de mim, que tenho cabelo cacheado. Ela tem pele negra, bem retinta e hidratada,
com um glow absurdo de lindo.
Naju é a única normal do nosso grupo, ela é extrovertida mas tímida, ela tem sempre a razão, além de ter 1,69 de puros argumentos. Por Deus, não dá para ganhar dela no argumento, aquilo ali é um projeto de advogada mirim, todos tem medo de discutir com ela.
Além de ser ela que sempre nos livra e a que pensa mais rápido quando a merda está acontecendo.
Naju é uma lésbica assumida, Marina é arrômantica e Beatriz é pansexual com preferência em homens.
- Mas enfim, meninas, quem é esse tal de "menino novo"? - Pergunto, voltando ao tema principal da conversa.
- A gente não sabe dizer, a Bea tá atrás dele o dia todo, mas ninguém sabe onde ele está. - Agora Marina fala, em seu tom tão calmo que me dá um pouco de sono.
- Inclusive, quer procurar com a gente?
- E eu tenho escolha, Bea?
- Claro que não! - Ela me puxa para andar de braços dados, como se eu fossse o cavalheiro e ela a formosa dama.
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Confissões às Estrelas
RomanceMaju tem suas amigas, Beatriz, Ana Júlia e Marina, e vive bem com elas, tentando esquecer seu ex namorado, irmão da Naju. Ela vive bem, até o tal "garoto novo" entrar na escola, e fazer seu mundo virar de cabeça para baixo... Mas não de um jeito bom...
