Capítulo 1

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A expansão americana avançava pelo território como uma força difícil de conter. Ao longo do século XIX, famílias inteiras abandonavam tudo o que conheciam e seguiam em direção ao Oeste, atraídas pela promessa de terras, independência e uma oportunidade de começar novamente. Para muitos, aquela viagem representava a esperança de deixar para trás uma vida que já não oferecia perspectivas. Cidades, pequenas comunidades e propriedades que pertenciam às mesmas famílias havia gerações ficavam para trás enquanto longas caravanas cruzavam estradas pouco exploradas em busca de um lugar onde pudessem construir um novo lar.

Mas a promessa de uma vida melhor não significava que o caminho até ela seria fácil.

As estradas estavam longe de ser boas. Depois das chuvas, o chão se transformava em um verdadeiro atoleiro, capaz de prender as rodas das carroças por horas. Quando o tempo abria, a lama dava lugar à poeira, que se espalhava pelo ar e cobria roupas, bagagens e rostos. Cavalos exaustos puxavam carroças carregadas com tudo aquilo que as famílias ainda possuíam. Homens precisavam descer dos veículos para empurrá-los, enquanto mulheres e crianças aguardavam, tentando suportar o calor e o cansaço.

A família Odalys não estava tendo uma viagem diferente.

A carroça havia parado no meio de um trecho particularmente enlameado da estrada. Uma das rodas afundara tanto que os homens já estavam há quase uma hora tentando tirá-la dali. Na parte de trás do veículo, Elowen Odalys observava a movimentação enquanto tentava se refrescar com um pequeno pedaço de tecido. Seus longos cabelos pretos ondulados estavam presos em um coque que já começava a se desfazer por causa do calor.

— Mamãe, a senhora acha que Ethan vai conseguir ajudar papai a tirar essa roda? — perguntou, olhando para o irmão mais velho. — Já estamos aqui há quase uma hora. Não sei quanto tempo mais vamos conseguir ficar parados neste calor.

Anna continuou com o bordado que segurava entre as mãos, embora vez ou outra também lançasse um olhar para os homens que trabalhavam do lado de fora.

Elowen apoiou uma das mãos na testa e observou Ethan mais atentamente. Ele e o pai tentavam puxar a roda para fora da lama, mas a cada tentativa ela parecia afundar ainda mais.

— Talvez se ele parasse de puxar desse jeito, conseguiria tirar a roda — comentou Elowen, sem esconder a irritação.

Anna ergueu os olhos do tecido e encarou a filha.

— Então você acredita que faria melhor?

Elowen voltou o olhar para o irmão.

— Não acredito, mamãe. Tenho certeza.

Por alguns segundos, Anna apenas encarou a filha, claramente tentando decidir se deveria rir ou repreendê-la.

Do lado de fora, Ethan interrompeu o esforço ao ouvir a provocação. Permaneceu imóvel por um instante antes de olhar para a irmã através da abertura da carroça.

Depois de quase uma hora tentando libertar aquela roda, era difícil acreditar que Elowen ainda encontrasse disposição para criticá-lo.

Ele passou o antebraço pela testa, retirando o suor que escorria pelo rosto, e lançou à irmã um olhar cansado e pouco impressionado.

— Já que sabe tanto, Elowen, talvez queira descer e mostrar como se faz.

Elowen ergueu uma sobrancelha, mas permaneceu exatamente onde estava, protegida pela sombra da carroceria da carroça.

— Eu poderia, se papai permitisse.

Ethan soltou uma risada curta, sem demonstrar qualquer divertimento.

Doce Encrenca - Little PumaStories to obsess over. Discover now