O GIGANTE E O BAIXINHO

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O ginásio estava completamente lotado.

Era a final do campeonato, e Caio sentia o coração bater forte enquanto observava a torcida nas arquibancadas.
Com apenas 1,60 m, ele era um dos jogadores mais baixos da equipe. Mas aquilo nunca tinha sido motivo para desistir.
- Vamos, Caio! É agora! - gritou seu companheiro.
Caio respirou fundo.
- Eu sei. Vamos ganhar essa.
O jogo começou.
A partida foi disputada ponto a ponto. Caio corria pela quadra como se não existisse cansaço. Seus reflexos eram rápidos, e ele conseguia alcançar bolas que pareciam impossíveis.
No último ponto, a bola veio em sua direção.
Caio se lançou.
Defendeu.
Seu companheiro levantou a bola.
Caio correu.
Saltou.
E marcou.
PONTO!
O ginásio explodiu.
- ACABOU! A GENTE GANHOU!

Caio foi cercado pelos companheiros.
Mas, no meio da comemoração, ele percebeu alguém parado perto da saída da arquibancada.
Um homem enorme.
1,98 m.
Moreno, expressão séria e uma presença que fazia qualquer pessoa perceber quando ele entrava em um lugar.
Era Rafael, italiano e lutador de boxe.
Caio já tinha ouvido falar dele.
Rafael também conhecia Caio.
Os dois nunca tinham se dado muito bem.
Caio se aproximou.
- O que você está fazendo aqui?
Rafael cruzou os braços.
- Sono venuto a vedere la partita. (Vim assistir ao jogo.)

Caio franziu a testa.
- Você sabe que eu não entendo italiano, né?
Rafael deu um pequeno sorriso.
- Desculpa. Costume.
- Então fala português.
- Estou tentando.
Caio olhou para ele de cima a baixo.
- Pelo menos você tenta.
Rafael soltou uma risada.
- Você continua pequeno.
Caio imediatamente respondeu:
- E você continua insuportável.
- Piccolo arrogante. (Baixinho arrogante.)
- Eu ouvi o "piccolo", tá?
Rafael riu.
- Era para ouvir mesmo.
Caio balançou a cabeça.
- Vou embora antes que eu perca a paciência.
Ele pegou sua mochila e saiu do ginásio.

🌙 Mais tarde...

As ruas estavam praticamente vazias.
Caio caminhava sozinho, com a mochila nas costas, quando ouviu algumas vozes.
- Ei, jogador.
Ele olhou para trás.
Quatro garotos estavam parados no caminho.
- Você jogou bem hoje - disse um deles. Em um tom de deboche
- Mas queremos ver se é corajoso fora da quadra também.
Caio respirou fundo.
- Cara, eu só quero ir pra casa.
- Vai fugir?
Caio colocou a mochila no chão.
- Não.
Enquanto isso, algumas ruas atrás, uma moto passou.
Rafael estava voltando para casa.
Ao perceber a movimentação, reduziu a velocidade.
- Hmm...
Ele parou a moto.
Tirou o capacete.
- Acho que aquele é o Caio.
Rafael ficou observando.
- Vou ter que interferir.
Mas então...
Um dos valentões avançou.
Caio desviou.
O garoto perdeu o equilíbrio e caiu.
O segundo tentou agarrá-lo.
Caio se esquivou rapidamente e o fez perder o equilíbrio também.
Os outros dois ficaram parados, surpresos.
Poucos segundos depois, os quatro estavam no chão, derrotados pela própria confusão.
Rafael ficou completamente imóvel.
- Madonna mia... - murmurou.
Caio pegou a mochila.
Quando levantou o olhar, viu Rafael.
- Você?
Rafael apontou para os quatro no chão.
- Eu ia ajudar.
Caio colocou a mochila no ombro.
- Percebi.
- Você não precisava de ajuda.
- Exatamente.
Rafael sorriu.
- Interessante.
Caio começou a andar.
- Boa noite, italiano.
- Boa noite, brasileiro.
Caio parou.
- E não me chama de baixinho.
Rafael colocou o capacete novamente.
- Não prometo.
Caio revirou os olhos.
- Idiota.
Rafael ligou a moto.
- Buonanotte, piccolo.
- EU FALEI PRA NÃO ME CHAMAR DE BAIXINHO!
Rafael saiu rindo.
E Caio ficou parado na calçada, irritado.
Mas, pela primeira vez, também estava sorrindo.

Talvez aquele italiano irritante ainda fosse seu "inimigo".
Mas alguma coisa naquela noite tinha mudado. 🏐


*Significado das palavras italianas*
• Madonna mia: o meu Deus, caramba

Entre  O Ring E A Quadra Histórias para pegar e não largar. Descubra agora