No dia que eu parei... Pfff...
Minhas pernas ficaram bambas.
Foi subindo um calafrio pelo meu corpo — aquela sensação de paralisia, pânico ou morte quando vem pela costela até arrepiar os fios de cabelo da cabeça. Meus olhos foram tomando outra forma. Eu os sentia ficar vermelhos. Parecia areia depois daquela tempestade de Almofala descrita no livro Oração para desaparecer.
Eu desapareci.
Eu queria desaparecer por segundos, por instantes...
Mas apareci de novo aqui.
Aqui.
Soltei o ar que prendi por esses segundos. Olhei para minhas mãos trêmulas. Inspirei novamente pelo nariz, com a boca fechada e a língua por detrás dos dentes superiores cerrados. Soltei pela lateral, zumbindo um som estridente. Fui acalmando o coração acelerado.
Resolvi me atarefar
mais
e mais
e mais
e mais
e mais
e mais...
E o ponteiro menor ia me dizendo que havia uma contagem.
Mas o maior ia me dizendo quantos minutos ainda me restavam.
Estou na frenética adrenalina da Coca-Cola.
As horas passam rápido demais para uma pessoa que sabe a finitude da própria vida.
YOU ARE READING
ÂNSIA: A sombra de quem vive
Poetry"Um livro de Prosa Poética para quando o peito aperta e o mundo esquecer de desacelerar." Se você já sentiu que o mundo corre rápido demais enquanto o seu peito insiste em travar, este livro é para você. Aos olhos de quem vê de fora, parece apenas s...
