Ódio que queima no campo~

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O apito final ecoou pelo estádio de treinamento como um tiro.

Isagi Yoichi ficou parado no meio do gramado, peito subindo e descendo rápido demais, suor escorrendo pela têmpora e pingando no chão. O gol que ele acabara de marcar ainda queimava na memória - o toque preciso, o desvio no último segundo, a bola entrando no ângulo enquanto Rin Itoshi chegava meio segundo tarde demais.

Meio segundo.

Foi só isso.

Mas para Rin, meio segundo era uma eternidade.

Isagi ergueu o olhar e encontrou aqueles olhos azuis fixos nele. Rin estava a poucos metros de distância, o cabelo preto grudado na testa, a camisa do time de treino colada ao corpo pelo suor. A expressão dele não era de derrota. Era de algo muito pior.

Raiva fria.

O tipo de raiva que não grita. O tipo que observa. Que guarda. Que espera o momento certo para devorar.

- Boa finalização - murmurou Ego, de longe, quase aborrecido. - Isagi, você está evoluindo. Rin... você hesita demais quando ele está no seu campo de visão.

Rin não respondeu. Nem piscou.

Isagi engoliu em seco. O coração ainda batia forte demais, mas agora não era só pelo esforço físico. Era por aquela sensação familiar e irritante que só aparecia quando Rin olhava para ele daquele jeito - como se quisesse arrancar a pele dele com os olhos.

O treino terminou. Os outros jogadores foram saindo aos poucos, conversando, rindo, reclamando da carga. Isagi ficou. Não porque quisesse. Porque sabia que Rin também não ia embora.

E ele estava certo.

Quando o último dos outros sumiu pelo corredor que dava para os vestiários, Rin ainda estava no mesmo lugar. Só então ele se moveu. Passos lentos, calculados, até parar a menos de um metro de Isagi.

O cheiro de grama molhada e suor misturado pairava entre eles.

- Você se jogou de propósito na minha linha de visão - disse Rin, a voz baixa, quase monótona. - De novo.

Isagi limpou o suor da testa com o dorso da mão.

- Eu me posicionei onde o gol pedia. Não é minha culpa se você não consegue me ignorar.

O canto da boca de Rin se curvou. Não era um sorriso. Era um aviso.

- Eu consigo. Eu só escolho não fazer isso.

Isagi sentiu um arrepio subir pela espinha. Odiava quando Rin falava daquele jeito - como se cada palavra fosse uma faca afiada sendo girada devagar.

- Então escolhe melhor da próxima vez - retrucou. - Porque eu não vou parar de marcar só porque você fica me encarando como se eu tivesse matado alguém.

Rin deu um passo à frente. Agora estavam perto demais para o protocolo de rivalidade saudável. O peito de um quase tocava o do outro. Isagi teve que erguer o queixo para manter o contato visual. Rin era um pouco mais alto, e usava isso como arma.

- Você não entende, não é? - a voz de Rin saiu rouca, quase um sussurro. - Cada vez que você marca na minha frente, não é só um gol. É você me dizendo que consegue me superar. Que consegue me ler. Que consegue... me vencer.

Isagi sentiu o estômago revirar. Não de medo. De algo mais perigoso.

- E se for? - respondeu, desafiando. - Alguém tem que te lembrar que você não é intocável, Rin.

O silêncio que se seguiu foi pesado. O vento batia nas redes vazias. Longe dali, ouvia-se o barulho distante de chuveiros e risadas. Mas ali, no meio do campo, só existiam os dois.

Ódio Que Queima~Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora