Despertar na Escolha

9 1 0
                                        


O som estridente de metal contra metal me acordou com um sobressalto. Minha cabeça latejava com uma tontura violenta e o ar ao meu redor tinha um cheiro forte, uma mistura pesada de ferrugem, poeira e suor humano acumulado. Abri os olhos de supetão, esperando ver o teto do meu quarto no ano de 2026, mas o que encontrei foi um emaranhado de vigas de aço cinzentas e uma multidão barulhenta de adolescentes dividida por cores.
Abaixei a cabeça imediatamente, tentando controlar a vertigem e a onda de pânico que ameaçava me sufocar. Foi quando olhei para baixo e o verdadeiro choque de realidade me atingiu.
Aquelas não eram as minhas mãos. Examinei meus dedos: eram finos, pequenos e com as unhas cortadas rente, sem qualquer traço de vaidade. Toquei o meu rosto com as palmas pálidas, sentindo os traços marcantes de um nariz longo e liso. Puxei uma mecha do cabelo que caía sobre os meus ombros; era loiro, liso e fino, sem corte definido.
Olhei para as minhas próprias roupas. Eu vestia um vestido cinza de algodão áspero, completamente folgado, reto e sem graça, que batia na altura das canelas, acompanhado por sapatos baixos e simples da mesma cor. Minha estrutura física inteira havia mudado. Eu era menor, visivelmente mais magra e parecia ter uma fragilidade física quase infantil. Eu estava habitando o corpo exato de Beatrice Prior. A Tris.

Não pode ser, pensei, sentindo o meu coração martelar contra as costelas de forma frenética

Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.

Não pode ser, pensei, sentindo o meu coração martelar contra as costelas de forma frenética. Eu estava apenas lendo os livros e revendo os filmes antes de dormir no meu apartamento. Eu não mudei de quarto. Eu transmigrei. Eu renasci exatamente no corpo da protagonista, no dia do Teste de Aptidão de Divergente.
Ergui os olhos devagar para processar o ambiente. Ao meu lado, mantendo uma postura rigidamente reta e os olhos fixos na frente, estava um garoto alto de cabelos escuros e expressão contida. Caleb Prior. Meu "irmão". Ele era a personificação perfeita da Abnegação — embora a minha mente moderna soubesse que ele já guardava livros da Erudição escondidos no quarto.
A fila enorme de adolescentes andava a passos lentos e compassados. À nossa esquerda, o refeitório de concreto exibia as outras facções: a Audácia rindo e gritando, a Erudição focada em suas telas azuis, a Franqueza discutindo alto e a Amizade vestindo suas cores quentes. Organizei meus pensamentos rapidamente. Eu sabia tudo o que aconteceria. Sabia sobre o soro da simulação da Erudição, o massacre da Abnegação e o preço de sangue que aquela cidade pagaria. Se o universo me jogou aqui dentro com o roteiro completo na cabeça, eu precisava sobreviver e jogar de forma muito mais inteligente.
— Próxima! — uma voz ecoou à frente, cortando meus pensamentos.
A fila andou mais alguns passos. Estávamos diante das grandes portas duplas com painéis espelhados. A maçaneta de metal girou e a porta se abriu de uma vez, revelando uma mulher de cabelos curtos, pretos e uma marcante tatuagem de gavião no pescoço. Tori.
Ela olhou para a prancheta digital em suas mãos e depois fixou os olhos diretamente na nossa direção.
— Beatrice Prior — chamou Tori, com a voz pragmática e firme.
Caleb me deu um leve toque no ombro, sussurrando um "boa sorte" contido. Respirei fundo, ajeitando o tecido cinza do vestido áspero sobre o meu novo corpo franzino. Dei o primeiro passo à frente e cruzei a soleira da porta em direção à sala de espelhos. A simulação estava prestes a começar, e a minha nova história também.

You've reached the end of published parts.

⏰ Last updated: Sep 19 ⏰

Add this story to your Library to get notified about new parts!

O Despertar - Divergente Stories to obsess over. Discover now