Mike, um garoto rude, mal olhava na minha cara, fingia não saber da minha existência. Mas nem sempre foi assim... Quando éramos criança, ficamos inseparáveis, sempre brincando, conversando... Mas já fazem 10 anos, não é? Tudo muda. Agora ele me odeia, mal olha na minha cara.
POV (WILLOW DIAZ/SN)
Março de 1986.
Hoje, uma segunda-feira aleatória do ano de 1986, nada mudou, eu e Mike continuamos sempre brigando, nada de novo. Ele continua me evitando, mas eu ainda acredito que lá no fundo, no fundo mesmo, daquele coração gelado, ele ainda pensa em mim. E tudo isso por nada! Ou talvez... só talvez, há 5 anos atrás, eu tenha quebrado os carrinhos de coleção dele, mas foi só um! E já fazem 5 anos, atualmente ele tem 15, não é possível que vá ficar com as atitudes de uma criança de 10 anos, não é? Ou talvez ele vai ficar para sempre com essa imaturidade.
Enquanto isso, na escola, Mike estava tentando aprontar uma para cima de Willow, colocando um balde cheio de balões de tinta em cima da porta principal da escola, ele se sentou em um banco, esperando o momento exato. Willow entra pela porta principal, sem noção do que está fazendo, quando de repente... Os balões caem e estouram no uniforme, cabelo e nas mãos de Willow. — hmm... Parece que não é seu dia de sorte. — Mike cai na gargalhada, apontando para ela. A risada de Mike chama a atenção dos outros estudantes, que começam a observar a cena, vaiando e rindo. Willow congela, o rosto queimando e os olhos tremendo... Até que se aproxima de Mike com passos pesados, esfrega a mão suja na camisa do Hellfire Club do menino. — Sua...sua... — antes que ele pudesse protestar, ela colocou a mão de tinta na boca dele. Após alguns minutos, a felicidade de Willow dura pouco, já que ambos vão parar na diretoria por causa de um estudante intrometido, a diretora olha para os dois com olhos severos, esperando explicação. — Mais uma vez na semana você aqui, Wheeler. E você, Diaz... Decepcionada. Vão me explicar o porquê? — a diretora Smith diz, em um fio de voz. Willow tenta explicar, mas sempre é interrompida por Mike, para contar as mentiras mal lavadas dele, sempre o colocando como vítima. No final, ambos levaram suspensão por uma semana.
POV (WILLOW/SN)
Depois desse incidente, não quero nem olhar na cara dele! Mas pensando bem... Me sinto um pouco culpada, mas não tanto quanto ele deveria se sentir! Talvez, só talvez, eu vá levar uma cestas de reconciliação para este idiota, mas só porque eu sou boazinha.
POV (MIKE WHEELER)
Estava sentado no sofá, ouvindo reclamações da minha mãe, para ser sincero, não entendi nada. Até que a campainha tocou, pensei que fosse minha salvação, abri a porta e... A doida da Diaz estava plantada lá, ela tomou um susto quando eu abri, saiu correndo e gritando como uma louca, quando eu olhei para baixo, tinha uma cesta cheia de doce e... um carrinho? Essa idiota pensa que eu sou um morador de rua para receber doações? Mas enfim, quem sou eu para reclamar dos doces. Peguei a cesta e entrei para dentro, infelizmente tendo que voltar a ouvir os "blah blah" da minha mãe. . No dia seguinte, na escola... Willow tenta passar despercebida tanto por Mike, quanto pelos outros estudantes, até que passa pelo grupo de Mike e escuta os murmúrios. — Essa é a doida que manchou a sua camisa? — pergunta um cabeludo de boné (Dustin). — Essa mesmo, a Willow. — Mike assente com a cabeça. — Willow? Parece nome de Shih Tzu. — Diz a ruivinha ao lado dele, fazendo com que todos riam. Eu resmunguei um xingamento baixo, mas não aguentei e ri baixinho. — Ei, Shih Tzu! Ouvir a conversa dos outros é feio, sabia? — Mike sussurra alto, provocando. Eu apenas dei o dedo do meio e voltei a andar.
POV (WILLOW/SN)
Durante a aula, eu sentia bolinhas de papéis na minha casa, o professor, Browkey, parecia cego por não ver enormes bolinhas de papéis. Até que eu decidi pegar uma delas, quando abri o papel, estava escrito "Shih Tzu raivosa" e uma carinha feliz do lado. Como ele ousa?! Resolvi devolver na mesma moeda. Arranquei uma folha e escrevi "Bulldog infeliz", amassei e joguei na mesa de Mike. Não precisei me virar para sentir o olhar fulminante dele queimando as minhas costas. Mas adivinha? Ele não parou.
