Capítulo 1

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— Em casa a essa hora, mãe? — Lorena, que estava sentada no sofá da sala, tirou os olhos do seu livro ao ouvir a porta do apartamento ser aberta.

Zenilda soltou um longo suspiro e praticamente atirou sua bolsa e sua pasta na mesa de centro enquanto se sentava no sofá ao lado da filha,

— Sim. Dia péssimo! — Se jogou para trás e fechou os olhos enquanto massageava suas têmporas com os dedos.

— Quer se abrir sobre? — Lorena deixou o livro de lado e se virou de frente para a mãe, deixando as pernas dobradas em cima do sofá.

A mais velha deu uma risadinha e virou a cabeça para olhar a filha.

— Já quer colocar os seus aprendizados em prática? — A olhou divertida.

A jovem já estava na fase final da sua faculdade de psicologia. Por ser muito inteligente — como sua mãe, segundo a própria — entrou para a faculdade cedo, e já estava na época de trabalho de conclusão e estágios obrigatórios, que encerrariam a sua jornada como estudante.

  — Não tô perguntando como futura psicóloga, mas sim como filha preocupada. — A preocupação era visível nos olhos verdes. —
Mãe, você tá cada vez mais cansada. Eu sinto que você não abre as suas preocupações o suficiente. Tudo eu tenho que ler nas entrelinhas.

  — É problema no trabalho, meu bem. Ter o próprio escritório e ainda prestar serviço para uma fundação daquele porte é bem desgastante.
— Suspirou. — Mas é o que mantém o nosso padrão. — Girou o dedo sinalizando o apartamento duplex em que moravam, localizado em um bairro nobre de São Paulo.

  A fundação da qual ela se referia era a
Fundação Ferette, coordenada por seu sogro e alguns sócios minoritários. Seu marido era presidente do local, mas foi apenas após sua morte em um trágico acidente de avião que Zenilda começou a atuar como advogada ali.

Por conta da renda e padrão de vida do marido, ela se dedicava apenas a trabalhos pro bono, tendo flexibilidade e tempo para gerir a casa e cuidar dos filhos. Mas nos últimos dois anos ela abriu o próprio escritório e passou a prestar serviço para a fundação, já que seu sogro sabia que ela precisaria de uma fonte de renda e confiava no seu trabalho como advogada.

— Você não acha que tá na hora de achar um ajudante? Não sei, talvez alguém que possa te assistir nos trabalhos, não necessariamente outro advogado. — Sabia que a mãe tinha um gênio difícil e não se dava bem com outros da sua
profissão.

— Acredite, eu não tô com tempo nem pra isso. — Se levantou do sofá. — Saí mais cedo porque a escola do seu querido irmão me ligou avisando que ele se meteu em confusão... de novo! — Seu tom de voz ficou mais duro. — Mas eu tive que passar em casa pra dar uma respirada, ou eu ia agredir alguém.

  — O que o Leonardo já aprontou? — Lorena vinha estranhando os comportamentos do irmão desde a morte do pai do mesmo.

  — Brigou com alguém, pra variar.

  Os casos já estavam sendo recorrentes.

  — Quer que eu vá com você? — A mais nova perguntou já se levantando.

  — Não precisa, meu amor. Seu irmão vai ouvir poucas e boas e quero poupar você disso. — Foi até a filha e deu um beijo em seu rosto. — Mas obrigada! Depois eu vou voltar pra fundação, ainda tenho uma reunião.

  — Tá bom, mãe! Se cuida e me manda notícias.

  A mais velha pegou sua bolsa, sua pasta e desceu o elevador até a garagem para pegar o seu carro.

O Quereres - RonildaCerita yang buat anda obses. Terokai sekarang