Aluria sempre foi uma princesa difícil de controlar. Curiosa, impulsiva e dona de uma língua afiada, ela jamais conseguiu aceitar que seu título significasse viver presa às regras da corte.
Por isso, quando uma escapada até o misterioso reino de Dra...
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Ninguém tinha coragem de cruzar a Grande Ponte de Pedra que unia os reinos de Alaspora e Dragomyr.
Dentre os cinco reinos que compunham o arquipélago chamado a Ordem da Estrela, apenas Alaspora fazia fronteira com o Reino dos Dragões, separados apenas por uma ponte de cinquenta e quatro metros cuja construção havia sido finalizada há três meses.
Mesmo com a ponte, a ordem de que nenhum humano podia atravessar permanecia inquestionável, irrevogável.
Não era necessário que a Coroa de Alaspora montasse uma guarda armada para defender a ponte e impedir a travessia. O medo era o bastante para frear qualquer humano que não desejasse ter uma morte excruciante e dolorosa.
Entretanto, "medo" não era uma palavra presente no vocabulário de Aluria.
Ela sempre teve fascínio por dragões desde a infância, e, às vezes, conseguia que sua mãe a levasse até à fronteira para que ela pudesse admirar Dragomyr à distância, mas nunca viu de fato um dragão, exceto pela ponta de uma asa que se escondia na floresta, há quilômetros de distância.
- Aluria, estou implorando. Dê meia volta e vamos embora daqui. - Nathaniel implorou enquanto seu cavalo resistia aos comandos de seguir a jovem.
Ela o olhou por cima dos ombros, encurtando a rédea de seu cavalo ao abrir um sorriso travesso.
- Chegaremos atrasados para o torneio.
- Faremos apenas um pequeno desvio, eu apenas quero ver a ponte. - Ela insistiu, agitando as rédeas de seu cavalo novamente - Vamos, Nate.. Você é um cavaleiro. Onde está seu espírito de aventura?
Ele apertou os lábios, tentando conter a irritação.
- Não sou apenas um cavaleiro. E meu espírito de aventura está logo abaixo do meu instinto de sobrevivência. - O rapaz rebateu, mas guiou seu cavalo na mesma direção que o dela, a mão apertando o punho da espada com força - Foi muita irresponsabilidade sua fugir do séquito.
Aluria estalou a língua e ergueu uma sobrancelha.
- Eu não tive a intenção. Eu me perdi. Foi um acidente.
Nathaniel riu pelo nariz, sem humor, enquanto os cavalos seguiam a galope.
- Você entrou em uma viela, trocou de capa com uma criada e saiu pelos estábulos.
Aluria gargalhou em seguida, incapaz de manter a compostura.
- Um acidente muito bem elaborado.
Nathaniel puxou as rédeas bruscamente quando a terra da estrada sob os cascos de seu cavalo se tornou pedra. O animal relinchou, insatisfeito com o puxão e tanto ele quanto ela encararam a ponte.
Nathaniel engoliu em seco, piscando seus olhos castanhos duas vezes antes de perceber que Aluria estava desmontando seu cavalo.
- O rei vai nos matar. - O garoto murmurou, passando as mãos em seus cabelos castanhos.