Londres, abril de 1816
A temporada social estava no auge, e a mansão dos Hollingsworth resplandecia como uma joia cravada no coração de Mayfair.
Isadora Savoy atravessou o salão de baile ao lado de Raffael, sentindo o peso dos candelabros de cristal refletirem-se sobre sua pele como se o próprio ambiente quisesse aprisioná-la em luz. O vestido de seda lavanda que Ana Lúcia escolheu para ela fazia um contraste delicado com seus cabelos loiros, presos em um elaborado penteado adornado com pequenas pérolas. Isadora se sentia bonita naquela noite, uma sensação rara e intoxicante.
- Pare de se esconder atrás de mim - murmurou Raffael, inclinando-se levemente em sua direção. - Você é uma Savoy. Aja como tal.
- Estou agindo como uma Savoy - respondeu Isadora, os dedos apertando o leque com força. - Uma Savoy que preferia estar lendo em casa.
Raffael soltou uma risada baixa, o som abafado pela música que preenchia o salão. Mesmo sério e protetor como sempre, ele tinha um humor seco que poucos conseguiam perceber.
- Então por que veio?
- Porque mamãe insistiu. E porque Sophie prometeu que a noite seria suportável.
- Sophie está com Vincent e as crianças. Você sabe que ela não terá tempo para entretê-la.
Isadora revirou os olhos, um gesto que arrancaria um suspiro de desaprovação de Ana Lúcia se ela estivesse olhando.
Sophie, a Duquesa de Ashbury, estava em um canto do salão, cercada por um pequeno círculo de damas casadas. Ao seu lado, Vincent Chesterfield mantinha a expressão fria e controlada que o tornou conhecido entre a alta sociedade. Mesmo casada há anos e mãe de quatro filhos, Sophie continuava sendo a joia da família, mas seu brilho agora era sereno, maduro, distante da inquietação juvenil que um dia a definiu.
Mais adiante, Ariane, a Condessa de Ashworth, conversava com Matthew Collingwood em tom baixo e íntimo, os dedos entrelaçados de forma discreta. Olivia, por sua vez, ria alto em um grupo de convidados, com Colin Fairchild ao seu lado, o braço dele apoiado de forma protetora em sua cintura. Até mesmo Raffael, o irmão mais velho, tinha Cecília à sua espera em algum lugar do salão, cercada pelos filhos.
Todos os irmãos mais velhos estavam acompanhados. Realizados. Completos.
E Isadora, aos vinte e quatro anos, continuava sendo a irmã solteira, a que preferia os cantos escuros das bibliotecas aos salões iluminados.
- Vou buscar um pouco de ar - anunciou ela, tocando o braço de Raffael com leveza.
- Não vá longe.
- Não vou.
Isadora deslizou entre os convidados com a naturalidade de quem sabia ser invisível quando queria. Não era a mais bonita das irmãs, nem a mais espirituosa, nem a mais desejada. Era a aventureira, a curiosa, aquela que observava demais e falava pouco. E estava acostumada a ser deixada em paz.
Foi exatamente por isso que se assustou quando uma voz masculina soou às suas costas.
- Srta. Isadora Savoy, presumo?
Ela girou nos calcanhares, o coração dando um salto involuntário.
O homem diante dela era absurdamente bonito. Não da forma simétrica e fria que se via nos retratos, mas de um jeito vivo, caloroso, magnético. Cabelos castanhos levemente ondulados, olhos escuros que pareciam conter segredos, um sorriso que se alargava de forma assimétrica, como se ele soubesse de algo que ninguém mais sabia.
- Sim - respondeu Isadora, recuperando a compostura. - E o senhor é...?
- Justin Brookshire. Um amigo de seu irmão Caio.
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Prisioneiros do Destino
FanficLivro 09 da Série Savoy --- Londres, 1821. Isadora Savoy carrega nos ombros o peso de um escândalo que destruiu sua reputação e a afastou de tudo o que conhecia. Cinco anos após ser abandonada no altar por um homem que nunca a amou, ela retorna à al...
