1. As luzes

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Algumas vez, em algum dia da sua vida, você parou, e olhou para o céu, o que deve haver depois daquelas nuvens, pelo o que dizem existem outros planetas e estrelas. Não sabemos se há vida ou outros seres inteligentes além da humanidade, e sendo humanos tentamos achar algo que nunca vimos ou criamos, e para não enlouquecer sem respostas, acreditamos em coisas como a vida após a morte, um paraíso, ou nada.

Em lugar, não tão perto e não tão longe, no centro de tudo, ele acordou atordoado, mas um daqueles sonhos, que lhe causavam calafrios e o fazia suar, até ser acordado pelo alarme. Se arrumou, desceu as escadas, ela já não estava em casa, e seguiu seu caminho de sempre, pelas ruas geladas dessa cidade, que tem tudo e vários motivos pra queimar, mas é tão gélido e nublado todo os dias.

- Izzy acorde, já está atrasada para a escola, o Harry está te esperando. - Sua mãe grita enquanto desce as escadas com o cesto de roupas.

- Já estou indo. - Boceja- Droga.

A garota sai correndo pelo corredor, passa pelo quarto de Flora sua irmã mais velha, que estava se maquiando, passou pelo quarto de Rick, seu irmão mais novo, que estava pulando em cima da cama com sua nave fingindo ser um astronauta.

- Tchau pai, tchau mãe.- Izzy diz abraçando seus pais.

Seus pais a olham com carinho, enquanto ela fecha a porta e vai embora.

- Oi Harry!- Izzy diz tirando seu amigo de seus próprios pensamentos

- Oi.- Harry a responde, ela semicerra os olhos o observando.

- O que houve? - Ela pergunta enquanto eles seguiam a caminhar.

- Nada.- Ele nunca soube mentir.

- Fala logo. Eu te conheço, tem algo que está te perturbando. - Izzy diz o encarando, seus olhos mesmo sendo escuros, sempre lhe entregam.

- Eu não dormi o suficiente...

- Mas um dos pesadelos? - Ela toca em seu ombro.

- Não foi bem um pesadelo, não era tão ruim. - Ele não olhava em seu rosto.

- Você pode me contar....

- Não é preciso, estou bem. - Ele sorriu passando o braço por cima de seus ombros, a menor de cabelos escuros não acreditava em suas palavras, mas decidiu

deixá-lo.

A oito anos atrás, o pai de Harry morreu, o estranho era o pequeno garoto ter sonhado com isto. No tal sonho estava chovendo, e os raios estavam iluminando tudo, mais do que o normal, seu pai lutava com alguém, não conseguia ver ser rosto, mas viu quando ele o apunhalou pelas costas, e seu pai caiu sobre aquele chão, o manchando com seu sangue.

Alguns dias depois o corpo de seu pai foi encontrado morto, algo perfurou seu coração pelas costas. Desde este dia, quando estes sonhos aconteciam, ele sempre tentou intervir para que esses acontecimentos ruins não ocorressem. Mas desta vez, este sonho era diferente, não havia ninguém específico, apenas luzes caindo, e no fim pode ver uma garota, ensanguentada na entrada da cidade vendo tudo queimar.

Izzy e Harry chegaram na escola, cheia de alunos normais, tinha as patricinhas, os atletas, os nerds, e tudo mais, como em qualquer lugar, havia uma abelha rainha, e ela se chamava Madalene Morgan, a ruiva de olhos azuis tão claros como o céu, que os atormenta desde que sabem de suas existências, vai andando na mesma direção dos quais, passando por Izzy e esbarrando em seu ombro.

- Passa por cima da próxima vez.- Izzy fala sem virar para trás.

- Me desculpa eu não te vi...- Madalene diz com um tom de sarcasmo.- Oi Harry.

- Oi Madalene. - O garoto lhe cumprimenta por educação.

- Além de se fazer de sonsa, é cega. - A garota de cabelos escuros, força um sorriso.- Se quer se amostra coloca um pinico na cabeça e amarra melancias no pescoço.

- Não irei perder meu tento com você então, espero te encontrar outra hora loirinho, precisa encontra novas companhias. -Madalene diz virando e jogando seu cabelo, seguindo em frente.

- Acalma Izzy ela já foi.- o garoto segurou em seus ombros.- Você sabe que não devemos nos misturar com normais.

- Eu apenas queria que ela caísse de um penhasco e quebrasse todos os seus ossos e agonizasse antes de morrer.- Suas palavras saiam com ódio.- Vou gosta de tortura-la no inferno.

- Você me dá medo.

Chegaram na sala, para eles este lugar era o próprio inferno, podia sentir todos os desejos pecaminosos, de adolescente que mal sabia o que eram o mundo, mas nesta cidade podiam realizar qualquer pecado, e nesta sala o que mas os corrompia era a luxúria pela professora que entrará pela porta. Agir como seres normais era quase normal, o estranho era a sensação, após o último sinal tocar, os amigos resolvem passear pela cidade, mas não convencionalmente.

Pulando pelos telhados e correndo, riam quando pulavam entre os precipícios das casas, as vezes paravam quando viam alguma fofoca, tipo, o casal que brigava e a mulher jogava as roupas do marido pela janela, os garotos que se drogavam em um beco ou o pastor que traía sua mulher com outro homem, como disse este lugar tem tudo para queimar. Ele parou no topo da única igreja que existia neste lugar, Harry se senta na frente do sino observando a cidade.

- Você já pensou em ir para outro lugar?- O vento batia em seus cabelos dourados.

- Não.- Izzy sentou-se ao seu lado, o por do sol reluzia em seus olhos verdes.- Você quer ir?

- Não sei, o mundo depois daquela placa - apontou para a entreda da cidade - é bonito, mas lá fora somos monstros.

- Você acredita que somos monstros comedores de alma?- A garota riu - Pelas manhãs eu como pão, mas se sairmos alguma coisa diferente acontece, pelo que Flora diz temos escolhas.

- Escolhas....

- É... não sei quais, mas são escolhas. Afinal vamos viver pra sempre.- Ela se levanta.

- E se esse lugar fosse destruído?

- Nunca acontecerá, a cidade é nossa, e demônios não são bonzinhos.- Ela pula aterrissando na entrada na igreja.- Agora vou me confessar.- Ela ri e adentra.

O garoto pula, porém, segui rua abaixo, observa as construções, casas com famílias humanas, lojas, edifícios, havia bordéis e casas de jogos, thunderclouds era diferente, nascida do pecado e regada pela pureza, tão boa e ruim ao mesmo tempo. Pula em um bondinho que desce a rua, enquanto anoitece, pode se ouvir um grande trovão e logo após raios no céu, a chuva cai, e ao chegar no fim da ladeira ele pula novamente e correr para casa, a chuva intensifica, e quando ela observa suas mãos, estavam sujas de sangue, aquilo lhe enlouquece, ele corri o mais rápido que pode, entrou em sua casa, e ao tirar suas roupas viu que estava apenas molhadas, não havia sangue nenhum, e ao observar o lado de fora, já não chovia. Achou está situação extremamente estranha, então foi banhar-se, e após se trocar para dormir, olhou pela janela, e o céu estava estrelado e limpo.

Novamente ele acorda em um susto, a respiração falha e pesada, não havia sonhado com nada, mas algo lhe fez levantar, e ao olhar pela janela pôde ver, as luzes que caiam, muitas delas, e a única coisa se vinha em sua cabeça, era a garota de vestido branco ensanguentada, vendo a cidade queimar.

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