Aegon estava terrivelmente entediado. Observava, sem o menor interesse, as sombras dançantes nas paredes de pedra de seu quarto, projetadas pelas várias velas de sebo. Seu aposento não fugia à sua personalidade: taças de vinho esquecidas aqui e ali, roupas e mais roupas abarrotadas e jogadas, anéis, facas e instrumentos compridos, de formatos estranhos, debaixo da cama...
Apoiava o queixo na mão esquerda e ensaiava um bocejo quando, de súbito, levantou-se decidido.
"Foda-se, eu não vou ficar aqui."
Sua mãe, a Rainha Viúva, o colocara em seu quarto como reprimenda por seus comportamentos inadequados, para que pensasse sobre boas maneiras e os ímpetos de um aristocrata. Ao passar pelo limiar de seu aposento, um dos guardas à porta, encabulado, dirigiu-se a ele:
"Meu príncipe... Terei que... Terei que informar a Rainha..."
Aegon não o deixou terminar.
"Faça isso e terá problemas muito maiores do que se ela descobrir que saí sem permissão", disse em voz baixa, os olhos azuis flamejando de satisfação diante da tremulação dos outros, castanhos. "Não vou longe. Aliás, vou ver meu irmãozinho."
O corredor que levava aos aposentos de Aemond atravessava a parte mais silenciosa da fortaleza. À medida que se afastava dos salões, Aegon ouvia cada vez menos vozes, risadas e passos de criados. O caminho tornava-se mais estreito, as tochas mais espaçadas e o ar, que entrava pelas janelas abertas, mais frio. Até que chegou a uma porta sem ornamentos, guardada por apenas um homem.
"Nem se atreva a me anunciar", disse Aegon, no instante em que o subalterno pareceu prestes a se virar. Devagarinho, abriu a pesada porta apenas o necessário para deslizar o corpo para dentro, sem fazer barulho.
O aposento de Aemond era o oposto. Tudo encontrava seu lugar. As armas repousavam alinhadas, os livros permaneciam empilhados com precisão e a cama estava impecavelmente arrumada e vazia. Sempre vazia, pensou Aegon, malicioso. As cores eram sóbrias, os móveis austeros e as janelas permaneciam abertas para deixar entrar o ar frio. Nada ali parecia escolhido por capricho. Cada objeto tinha uma função, e cada espaço vazio parecia deliberado. Foi quase automático para Aegon sentir a urgência de levar algum caos àquele reino de paz e tédio. Seus olhos percorreram a primeira parte do quarto, nada do irmão.
"Mas que diabos, cadê esse puto?", murmurou.
Foi então que viu. Sobre um dos móveis de cabeceira, havia uma garrafa de vinho aberta e quase vazia, porém, o que realmente chamou sua atenção foram as duas taças. DUAS TAÇAS.
"Ah, não. Não acredito. Finalmente...", Um sorriso surgiu em seu rosto. "Aemond, seu putinho."
Antes de prosseguir, Aegon terminou o vinho que restava na garrafa. No fundo do cômodo, as venezianas estavam abertas para a sacada, e um véu fino esvoaçava diante delas com a brisa fraca da noite.
"Só podem estar lá". Na ponta dos pés, cretino e sorrateiro, Aegon avançou e aguçou a audição tentando captar qualquer ruído que viesse da sacada.
Assim ouviu um gemido, mas não um gemido contido, disfarçado. Era um gemido entregue, cheio de tesão, que lhe arrepiou a nuca, fez seu sorriso crescer e seu pau endurecer. Como era pervertido!
Imediatamente imaginou a cena que encontraria do outro lado: a sacada banhada pela prata da lua cheia, Aemond finalmente deixando de lado toda aquela pose de retidão enfiando sua fuça nos peitões de uma puta gostosa e experiente! Tudo o que Aegon sempre imaginara que o irmão deveria experimentar. Tudo aquilo que, como irmão mais velho, sentia que deveria ser ele a lhe ensinar, mas Aemond era chato, careta, estudioso, blá-blá-blá, e nunca deixava Aegon entrar.
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Aegon the Degenerate & Aemond the Proper
FanfictionAegon, o depravado, foge do castigo e vai visitar seu irmão Aemond, que, ao que parece, não é de tanta retidão...
