1. Incansável

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A porta da casa de Helô não estava trancada
Stenio nem pensou duas vezes.
Entrou empurrando a porta

— Helô! Helô!—Gritando desesperado procurando ela

A voz dele ecoou pela sala.

— Helô, aparece! Eu preciso falar com você!

Do quarto, passos apressados.

Helô surgiu no corredor usando um roupão verde, o cabelo ainda meio bagunçado e uma expressão que deixava bem claro que aquela visita não estava exatamente na lista de coisas que ela queria para aquela noite.

Stenio olhou de cima a baixo, se demorando no decote que o roupão servia, mostrando o parte do sutiã bordo que ela usava.

— Stenio?!—falou preocupada com a barulheira aquela hora da noite.

Ela parou no meio do corredor.

— O que é isso? Você tá maluco? Como é que você entra na minha casa desse jeito?

— Calma, calma...— disse erguendo as mãos como se estivesse se rendendo.

— Calma nada! Você perdeu completamente a noção?— falou com as mãos na cintura e o o pescoço inclinado.

— A porta tava aberta.— Se explicou.

— E daí? Porta aberta agora virou convite?.

— Helô, pelo amor de Deus...— disse cansado virando o rosto.

— Não vem com "pelo amor de Deus", Stenio!— bufou com raiva do abuso que o ex marido andava tendo ultimamente. Quem ele achava que era?.

Ele respirou fundo, segurando o celular.

— Eu vim porque precisava te mostrar uma coisa.— falou calmo tentando acalmar a delegada.

Ela cruzou os braços.

— Então mostra logo.—respondeu sem paciência.

Stenio estendeu o celular.

— Olha isso.— disse com a voz rouca, que a delegada amava.

Helô pegou o aparelho, ainda olhando desconfiada para o advogado.

Seus olhos correram pela manchete, e a delegada logo levantou o olhar para o advogado como quem não acreditava no que estava lendo.

"Avião vindo da Turquia explode durante voo. Não há sobreviventes."

Ela franziu a testa, e colocou a mão sobre a boca.

— Meu Deus...

Continuou lendo, incrédula.

Então parou.

Seu rosto mudou.

— Não.— falou seria, olhando para o advogado com a mão ainda sobre a boca.

Stenio ficou sério.

Na tela, aparecia o nome de uma das vítimas.

Lívia Marini.

Helô deu um passo para frente e disse:

— Lívia Marini?— Era explícita confusão no olhar da delegada

— É.

— Não pode ser.— Disse entregando o telefone para o ex marido.

— Eu também achei que não.

Helô imediatamente pegou o próprio celular.

— Espera.— Rapidamente a postura da delegada endureceu, ela estava digitando atentamente no celular que quase não piscava.

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