Já era o quinto encontro anual de Hong Cha Young e Vincenzo Cassano, como prometido por eles — um pacto silencioso, renovado a cada 365 dias, para que o tempo e a distância jamais apagassem o que construíram. Na maioria das vezes, era Vincenzo quem aparecia de surpresa na Coreia, esgueirando-se discretamente em meio às delegações diplomáticas italianas apenas para conseguir algumas poucas horas ao lado dela. Desta vez, porém, Cha Young decidira que era a sua vez de cruzar o oceano. Ela queria ver o mundo dele, e o ponto de encontro escolhido fora a Sicília.
O saguão de desembarque do aeroporto emanava o calor suave do mediterrâneo quando Cha Young atravessou as portas automáticas. Ela trajava um vestido longo de seda rosa-claro, cujas barras contavam com singelas e delicadas flores bordadas que balançavam a cada passo. O decote em V emoldurava com elegância o formato pequeno de seus seios, enquanto as mangas sutis cobriam seus ombros. No pescoço, um colar com um único ponto de luz brilhava contra a pele áurea; nas orelhas, brincos finos pendiam com leveza, acompanhando a fluidez de seus movimentos. O salto alto estalava com firmeza no chão, e sua maquiagem sutil terminava num batom tom rosa-queimado. Banhada pelo sol dourado da Sicília, ela caminhava puxando sua mala com a postura ereta e a imponência de uma verdadeira modelo.
Ao longe, ela o avistou. Cha Young ergueu uma das mãos e acenou levemente, com um sorriso leve, sem mostrar os dentes.
Vincenzo estava encostado a uma curta distância, vestindo uma camisa de tom claro perfeitamente alinhada e calça social bege, acompanhada por sapatos no mesmo tom. O cabelo alinhado permanecia impecável como sempre, mas, dessa vez, uma pequena franja caía de lado sobre sua testa, dando-lhe um ar sutilmente descontraído. Ele mantinha as mãos nos bolsos e um sorriso brando no rosto, exalando aquela autoridade natural e perigosa que só Vincenzo Cassano possuía.
Assim que Cha Young encurtou a distância entre eles, Vincenzo a envolveu em um abraço firme e profundo. Ele a puxou para si até que as pélvis ficassem coladas e o peito dela fosse suavemente pressionado contra o torso largo e rígido dele. Não era uma novidade, mas o choque térmico e o perfume dele sempre a desarmavam. Como de costume, Vincenzo depositou um beijo morno e prolongado em sua testa. Em seguida, afastou-se apenas o suficiente para que seus olhos escuros a percorressem por inteiro: inspecionou o vestido, os sapatos, a curvatura dos braços e cada detalhe de seu rosto.
Ele se importava rigorosamente com qualquer vestígio de dor ou arranhão que surgisse nela. Nesses encontros anuais, essa verificação quase militar era inevitável.
Cha Young não pôde deixar de lembrar de dois encontros atrás, quando Vincenzo quase parou a Sicília ao notar uma marca em forma de arranhão avermelhada no antebraço dela. Naquele dia, ele segurara seu pulso com uma seriedade quase assustadora, desconfiando de possível confronto dela com clientes malfeitores na advocacia Jipuragi. Para provar que o culpado era apenas seu novo filhote de gato, o Vince, Cha Young precisara puxar o celular e exibir uma sequência de vídeos do gatinho desastrado saltando em suas cortinas e arranhando seus braços durante as brincadeiras. Vincenzo, não totalmente convencido e querendo garantir que ela não escondia um confronto para poupá-lo de preocupações, pegara os dedos dela, analisara a profundidade e a curvatura sutil do corte contra a luz e só relaxara os ombros depois de constatar que a pele não apresentava o padrão de uma lâmina ou de um vidro.
Satisfeito ao ver que desta vez ela estava intacta, o olhar de Vincenzo suavizou. Ele apertou o corpo dela contra o seu segurando-a firme pela cintura, espalmando uma das mãos na curva de sua lombar enquanto a outra subia para apoiar a lateral esquerda do pescoço dela, sentindo o pulso acelerado de Cha Young sob seus dedos. Ela se entregou ao toque, envolvendo o rosto dele com as duas mãos e pressionando seus lábios nos dele. O beijo na boca nasceu quente, macio e faminto, carregado de uma saudade acumulada por doze meses. O beijo de língua viria depois, reservado para a intimidade de um momento mais reservado, mas a pressão daquela boca na sua já era o suficiente para fazer os joelhos de Cha Young fraquejarem.
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One Shot | O Pacto de Seda e Sol
RomanceLonge do caos de Seul e das sombras do passado, a Sicília se torna o refúgio onde o tempo finalmente parece desacelerar. Sob o brilho dourado do entardecer que banha as colinas italianas e o mar cintilante ao fundo, Vincenzo e Hong Cha-young compart...