Sexta feira de 1986.
O último dia da semana, a semana passou voando, mas para a Willow, foi quase uma grande eternidade. O apelido "Shih Tzu" se espalhou pelos alunos, como? O Mike Wheeler incentivou a chamar ela assim, agora é "Shih Tzu" para lá, "Shih Tzu" para cá... E assim vai, pelo visto o ano será muito longo. Willow chega à escola, pensando que seria a mesma coisa, mas o Wheeler milagrosamente faltou nesse dia, ela agradeceu silenciosamente como se fosse um milagre divino. Até que um dos amigos de Mike se aproxima de Willow. — Ei, Shih Tzu! — A ruiva acena para ela. Não falei nada, apenas levantei o olhar para ela. — começou... — resmunguei inaudível, reclamando do apelido. — Eu sou a Max. — Ela se apresenta gentilmente, tão diferente de Mike. — Prazer, me chamo Willow. — dá ênfase no "Willow". — Eu sei, Mike contou. Quer almoçar com a gente? — Ela oferece, gesticulando para o resto do grupo, Dustin, Will, Lucas e Jane. Ela hesitou, mas aceitou, eles pareciam serem gentis, diferentes do Wheeler. . Apartir daquele dia, Willow virou amiga do grupo de Mike, e isso parecia o frustar. Até que um dia, Mike e Willow caíram juntos em um trabalho em dupla, o professor sabia da rivalidade dos dois e fez propositalmente.
Na casa da Willow.
Ambos sobem até o quarto de Willow, assim que ela abre a porta, Mike dá de cara com um sapo, soltando um grito agudo. — Mas que diabos! — Ele grita, afastando um passo. — Essa é a Enola. — Willow ri. — Você tem um SAPO de estimação?! Além de esquisita, é louca também. — ele finalmente entra, se jogando na poltrona como se fosse dele. Willow revira os olhos, se sentando na poltrona ao lado e pegando o caderno da mochila, tentando começar sem que Mike atrapalhe. Quando percebe Mike resmungando sem prestar atenção, dá um tapa no ombro dele. — Michael! — chama a atenção dele. Ele se assusta levemente, tocando a cintura dela por instinto, ele aperta a cintura, quando desce o olhar e percebe, retira a mão rapidamente. — foi mal... — ele fala sem graça, mas não parece estar arrependido de tocar. O clima está carregado de sentimentos não compreendidos. — Quer comer algo? — Ela quebra o silêncio depois de meia hora de silêncio. Ele sorri fracamente ao ouvir isso, assentindo. — pode deixar que eu cozinho, sou master chefe — diz com um sorrisinho de lado. Na cozinha, Mike pega uma frigideira e gira desengonçado, a colocando no fogão. — vou ao banheiro, quando voltar espero estar pronta. — Willow diz, se afastando. Quando ela volta, a carne já está em uma tábua, olha para Mike e depois para carne, percebendo que ela está TOTALMENTE queimada. — que diabos... Isso não é nem carne, é carvão puro, Wheeler. Joga isso no lixo. — Willow diz, indignada. — Não e não! É só o tempero da carne, tá no ponto. — Nem ele acredita na própria palavra. — que ponto, Wheeler? Isso está preto. — ela gesticula para carne. — preto é o seu-... Não está queimada, é só impressão sua. — mente descaradamente. — ah, claro, duvido você comer. — Willow diz debochando. — com prazer. — ele morde a carne, mastigando. Segundos depois cospe a carne no lixeiro, lavando a boca na torneira rapidamente. — mhm... Delícia, não é? — ela ri. — vamos voltar a estudar e deixar isso para lá. — ele o puxa para cima, subindo as escadas.
Mais tarde, Mike já foi, Willow fica sozinha refletindo sobre essa noite, pensando como Mike parecia diferente, mais alegre.
POV (WILLOW/SN)
Assim que Mike saiu, eu me sentei na minha cama, olhando para o nada, até que meu olhar caiu para uma caixa ao lado do criado mudo, se agachei ao lado da caixa e a abri... Lá dentro, havia vários quadros, brinquedos e câmeras antigas, de quando eu e Mike éramos crianças e melhores amigos, peguei uma das fotos e a observei, era uma imagem de quando Mike quebrou o braço, e eu desenhei no gesso inteiro.
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Quando o tempo ainda era jovem, sem preocupações da adolescência ou confusões e desentendimentos... Mas como uma criança tão doce se transformou na criatura fria do Wheeler?